Vôlei e basquete de norte e nordeste: Uma realidade dura e bruta

Vôlei e basquete de norte e nordeste: Uma realidade dura e bruta

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terça-feira, 28 fevereiro 2017
Vôlei

Quando falamos sobre esporte no nordeste ou no norte do Brasil, logo nossos pensamentos remetem apenas aos times de futebol e suas grandes torcidas. E se falarmos de vôlei ou basquete, os entusiastas do desporto vão lembrar no máximo do Basquete Cearense, destaque da região no NBB, por exemplo.
Os motivos podem ser os mais variados, mas o fato é que o norte e nordeste, tão povoados em suas capitais e por vezes tão esquecidos pelo restante do país, nunca tiveram a mesma representatividade das regiões sul, sudeste e centro-oeste no basquete e no vôlei.
Embora a região tenha bons projetos no vôlei, como o CRB em Maceió (time que revelou Maurício Borges da seleção brasileira), a maioria dos atletas nordestinos ainda precisam buscar oportunidades mais ao sul do mapa para iniciar as suas carreiras. No basquete, acontece o parecido.

Breve histórico

Vôlei no norte, só com equipes vindas de fora. No Mangueirinho em Belém do Pará, Sesi e Campinas Vôlei Brasil Kirin se enfrentaram no final de 2016. Foto: Wander Roberto/Inovafoto/CBV

Vôlei no norte, só com equipes vindas de fora. No Mangueirinho em Belém do Pará, Sesi e Campinas Vôlei Brasil Kirin se enfrentaram no final de 2016. Foto: Wander Roberto/Inovafoto/CBV

Pouca era a visibilidade do basquete nordestino e nortista no passado. A prática sempre existiu, mas sempre de forma amadora e distante dos holofotes dos grandes torneios. Na década de 70, a equipe baiana da Fantoches de Euterpe, agremiação carnavalesca e esportiva da Bahia, tinha um certo destaque na região, relevando o pivô Israel, que foi campeão do histórico Pan de 87 com a seleção brasileira ao lado de Guerrinha, Pipoka e Oscar.
Já o vôlei nas regiões mais ao norte do país demoraram a se desenvolver. As próprias seleções nacionais, por muito tempo foram formadas apenas por jogadores oriundos da região sudeste. Até os dias de hoje poucos jogos são realizados nos ginásios nortistas e nordestinos e dependem de ações dos times do sudeste para receber jogos.

 

Falta de visibilidade e condições financeiras

É notório que o infeliz desenvolvimento inferior das regiões norte e nordeste em relação ao sul do país passa pelo esporte. Investimentos esportivos esbarram na falta de estrutura como um todo na região, que vive uma crise empregatícia, de segurança, educação e saúde pública. Os governos locais focam portanto, em outras prioridades.
Já a iniciativa privada investe onde terá mais resultados sobre seus objetivos. Em suma, o investidor que quer sua marca divulgada vá aos grandes centros esportivos do Brasil. Nestlé e Rexona investem seus nomes no sudeste, por exemplo. O norte, mesmo com a sua zona franca, não consegue (ou não tenta) trazer investimentos ao esporte local.

 

Espectro geral atual

Mesmo com as recentes iniciativas dos times paulistas de Campinas e de São Caetano do Sul no envio de petições para a realização de seus jogos no norte e no nordeste, as regiões ainda enfrentam o cúmulo de possuírem o direito de ter partidas da Superliga de Vôlei sem ter um representante sequer na competição.

Basquete Cearense e Vitória são os representantes nordestinos que disputam o NBB Foto: Brito Júnior/UniCEUB publicado no site da LNB.

Basquete Cearense e Vitória são os representantes nordestinos que disputam o NBB
Foto: Brito Júnior/UniCEUB. Publicado no site da LNB.

Já no basquete, mesmo com os feitos do Basquete Cearense, o time só existe na maior liga da modalidade no país pelo apoio vindo de prefeitura de Fortaleza em sua fundação. Está mais para uma exceção do que para uma realidade do basquete nordestino. No norte, as competições são pequenas, e campeonato de basquete 3×3 não são raras, visto que não há adesão e estrutura para a realização de campeonatos oficiais com maior qualidade.

Alguns times tradicionais do futebol do nordeste tentam de alguma forma investir mais em outras modalidades. Além do Basquete Cearense, o Vitória marca presença no NBB. O CRB tem um bom time de vôlei na região com boa estrutura, e em passados recentes o Sport Recife colocou times de vôlei na Superliga feminina e times de basquete em competições regionais. Mesmo assim, ainda é muito pouco para que o basquete e o vôlei do norte e do nordeste se equipare em qualidade e visibilidade aos seus vizinhos do sul.

Por Gabriel Manzini

Foto de Capa: Itacoatiara/Dom Bosco, quando foi campeão da Supercopa Amazonas de Basquete. Apenas quatro equipes disputaram o pleito. Torneios com mais equipes, apenas com número inferior de atletas em quadra – Publicado em CBB.

Paulo Arnaldo do Amaral Lima

Paulo Arnaldo do Amaral Lima

Paulo Arnaldo, paulista, CEO da Poliesportiva, jornalista, apresentador e narrador esportivo. Conhecido no meio jornalístico como P.A., Paulo Arnaldo tem vasta experiência desde 2008 no jornalismo e[...]

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