Sírio 1979: a equipe histórica com a palavra dos campeões mundiais

Sírio 1979: a equipe histórica com a palavra dos campeões mundiais

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quinta-feira, 23 julho 2020
Basquete

Um clube, com muita história, que encantou o mundo. Além disso, escreveu uma das maiores páginas da história do basquete brasileiro. Nomes como Oscar Schimdt, Saiani, Dódi, Vida, entre outros, fizeram parte. A coluna Garrafão Verde-Amarelo, da Rádio Poliesportiva desta semana traz todos os detalhes do Esporte Clube Sírio de 1979. A saber, o time paulista conquistou a Copa Intercontinental William Jones, o mundial de clubes da FIBA na época, com as melhores equipes do planeta.

Enfim, ainda temos a palavra de três grandes jogadores que estavam naquele elenco, que emocionou o Ginásio do Ibirapuera: Eduardo Agra, Marquinhos Abdalla e Marcel de Souza.

Por Caíque Ribeiro, de São Paulo-SP

Elenco campeão mundial com o Sírio, na festa de 40 anos do título em 2019 Foto: Reprodução/Kiko Ross/ASE

VEJA TAMBÉM: LIVE NA RÁDIO POLIESPORTIVA COM EDUARDO AGRA

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Nesta terça-feira (14), nosso convidado na live Poliesportiva foi o grande Eduardo Agra, ex-jogador e comentarista de basquete dos canais @espnbrasil . O ex-ala, em entrevista com @caiqueribero comentou bastante sobre sua carreira, o basquete brasileiro antes e atualmente, e também sobre a grande conquista do mundial de interclubes de 1979, com a camisa do Esporte Clube Sírio _ #live #livepoliesportiva #lives #eduardoagra #agra #agraespn #ecsirio #esporteclubesirio #sírio1979 #síriocampeãomundial #clubesírio #radiopoliesportiva #basquete #basquetebrasileiro #nbb #NBB12 #nbb13 #nbb2020 #mundialdebasquete1978 #mundialinterlcubesdebasquete1979 #oscarschimdt #marcel

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CHEGADA DE AGRA

A saber, os jogadores que integraram aquela equipe campeã do Sírio em 1979 já se conheciam de anos anteriores. Assim, nomes como o próprio Agra, Oscar, e Marcel, já haviam atuado juntos, pela seleção brasileira de base. Além disso, o elenco estava sendo montado, e muitos deles atuaram em olimpíadas. Eduardo chegou em 1975. Nomes como Marcel e Saiani já atuavam no time paulista. Oscar, chegaria apenas em 1977.

“Eu comecei a jogar com eles na seleção (juvenil). Quando eu cheguei no Sírio em 75, o Marcel já estava lá, o Saiani já estava lá. O Oscar só veio em 77. Joguei com esse pessoal durante cinco anos. O Sírio entre 1975 e 1981, em certo momento, teve sete jogadores olímpicos. Sete jogadores que disputaram olimpíadas e mundiais”, disse Eduardo Agra, em live na Rádio Poliesportiva.

CHEGADA DE MARQUINHOS E ENTROSAMENTO DA EQUIPE

Além disso, Marquinhos, que teve três passagens pelo clube paulista, chegou em 1978 na equipe. Antes, o ex-pivô havia atuado no Emerson Gênova, da Itália e tinha sido draftado na NBA pelo Portland Trail Blazers, em 1976. Tal façanha era inédita com jogadores brasileiros. O ex-camisa 9 do Sírio comentou sobre sua chegada na equipe de São Paulo e a preparação do elenco.

“Estava jogando na Itália e tinha um compromisso com o Sírio que iria voltar para o Brasil para a disputa do mundial de 1978, na Argentina e o de 79 no Ibirapuera”, disse o jogador.

Quando questionado sobre o entrosamento do elenco, Agra comentou sobre a formação daquele time, comentando sobre os jogadores que estavam lá quando ele chegou no Sírio e os que foram integrando a equipe campeã do mundo em 1979, no decorrer daquela década.

“O Dódi já estava quando eu cheguei, o Marcel também, o Saiani. Depois começaram a chegar os outros, o Oscar veio em 77, tínhamos um grande jogador americano, Larry Williams,que chegou em 76, o Marcelo Vido e o Marquinhos em 76. O time foi se formando aos poucos. O último pedaço de tudo isso foi o Oscar. Além disso, desde 1976, eu, Oscar, Marcel, Marcelo Vido e o Marquinhos, jogávamos juntos na seleção adulta. Praticamente a gente jogava o ano inteiro juntos. Então ajudava no entrosamento”, completou Agra.

Seleção brasileira de Basquete de 1978                  Foto: Reprodução

OS ANTECEDENTES DO MUNDIAL

MUNDIAL DA ARGENTINA – 1978

A saber, o Sírio já havia se estabelecido em âmbito tanto nacional, quanto sul-americano. Dessa forma, o time paulista era bicampeão brasileiro e do continente, em 1978 e 1979. Ainda, já haviam disputado o campeonato mundial um ano antes da grande conquista, disputado na Argentina. Decerto, a equipe conquistou o 3º lugar, no torneio disputado em Buenos Aires. O Real Madrid, grande time na época do mundo, e o anfitrião Obras Sanitarias, ficaram à frente. Marquinhos comentou um pouco sobre aquele campeonato na Argentina.

“O time do Sírio já estava preparado para ganhar inclusive o mundial de 1978 na Argentina. Eu posso falar com certeza que uma falha administrativa nos tirou do título, e ficamos um ano para termos a possibilidade conquistar esse sonho. Não só do Sírio, mas creio que do Brasil”, afirmou Marquinhos.

1979: O ANO MÁGICO

TAÇA BRASIL 

Já em 1979, comandado por Claudio Mortari, a equipe começava a fazer história. Primeiramente, conquistaram o título paulista daquele ano, em final contra a Francana. Essa mesma que se repetiu na Taça Brasil de 1979, o Campeonato Brasileiro da época. O jogo foi apertado, mas com o placar final de 87-86, o time da capital se consagrava o melhor do país mais uma vez.

SUL-AMERICANO 1979

Após isso, o elenco rumou para a Venezuela, para defender o posto de campeão sul-americano. No sol forte caribenho, e num campo de beisebol, o Sírio teve dificuldades com treinamentos. Mas isso não abalou a forte equipe. A final foi contra o Guaiqueríes, time anfitrião, da Ilha de Margarita. Enfim, o ex-ala Marcel e o ex-pivô Marquinhos comentaram um pouco sobre aquela competição e os detalhes da final, que terminou com vitória brasileira.

“A história que acho que todos conhecem é que como os jogos eram em local descoberto, em um campo de beisebol, com o sol do Caribe, não dava para treinar, marcar treinos as 10h da manhã. O sol não deixava. A gente jogava de noite, quando o sol abaixava. Então, naquela semana, treinávamos às 5h da manhã. E pelos vôos serem semanais, ainda ficamos mais uma semana na ilha”, completou Marcel.
“O campeonato na Venezuela foi mais fácil. Tivemos certa dificuldade para ganhar na final do time venezuelano, na Ilha Margarita, mas dominamos o jogo inteiro. Estivemos sempre na frente, no fim eles tentaram uma reação mas não foi suficiente”, disse Marcel.
“No jogo final, contra o time da casa, nós não sabemos até hoje a sorte que tivemos para vencer o sul-americano. A Venezuela tava com o título nas mãos, e numa bobiada nós conseguimos ganhar o título, para imaginarem, que foi num campo de beisebol, com a lua sobre a quadra, estrelas. Enfim, foi muito bacana, e o Sírio teve a felicidade de ganhar o campeonato”, mencionou Marquinhos.

A LESÃO DE MARQUINNHOS

Além disso, Marquinhos jogou todo aquele Mundial com uma lesão na mão. O ex-pivô comentou sobre a situação e os detalhes da fratura, que quase o deixou de fora do mundial, em partida contra Franca, 10 dias antes do início da competição.

“10 dias antes, fomos jogar uma partida contra Franca, e um grande amigo meu, na época meu adversário, que era o Fausto, tentou tirar uma bola de mim, e eu fraturei minha mão esquerda. Então estava caracterizado que eu não poderia jogar o mundial. Então o Sírio começou já a procurar um substituto. Ligou para EUA, Europa, para todos os países onde poderiam ter um substituto. Mas eu tinha dito, que poderiam trazer quem fosse, mas eu ia jogar, disse Marquinhos.
“Eu procurei uma consulta espiritual, e depois de uma hora me disseram que eu ia jogar. O problema era convencer o médico a tirar o gesso. Comecei a treinar com uma mão só e felizmente eu consegui jogar todo o campeonato mundial”, relembrou Marquinhos.

O MUNDIAL DE 1979

O Campeonato Mundial Interclubes de Basquete de 1979, foi disputado em solo brasileiro. A saber, entre os dias 2 e 6 de outubro, o ginásio do Ibirapuera recebeu as melhores equipes do esporte no mundo. Na estreia, o time comandado por Cláudio Mortari enfrentou o Quebrasillos, de Porto Rico. Com uma partida inspirada de Marcel, que anotou 28 pontos, o anfitrião viria a vencer por 114 x 81. Na sequência, o Sírio teria sua única derrota na competição, enfrentando o Mokan, dos Estados Unidos, por 91 x 98.

Porém, o Sírio conseguiria sua recuperação no mundial, justamente contra os dois melhores times do continente europeu. Primeiramente, Marcel, Agra e companhia enfrentariam o Emerson Varese, vice-campeão do Campeonato Europeu de clubes da FIBA. Com uma atuação espetacular de Oscar, que marcou 35 pontos, e também com Marcel com 17, e Marquinhos com 15, o time brasileiro derrotou os italianos por 83 x 79. Na última rodada, enfrentaria o Bosna, campeão do Velho Continente. Com a situação da tabela, o jogo foi uma espécie de final, mesmo com o torneio sendo em pontos corridos.

“Naquele campeonato, imagina a Euroliga de hoje, com o campeão e o vice vindo jogar aqui. Os dois perderam para gente. O Bosna era uma equipe muito boa, mas que não aguentou nosso ritmo. Eles tinham jogadores excepcionais, de destaque, ganharam bastante coisa, até na seleção, mas vencemos as duas equipes europeias”, explicou Marcel.

Sírio 1979

Equipe do Sírio campeã em 1979                    Foto: Divulgação/Acervo Sírio

A FINAL – SÍRIO X BOSNA

Naquela decisão, o time brasileiro enfrentaria nada menos que jogadores que integravam a seleção da Iugoslávia na época, que havia conquistado o Mundial de 1978, nas Filipinas. Mesmo não sendo a maioria, os atletas titulares do país do leste Europeu, era um clube qualificado, campeão do Continente. Dessa forma, Agra ressaltou a força do elenco do Bosna.

“Eram reservas da seleção da Iugoslávia. Mas ser reserva da Iugoslávia naquela época era, é que o cara era um dos melhores do mundo. Junto com a União Soviética, era uma das grandes forças do basquete FIBA, juntamente com Estados Unidos, Brasil, Itália, Espanha. Quando eles vieram jogar aqui, a Iugoslávia era a atual campeã mundial”, disse Agra.
“A equipe do Bosna era sensacional. Antigamente era a Iugoslávia, uma só potência, e daquela equipe, tinham quatro, cinco jogadores da seleção da Iugoslávia. Foi uma das partidas mais lindas que eu joguei”, afirmou Marquinhos.

Sírio x Bosna 1979

Flâmula do Bosna, em 1979                                      Foto: Reprodução/Jardiel Carvalho

Foi um jogo bastante equilibrado. A saber, no final do quarto decisivo, o time brasileiro perdia por 88 x 86. Porém, a bola estava nas mãos de Oscar Schimdt, que acertou dois lances e livres para levar a partida para a prorrogação. No começo do tempo extra, o camisa 14 estava imparável. Cada ataque era uma cesta, o que deu tranquilidade para o Sírio controlar aquele período. Naquele jogo, Oscar terminou com incríveis 42 pontos, Marquinhos, mesmo com uma lesão na mão, terminou com 22, mesma pontuação de Marcel. Enfim, final de jogo, Sírio 100 x 98 Bosna. Ambos terminaram com a mesma campanha, mas o anfitrião tinha saldo melhor.

A INVASÃO DO IBIRAPUERA: “UM CARNAVAL NA QUADRA”

Após o estouro do cronômetro, o Ginásio do Ibirapuera teve uma verdadeira invasão da torcida. Dessa forma, milhares de pessoas tomaram a quadra para festejar e comemorar. O Sírio mobilizou os fãs dos times de futebol da capital. Sendo assim, torcedores de Corinthians, São Paulo e Palmeiras se tornaram um só, em prol da equipe de colônia. Enfim, Marquinhos, Agra e Marcel comentaram suas reações.

“O maior troféu que eu tenho até hoje é a invasão da quadra. Quando eu olho, eu fico prestando atenção, e eu nunca vi uma coisa tão bonita, e tão forte na minha vida”, afirmou Marquinhos.
“A gente tinha no ginásio a Gaviões da Fiel, a Camisa 12 (torcidas do Corinthians), tinha a torcida do São Paulo, do Palmeiras. De repente, a gente virou um clube do Brasil, de São Paulo, principalmente na semifinal. Então a gente sabia que na final, o ginásio estaria lotado. A gente estava realmente feliz com o que estava acontecendo. Eu fiquei meio perdido, aquela invasão surpreendeu todos os jogadores. Nós comemoramos juntos apenas no vestiário. A gente jamais imaginava isso”, comentou Eduardo Agra, sobre a torcida no Ibirapuera e a invasão.
“Eu queria sair correndo. Chega uma hora que começa a machucar. Mas a gente ficou muito contente, o ginásio lotado. Uma coisa que não vai acontecer mais porque não pode ter tanta gente assim nos ginásios hoje, com capacidade controlada. Tinha 15 mil pessoas naquela época, atualmente não entra 7 mil. A gente guarda na memória tudo isso”, mencionou Marcel sobre o “Carnaval no Ibirapuera”.

Sírio 1979

Torcida do Sírio no Ginásio do Ibirapuera em 1979                           Foto: Divulgação/Oscar

A FORÇA DE CLÁUDIO MORTARI, UM TÉCNICO HISTÓRICO

Um dos maiores técnicos da história do basquete mundial e brasileiro, o jovem Cláudio Mortari, com 31 anos na época, era o grande técnico do Sírio desde 1977. Dessa forma, com o dedo do hoje, treinador do São Paulo, o Sírio conquistou aqueles títulos que mencionamos no início, além do mundial de 1979. Enfim, quando perguntados sobre o melhor ponto daquele elenco, Marcel, Agra e Marquinhos foram bem claros em suas opiniões.

“O Cláudio é como um Ayrton Senna dirigindo uma McLaren. A saber, o Mortari na época, era o técnico mais moderno, mais avançado que tinha. Naquele ano, tivemos atividades em 300, dos 365 dias do ano. O maior ponto daquela nossa equipe era o ataque, jamais se viu na história um ataque como aquele”, disse Marcel.
“O Cláudio acreditava que a gente tinha com Marquinhos, Marcel e Oscar, um poderio ofensivo muito grande, com esses três jogadores, que era muito difícil o time adversário parar. Se escolhia o Oscar para parar, tinha o Marquinhos e o Marcel. Então era difícil para os adversários pararem o Sírio defensivamente. Nossa média era de 100 pontos. Dessa forma, ou o garrafão ficava muito aberto, ou sobrava as laterais”, disse Agra.
“No time que o Sírio tinha, ele (Claudio), era mais um administrador de egos e de vaidades. Dessa forma, o Mortari soube administrar bem isso. E nós treinamos com muita disposição. Não tinha feriado, sábado, domingo”, relembrou Marquinhos.
“O ponto fortíssimo era o ataque. Jogadores de seleção brasileira, e quando entrava Marcel, Oscar e eu, a média era 90 pontos por partida somados de nós três”, disse Marquinhos.

O SÍRIO CAMPEÃO DE 1979 NOS DIAS ATUAIS

No ano de 2019, completou-se 40 anos da conquista histórica, no dia 6 de outubro de 1979, que é lembrada ainda hoje. Sendo assim, em comemoração de quatro décadas daquela conquista, Agra comentou o contato ainda que tem com alguns nomes daquele grande elenco. Além disso, comentou das festas, como no ano passado, da grande glória.

“Quando a gente vai nessas festas, elas são bem legais, muito gostosas. O Sírio sempre fez questão de comemorar essas datas. 40 anos, 25 anos, 30 anos. Sempre tem festa por causa do mundial. É muito legal, muito bacana”, mencionou Agra.

Sírio 1979

Eduardo Agra, Enyo Correia e Marcelo Vido   Foto: Divulgação

Ademais, quando perguntado para Marcel se existe possibilidade de existir um time no Brasil como o Sírio daquela época, o ex-ala ressaltou as dificuldades do basquete brasileiro em manter seus melhores atletas no país. Além disso, o ex-jogador afirmou: “Essa foi a melhor equipe de clubes do Brasil de todos os tempos”

“Os nossos melhores jogadores hoje, vão embora. E eles só voltam depois de cumprirem o seu ciclo. Se a gente conseguisse segurar os nossos jogadores, seguramente a gente teria um time assim. Mas o jogador se destaca nas categorias menores e já vai embora. Fica restrito”, comentou Marcel.

Sírio 1979

Marcel de Souza no Esporte Clube Sírio    Foto: Reprodução/ASE Press


Enfim, o pivô Marquinhos também comentou sobre a experiência de jogar no Sírio, e também concorda que é a melhor equipe que tenha jogado. Além disso, comentou sobre seu retorno a Itália, logo em seguida.

“A equipe do Sírio realmente foi a melhor que joguei. Tive uma felicidade muito grande, tanto que logo depois, voltei para a Itália, e joguei numa equipe que era muito forte. Enfim, fomos vice-campeões italianos, vice-campeões da Europa”, comentou Marquinhos.
“Nós não ganhamos o campeonato sozinho. Enfim, tivemos uma força descomunal fora da quadra que nos impulsionou para a vitória”, finalizou Marquinhos.

Marquinhos com a taça

Marquinhos ao lado da taça do campeonato mundial Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal

VEJA TAMBÉM: SÍRIO CAMPEÃO, CARNAVAL NO IBIRAPUERA

Foto destaque: Divulgação/Acervo EC Sírio

Caíque Ribeiro

Caíque Ribeiro

Olá, sou o Caíque e tenho 20 anos e uma paixão imensa por esportes. Resolvi me tornar jornalista esportivo por esse amor e ter um compromisso de trazer a informação mais próxima de você leitor.[...]

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