Skate no Brasil ainda não possui órgão oficial nas Olimpíadas

Skate no Brasil ainda não possui órgão oficial nas Olimpíadas

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quinta-feira, 19 janeiro 2017
Skate

Nos últimos dias, um assunto polêmico vem causando discussões dentro do universo do Skate brasileiro. Com a inserção do esporte na próxima edição olímpica, em 2020, a disputa entre duas entidades pela representação junto ao Comitê Olímpico Brasileiro (COB) tem se destacado, já que toda modalidade necessita de um órgão regulador e oficial.  De um lado, a Confederação Brasileira de Skate (CBSK), vinculada há mais de 17 anos ao esporte no país, na realização de campeonatos e homologação de atletas ao skate profissional. Do outro, a Confederação Brasileira de Hóquei e Patins (CBHP), jamais antes envolvida em algo de dentro do skate, que entra agora com recurso ao COB, exigindo para si o reconhecimento de ser a entidade regulamentadora do skate olímpico.

Campanha realizada pela CBSK para que haja o reconhecimento de sua legitimidade no skate brasileiro pelo COB. Foto: CBSK

Para reivindicar sua posição, a CBSK lançou uma campanha com a intenção de demonstrar ao próprio COB e, principalmente, ao poder público, quem os skatistas brasileiros reconhecem como sua legítima representante, com a #somostodosCBSK, que já conta com quase 5 mil assinaturas em petição online. De acordo com Alexandre Vianna, um dos co-fundadores da Confederação Brasileira de Skate, o único órgão capaz de ocupar esse lugar no Brasil seria a CBSK: “Cuidamos da parte burocrática do skate no Brasil desde 1999, e hoje contamos com 10 federações e 5 associações em 11 estados, além de acompanharmos todo o processo de inserção do skate na olimpíada, junto a International Skateboarding Federation (ISF)”

Ainda assim, a CBSk corre o risco de ficar de fora do processo olímpico de preparação dos skatistas durante os próximos quatro anos caso o Comitê Olímpico do Brasil não aceite seu pedido de filiação da confederação, na qual alega o fato de a CBSk não ser filiada a nenhuma entidade internacional que seja filiada ao COI. Contudo, há um acordo entre o COI e a ISF de haver prioridade para as entidades filiadas à ISF a participarem do processo olímpico.

Já a CBHP, que até então nunca havia demonstrado interesse pela modalidade, só foi alterar seu estatuto com a adição da palavra “skate” recentemente, o que desagradou a maioria dos skatistas e até mesmo de patinadores, que reconhecem a entidade como apenas sendo voltada a patinação.

O Skate nas olimpíadas foi oficializado em 2016 pelo COI, e terá sua primeira participação nos Jogos de Tóquio, em 2020. Foto: Divulgação ISF

Após o Comitê Olímpico Internacional (COI) incorporar, no ano passado, cinco novas modalidades para os jogos de Tóquio daqui quatro anos, dentre elas o Skate e o Surf, diferentes posições começaram a divergir por parte de atletas profissionais e de seus praticantes quanto a participação da modalidade ser efetivamente positiva ou negativa para sua própria imagem.

Outro fator importante que Vianna ressalva é de que o skate deve permanecer nas mãos de skatistas: “Nós (CBSK) nunca fomos contra a participação do skate nas olimpíadas, desde que ela seja supervisionada por quem realmente conhece o skate, para que possamos manter a essência do esporte, que se difere de outras modalidades tradicionais em muitos aspectos”

O COB ainda não se manifestou sobre o assunto, porém a decisão deverá sair em breve, já que a entidade que vier a ser reconhecida necessita se planejar desde agora para se adequar as normas olímpicas e atender a todas as necessidades impostas pelo COI.

 

CBSK e sua história

 

Desde 1999 a CBSK vem organizando regras e campeonatos de skate profissional e amador no Brasil. Foto: CBSK

A CBSk é a entidade sem fins econômicos regulamentadora do Skate no Brasil que mais durou até então.

Fundada em 1999 por associações e federações de Skate. Participaram de sua fundação os skatistas Alexandre Vianna, Claudinei Bio, Ed Scander, Fabrício Gugu, Felipe Nagano e Marcus Cida, entre outros.

Atualmente, a CBSK é constituída por 10 federações e 05 associações em 11 estados.

Todos skatistas profissionais do Brasil são confederados à CBSK, que cuida para a categoria ser valorizada através de comitês de todas modalidades e que são eleitos democraticamente pelos próprios profissionais.

São nestes comitês em que se criam as regras de competição dos Circuitos Brasileiros de Skate, inclusive sua revisão periódica.

Por sua vez, a CBSK encomendou várias pesquisas nacionais junto ao Instituto Datafolha em 2002, 2006, 2009 e 2015, levantando dados importantes sobre o Skate brasileiro e que ajudam a conquistar o respeito da sociedade e poderes públicos.

A CBSK organiza anualmente mais de 60 rankings brasileiros entre todas categorias e modalidades, o que acontece somente no Brasil.

Foi responsável pela coordenação técnica dos maiores eventos de Skate no país como o Rio Vert Jam, Mega Rampa, X Games Brasil, além dos Circuitos Brasileiros Profissionais de Street e Vertical.

Sempre esteve na luta contra a proibição da prática do Skate como ocorreu em São Paulo no Museu do Ipiranga, na Avenida Paulista e Praça Roosevelt, intermediando a negociação com o poder público.

Além de participar para a construção das pistas de Skate nos CEUs, do Sumaré, Freguesia do Ó, Parque Madureira, CFONE, Praça Roosevelt, Parque do Nado, Chácara do Jockey, Bom Retiro entre tantas outras.

Também tem parceria com o Hospital das Clínicas e Santa Casa para atendimento gratuito para skatistas amadores e profissionais, inclusive com exames e cirurgias.

Batalhou para o Skate ser incluído no Bolsa Atleta do Ministério do Esportes ajudando 107 skatistas serem beneficiados com a distribuição de R$ 1.737.000,00 desde 2008.

A CBSK paga suas despesas com a receita que é gerada somente da cobrança de homologação de grandes eventos, não recebendo verba pública e ainda assim isentando os skatistas confederados e as federações filiadas de pagar anuidades.
A CBSk ajudou a fundar a International Skateboarding Federation (ISF), dentre os quais fazem parte a Street League Skateboarding (SLS), World Cup Skateboarding (WCS) e dezenas de associações e federações nacionais de Skate.
A ISF, nos últimos 11 anos, tratou com o Comitê Olímpico Internacional (COI) da participação do Skate nas Olimpíadas, preocupada que quando isto acontecesse fosse do jeito que os skatistas gostariam que fosse e que não perdesse a essência do esporte/estilo de vida, sendo que a CBSk participou ativamente disto.

 

 

Rafael Lardieri

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