Uma homenagem à Chapecoense e aos que sonham em alcançar suas utopias

Uma homenagem à Chapecoense e aos que sonham em alcançar suas utopias

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quarta-feira, 30 novembro 2016
Futebol Brasileiro

O jornalista e escritor uruguaio Eduardo Galeano disse certa vez, em uma entrevista, que a utopia existe para que não deixemos de caminhar. Na ocasião, ele contou que, alguns anos antes, participara de uma palestra com o amigo e diretor de cinema argentino Fernando Birri, em uma universidade de Cartagena das Índias, na Colômbia, quando um dos presentes lançou a ambos a seguinte pergunta: “pra que serve a utopia?”. Birri se antecipou ao amigo, que não soube num primeiro momento o que dizer, e respondeu, sem pestanejar: “A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei”.

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A aguerrida Chapecoense, da série D do Brasileirão em 2009 para a conquista da América do Sul e do mundo, sete anos depois – Foto: Divulgação/Chapecoense

Modesta, para os padrões do futebol brasileiro, a equipe da Chapecoense tinha como utopia conquistar a América do Sul. Na tentativa de alcançá-la, a caminhada, ainda que árdua, foi meteórica. Sete anos atrás, em 2009, o time ainda disputava a série D (quarta divisão) do Campeonato Brasileiro. Chegou à elite do futebol nacional em 2014, e, um ano depois, viu seu caminho diminuir (e aumentar, na mesma proporção) rumo ao horizonte a ao que seis anos antes parecia impossível, ao se classificar para a Copa Sul-Americana.

Este ano, após superar os conquistadores da América Independiente e San Lorenzo, ambos da terra do cineasta Fernando Birri, a aguerrida Chapecoense – inspirada no lendário e bravo cacique Vitorino Condá – tentaria, na mesma Colômbia da universidade de Cartagena das Índias, chegar um pouco mais perto do horizonte e, consequentemente, de sua utopia.

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Modesta, para os padrões do futebol brasileiro, a equipe alcançou além da utopia inicial – Foto: Divulgação/Chapecoense

Para a caminhada final, diante do Atlético Nacional, ganharia o apoio e a companhia de jornalistas não tão menos utópicos e empolgados (um deles entoaria, em alto e bom som, no início da batalha final: “preeeeeeeepare-se”) com a chance de testemunhar (e reportar) o impossível acontecer. Havia, ainda, uma tripulação estrangeira, talvez desconhecida, mas certamente contagiada com a determinação de todos aqueles guerreiros sonhadores e disposta a ajudar a encurtar o caminho deles. E não só isso: mesmo não presencialmente, toda uma nação estaria junta em pensamento e passadas, independente da cor da camisa, desejando boa sorte naquela caminhada.

O que a Chapecoense não imaginaria, no entanto, é que sua utopia – e a de todos os seus companheiros que caminharam bravamente com ela até o fim – conquistaria não só a América do Sul, mas também o mundo todo. E todos os guerreiros que sonharam e acreditaram naquilo, antes considerado impossível, receberiam homenagens à altura do feito, vindas dos quatro cantos do planeta.

Leonardo Guandeline

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