Ultramaratonista Carlos Dias fala com exclusividade sobre o início no esporte, conquistas e expectativas

Ultramaratonista Carlos Dias fala com exclusividade sobre o início no esporte, conquistas e expectativas

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sábado, 19 dezembro 2020
Atletismo

O ultramaratonista Carlos Dias falou com exclusividade para a Rádio Poliesportiva, onde nos contou sua trajetória de vida, seus passos no esporte, suas realizações e novos projetos.

Por: Larissa Lisboa, Caucaia – Ceará

Carlos Dias, ultramaratonista e palestrante brasileiro, é considerado o super-humano da América Latina. O atleta recebeu o título em um programa do The History Channel, após correr mais de 120.000 km em sua carreira. Entretanto, esse mérito não se resume, apenas, às suas marcas no esporte. Carlos torna-se um super-humano, por usar a dificuldade que enfrentou na infância como impulso para transformar vidas.

O  INÍCIO

A história de Carlos no esporte começa muito cedo. Nascido e criado em São Bernardo do Campo (SP), teve uma infância difícil, marcada pelas dificuldades financeiras e pela perda do pai para à violência. O apoio de sua mãe foi fundamental para que encontrasse no esporte a chance de uma vida melhor.

A princípio, o atletismo tinha um papel coadjuvante. Como toda criança, começou com o futebol, o que abriu caminho para a chegada de outros esportes em sua vida:

“Comecei jogando futebol nos campinhos de terra de São Bernardo do Campo, depois vieram o vôlei, ciclismo, handebol e o paraquedismo. A corrida estava presente, apenas, durante a minha preparação para a prática desses esportes. Foi somente aos 20 anos que o atletismo se tornou protagonista da minha vida. Vi que teria uma prova de 10 km na Vila Prudente (SP), e resolvi participar. Gostei muito daquele ambiente e não parei mais”, revela o atleta.

Primeiro contato com o atletismo

Nesse meio tempo, simultaneamente ao primeiro contato com o atletismo, visualizava a oportunidade de fazer o que mais gosta: desafiar a si próprio, quebrar seus limites, aprender com cada prova e levar incentivo.

“A maratona, é um desafio em cada corrida. Uma constante aprendizagem que só tem a agregar. Contudo, decidi seguir essa carreira, não só pelo desafio, mas por todas as oportunidades de aprender e poder levar esse aprendizado às minhas palestras, histórias reais de pessoas e lugares que conheci em cada jornada”.

Nesse sentido, o maratonista tem a oportunidade de vivenciar momentos únicos que são construídos a cada desafio e ficarão marcados pelo resto de sua vida. Entre estes, Dias citou os dois mais marcantes:

“A travessia do Brasil, do Oiapoque ao Chuí, fazendo 9.000 km em 100 dias no nascimento do meu filho Vinícius, em 2007, foi muito especial. Outra experiência incrível, foi cruzar os quatro desertos mais extremos do planeta em menos de um ano, corri 250km em 7 dias em cada um deles Atacama, Gobi, Saara e Antártida, sem ter nenhuma lesão, foi incrível”.

Foto: Acervo pessoal do atleta

O ESPORTE COMO FATOR DE MUDANÇA SOCIAL

Não há dúvidas de que o esporte tem um poder transformador. São inúmeros os exemplos de atletas que mudaram suas vidas, que não tinham perspectiva e encontraram no esporte a melhor chance de sua vida.

Como um grande exemplo disso, o esporte para Carlos é mais do medalhas e competições, é uma das ferramentas mais valiosas para o desenvolvimento de uma sociedade mais forte.

“O esporte me ajuda a tomar decisões com mais segurança, expandir meus conhecimentos em relação às pessoas e ao mundo. Nos deixa menos ansiosos, traz foco, determinação e desenvolvemos a atitude de ter mais empatia”, disse o maratonista sobre as transformações que o esporte causou em sua vida.

Anualmente, Carlos realiza vários desafios, como o “12h em Campinas”, o “Mil Milhas Brasil”, o mais recente, e o mais famoso, o “24h das capitais”. Cada prova, tem um regulamento, mas todas têm algo em comum: ajudar as instituições ajudar instituições que combatem o câncer infantil, como o Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer (GRAACC), em São Paulo; a Associação Capixaba Contra o Câncer Infantil (Acacci), no Espírito Santo; e a Associação Filhos de Céu, na Bahia.

Foto: Acervo pessoal do atleta

Desafios

Perguntamos a ele, como surgiu a ideia dos desafios e por que a iniciativa de ajudar a essas instituições, a resposta foi emocionante.

“Sempre busquei me reinventar. Por isso, decidi desenhar travessias, como cruzar os Estados Unidos, de Nova York à São Francisco (5130 km), em 59 dias, ou circular o mapa brasileiro correndo 18.250 km em 325 dias. Mas cada desafio precisava de um propósito e conhecer o Hospital Graacc, antes de ir correr no deserto de Gobi na China em 2008. Ver crianças sorrindo em seu momento de maior adversidade, me fez olhar muito além da medalha e do recorde. Por isso, criei uma campanha onde as pessoas compram os km que percorro e parte do valor é transformado sorrisos e curas, e outra parte vai para as recompensas (camisetas e medalhas), para quem compra os km”.

Em outras palavras, sua maior motivação são as crianças do hospital e o amor que tem pelo filho, que o impulsiona a ir sempre em frente.

A PANDEMIA

Reinvenção é palavra chave deste ano tão atípico. Assim, a pandemia chegou e atrapalhou os planos de muita gente. Contudo, para o nosso ser-humano, não foi diferente:

“Sheila Flores (minha amiga e ciclista) e eu estávamos na estrada, quando a pandemia chegou, no meio de um desafio de correr mil milhas entre São Bernardo do Campo até Porto Seguro. Íamos percorrer por 34 dias e acabamos realizando apenas quatro dias, tivemos que  retornar e deixar o desafio”.

Mas, apesar disso, o ultramaratonista achou uma forma de continuar seus projetos:

“Nos reinventamos sempre diante do inesperado. Quando tive que cancelar o desafio, imediatamente desenhei um outro: correr 47 horas em casa na esteira. Foi um momento de incertezas, mas de profunda convivência com meu filho, que foi meu staff nesse desafio, onde aprendi a realizar palestras online e lives com meus colegas e amigos“.

PÓS-PANDEMIA

Contudo, os projetos para quando a pandemia acabar já estão bem definidos. Estes, incluem o desafio “24h em Porto Seguro” e percorrer o deserto da Namíbia, na África, fazendo 250 km, em sete dias com Vladimir Virgílio, atleta que perdeu a visão aos 34 anos e usa a ultramaratona como uma ferramenta de superação. Ambos pretendem poder realizar o segundo desafio em abril de 2021, com todos protocolos de segurança.

CONSIDERAÇÕES DE CARLOS DIAS

Por fim, não haveria melhor forma de encerrar a reportagem, do que com um recado do ultramaratonista:

“Quero que as pessoas saibam que, se não podemos controlar a tempestade, podemos controlar nossa atitude diante da mesma. O esporte ensina isso todos os dias. E não importa onde você esteja, sua conta bancária, cor ou gênero, você pode e deve ser o protagonista da sua história, apenas leve com você o respeito ao próximo”.

Portanto, conheça mais sobre os projetos do Super Humano, acessando o site ou instagram do atleta.

Foto destaque: Acervo atleta

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Larissa Lisboa

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