Zanardi – Da Fórmula 1 para Handbike: conheça a trajetória

Zanardi – Da Fórmula 1 para Handbike: conheça a trajetória

Like
761
0
quinta-feira, 17 setembro 2020
Super Ação

Alessandro Zanardi é um grande ícone, personagem do esporte. Seja pelas pistas do automobilismo ou do paraciclismo, onde passou a se dedicar e até conquistar medalhas depois de lutar pela vida, num acidente na Fórmula Indy. Por mais uma vez, Alex Zanardi está diante de mais uma batalha pela vida, após sofrer um novo acidente grave. O coração valente, se Deus quiser e por mais uma vez, vencerá essa batalha. No entanto, sua trajetória sempre será uma marca muito forte para ser relembrada.

Por: Ana Bracarense, de Uberaba, MG.

O início de carreira

Alessandro Zanardi nascido em 23 de outubro de 1966, em Bolonha, Itália foi piloto de Fórmula 1 e até antes do último acidente era paraciclista da Itália. A família se mudou para a cidade de Castel Maggiore, quando Zanardi tinha quatro anos.  Sua irmã, Cristina, foi uma promissora nadadora antes de morrer em uma colisão de automóveis em 1979.

Alex Zanardi começou a correr no Kart com seus 13 anos. Ele mesmo construiu seu kart com as rodas de um caixote do lixo e canos do trabalho do seu pai. Já em 1988, ele se juntou à série italiana de Fórmula 3 e conseguiu já chegar com um quinto lugar como seu maior final.

Em 1989, o piloto italiano conquistou duas pole positions e três pódios, mesmo que sua equipe mudou para combustível sem chumbo. E isso fez com que reduzisse a potência do motor do carro. Já em 1991, ele se mudou para a Fórmula 3000 com a equipe de Il Barone Rampante. Tão logo, conquistou uma vitória na sua corrida de estreia. Depois, ele conquistou mais duas vitórias nessa temporada de estreia e terminou em segundo no campeonato.

Assim, a estreia na Fórmula 1 seria em 1991. O primeiro contato foi num teste em Paul Ricard com um carro da equipe Footwork. Logo depois, Zanardi estreou no GP da Espanha de 1991 pela equipe Jordan. Dessa forma, ele competiu nos últimos três GPs dessa temporada. Nessa primeira passagem pela F1, Zanardi guiou na Jordan, Minardi e Lotus. Até final do ano de 1994. Além da Fórmula 1, nesse período, Zanardi participou de eventos da Porsche Supercup, em Ímola e num evento de 4 horas, em Donington Park.

Zanardi no GP do Japão de 1994

Zanardi no GP do Japão de 1994. Foto: PHC / Acervo The Cahier Archive

O sucesso nos Estados Unidos 

Após uma passagem discreta pela Fórmula 1, Alessandro Zanardi se mudou para os Estados Unidos. Em 1995, o piloto italiano foi para os Estados Unidos para tentar uma vaga Fórmula Indy – CART. Ele sentiu que conseguiria encontrar um assento facilmente com a experiência que ele tinha da Fórmula 1. Entretanto, nenhuma equipe se interessou.

Porém, o diretor comercial da Reynard, Rick Gorne, conseguiu garantir ao piloto um test drive. Com isso, ele assinou oficialmente um contrato em 23 de outubro de 1995. Tão logo, o engenheiro de corrida Morris Nunn, aconselhou Chip Ganassi a contratá-lo.

Enfim, em 1996 ele foi contratado pela equipe Chip Ganassi e estreou na Fórmula Indy – CART. Zanardi não demorou muito a se tornar um dos pilotos mais populares da série. Ele conseguiu conquistar a pole na sua segunda corrida, embora sua primeira vitória não tenha acontecido até o meio da temporada. Em Portland, ele conquistou a sua primeira vitória.

Ainda no ano de estreia, Zanardi venceu em Mid-Ohio e na última etapa da temporada. Em Laguna Seca, Zanardi fez uma ultrapassagem espetacular e inesquecível sobre o Bryan Herta no saca rolha. Detalhe! Na última volta para conquistar definitivamente a vitória.

Ultrapassagem de Zanardi sobre Herta

Ultrapassagem de Zanardi sobre Herta no Saca Rolha. Laguna Seca 96. Foto: Reprodução / Pinterest

No total, o piloto italiano conquistou três corridas em sua temporada de estreia e seis pole positions. Ele terminou em terceiro lugar no campeonato e foi eleito o melhor corredor do ano da Fórmula Indy – CART.

Após o ano meteórico de estreia, Zanardi chegou a conquista de títulos. Nos anos seguintes, em 1997 e 1998, Zanardi se tornou bicampeão da categoria. Foram 5 vitórias no ano de 1997 e 7 vitórias no ano seguinte.  Sem dúvida, o auge de Zanardi no automobilismo.

De volta a Europa

O sucesso de Zanardi chamou a atenção de Frank Williams, com quem ele fez um primeiro contato em 1997, para sinalizar que estaria disponível para negociações contratuais. Sendo assim, em julho de 1998, Frank Williams visitou Zanardi, onde assinou um contrato de três anos. Zanardi começou a testar no final daquele ano mesmo ano, ao lado do piloto de testes Juan Pablo Montoya que por sinal assumiu o seu cockpit na Chip Ganassi no ano de 1999.

Zanardi teve poucos momentos de destaque nessa segunda passagem pela Fórmula 1.  Em uma delas, ele superou no treino de classificação do GP de Mônaco, Michael Schumacher por mais de meio segundo. Entretanto, mais um drama ocorreu no dia da corrida quando o assento de sua Williams quebrou. Apesar do contratempo, Zanardi conseguiu terminar em 8º lugar.

Zanardi no GP de Mônaco de 1999

Zanardi no GP de Mônaco de 1999. Foto: PHC / Acervo The Cahier Archive

Mas o ano de 1999 foi muito abaixo. A Williams também passava uma temporada de muita dificuldade com o motor Supertec. No entanto, Ralf Schumacher, seu companheiro de equipe conquistou resultados bem superiores ao de Zanardi. O que fez o italiano não seguir na Fórmula 1 e na Williams no ano seguinte. De fato, Zanardi encerraria uma carreira não muito bem sucedida como piloto de Fórmula 1.

O acidente

Com um novo insucesso na Fórmula 1, na temporada de 2000, Zanardi não assinou contrato com nenhuma equipe. E um novo retorno a CART parecia o caminho de Zanardi. O italiano fez alguns testes. E optou por assinar com a nova equipe de Mo Nunn para o ano de 2001.  Equipe de Morris Nunn, o mesmo engenheiro que em 1995 indicou Zanardi a Chip Ganassi.

Entretanto, no ano de 2001, Zanardi não teve sucesso na maior parte do tempo. Em uma equipe nova e tendo que se readaptar a categoria, Zanardi não chegou perto dos resultados alcançados em tempos de glórias com a Chip Ganassi.

E infelizmente, em sua corrida mais competitiva de 2001, ele sofreu um violento acidente no EuroSpeedway Lausitz. Zanardi começou no final do grid e ganhou terreno, chegando a liderar a corrida por alguns momentos.  Em suma, parecia que Zanardi finalmente iria ter um grande resultado naquele ano de 2001.

Entretanto, nas últimas voltas, após um pit-stop tardio, Zanardi com pneus frios acelerou forte na saída desse pit-stop ainda na pista de rolamento. Porém, Zanardi perdeu o controle de seu carro, rodou na direção da pista e encontrou pelo caminho em alta velocidade o carro de Patrick Carpentier.

O carro de Zanardi foi atingido violentamente na lateral. Uma batida em “T”. Por causa do impacto, Zanardi perdeu quase três quartos de sangue. Mas uma rápida intervenção médica salvou sua vida. Por consequência do acidente, Zanardi teve suas duas pernas amputadas. Foram necessárias três horas de cirurgia para limpar e facilitar o fechamento das feridas. Contudo, ele teve que se aposentar em corridas de monoposto.

Sua carreira depois da amputação

Zanardi projetou e construiu suas próprias pernas personalizadas, para permitir que ele comparasse o peso e a rigidez de vários pés, e com isso pôde encontrar os mais adequados para corridas. Em 2002, a CART homenageou o piloto, permitindo-o agitar a bandeira quadriculada em Toronto, no Canadá. Já em 2003, Zanardi voltou as pistas, com o auxílio de controles manuais de freio e acelerador. De uma forma simbólica, antes da corrida da etapa da CART de 2003 em Lausitz, Zanardi completou as três voltas que faltaram na corrida de 2001 por causa do acidente.

Zanardi voltou de fato a competir numa categoria de automobilismo, em Monza, na Itália. A sua primeira corrida depois do acidente foi num carro de turismo do Campeonato EuropeuETCC. O carro foi modificado para permitir o uso de seus pés protéticos. Assim, em sua reestreia, Zanardi terminou a corrida em sétimo. Zanardi retornou a um carro de Fórmula 1 no final de novembro de 2006 para uma sessão de testes para a BMW, na Espanha. O carro tinha sido especialmente adaptado para ter controles manuais montados no volante.

Depois da experiência, o piloto disse que o problema principal era utilizar apenas a mão direita para passar as marchas, enquanto a esquerda operava o acelerador. E disse que sabia que não iria conseguir um contrato com uma equipe de Fórmula 1, mas só de ter a chance de pilotar um carro de F1 novamente, depois do acidente, era simplesmente incrível.

Sua carreira nos carros de Turismo

Além do ETCC, Zanardi, sempre pela BMW, competiu no WTCC, DTM, Blancpain Series  e IMSA. No WTCC, ele competiu de 2005 à 2009. Após esse período Zanardi se afastou das pistas do automobilismo e retornou somente em 2014. Em um teste com a BMW no final de 2012, Zanardi comentou que esse teste havia reacendido seu interesse por corridas. Dessa forma, no início de 2014, ele anunciou o retorno ao automobilismo, participando da temporada completa da Blancpain Series pela BMW.

Em 2018, Zanardi participou de duas etapas da DTM. Por fim, em 2019, participou da famosa prova das 24 horas de Daytona pela classe GTLM.

Sua carreira de HandCycling e Triatlo

Em 2007, já competindo pelo HandCyclind, ele alcançou o 4º lugar na Maratona de Nova York, isso somente com quatro semanas de treinamento. Desde então, ele assumiu o HandCycling e competiu no Campeonato Mundial de Parapente em 2009. Ele afirmou que estava sonhando com um lugar na equipe italiana para as Paralimpíadas de Verão de 2012.

Nesse mesmo ano, ele ganhou a Maratona de Veneza na categoria para deficientes físicos, montando sua cadeira de rodas em uma hora, treze minutos, 56 segundos. No final de 2012, Zanardi ganhou uma medalha de ouro nos Jogos Paralímpicos, em Londres. Já no final do ano de 2015, o piloto anunciou que participaria da Maratona de Berlim usando um ciclo de mão reclinada.

Alessandro Zanardi conquista a medalha de Ouro na prova Contrarrelógio Masculino H5 modalidade de Ciclismo dos Jogos Paralímpicos Rio 2016. Foto: Reprodução / Andre Motta / Heusi Action

Nos Jogos Paralímpicos de 2016, no Rio de Janeiro, Zanardi conquistou as medalhas de ouro na prova de contrarrelógio dos ciclistas de estrada e no revezamento de equipe mista, além da prata na corrida de estrada. E, no final do ano passado, participando de uma competição de Triatlo, na Itália, Zanardi quebrou o recorde mundial de Ironman na categoria de deficientes, com um tempo de 8: 26’6. Com isso, ele também classificou como quinto absoluto na competição.

LEIA MAIS

Handbike leva Josimar a lugares incríveis com o Paraciclismo

Ana Bracarense

20 posts | 0 comments

Comments are closed.