Segundo dia de CONAFUT discutiu rumos econômicos no futebol

Segundo dia de CONAFUT discutiu rumos econômicos no futebol

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domingo, 28 maio 2017
Futebol Brasileiro

O segundo dia da CONAFUT (Conferência Nacional de Futebol). O último dia do evento discutiu os caminhos econômicos do futebol, como: a situação financeira dos clubes, a busca por patrocinadores, o novo perfil de torcedor, os direitos televisivos e a nova legislação do mercado. Presidentes de Santos e Sport fecharam os debates.

 

Painel 1 – Situação financeira dos clubes

O primeiro debate foi conduzido pelo jornalista Rodrigo Capello, repórter da Época, e comentado por Claudio Pracowinik, vice-presidente de Finanças do Flamengo; César Grafietti, Superintendente de crédito do Banco Itaú BBA – que faz análises de créditos para os clubes brasileiros; Carlos Aragaki, sócio da Grant Thornton; e Luciano Paciello, chefe financeiro do Palmeiras.

Os especialistas debateram temas como o aumento de renda dos clubes e em paralelo o crescimento também das dívidas, por conta de gastos maiores nos departamentos de futebol. Os diretores Claudio e Luciano – Flamengo e Palmeiras, respectivamente – explicaram que ambos os times estavam em cacos e aos poucos eles conseguiram arrumar as finanças. Claudio e Luciano ainda concordaram que o ideal seria todas as equipes brasileiras acompanharem Flamengo e Palmeiras, e que essa evolução precisa vir em conjunto.

Por fim, os profissionais explicaram os três pilares necessários para o crescimento financeiro: o primeiro é a torcida, o sócio torcedor e a bilheteria; o segundo é o patrocínio; e por fim as cotas televisivas. Para os diretores, as cotas televisivas no Brasil não são muito desiguais e os dois primeiros pilares são o diferencial de um clube. Eles ainda ressaltaram a importância das novas arenas nesses quesitos.

 

Painel 2 – A dificuldade de atrair e reter patrocinadores

O segundo painel foi ministrado pela apresentadora dos canais Esporte Interativo Taynah Spinoza.  Os debatedores foram: José Colagrossi, diretor executivo do Ibope Repucom; Bruno Ranieri, responsável da Bridgestone pelo gerenciamento do Title Sponsor da Copa Libertadores; e Alexandre Gidaro, responsável pela gestão do patrocínio da CAIXA no Corinthians.

Os profissionais debateram sobre as dificuldades dos clubes em conseguir patrocínio por conta do amadorismo administrativo, da recessão financeira e da mudança de perfil dos patrocinadores. Os especialistas ainda explicaram que o uso e engajamento nas redes sociais é fundamental para o sucesso do clube na hora de conquistar um patrocinador. Segundo os palestrantes, as empresas também têm sua parcela de culpa nesse processo.

Também foi debatido a eficiência dos patrocínios pontuais. José Colagrossi afirmou que os pontuais são boas saídas quando bem executados – o clube deve tomar cuidado para não tornar pejorativo e para não ofender a camisa do time, que é um dos bens mais importantes para o torcedor. Além disso, Colagrossi salientou que os patrocínios pontuais não podem substituir o máster para não desvalorizar o espaço.

 

Painel 3 – Regulamentação do setor: o mercado e a legislação em movimento

A terceira palestra foi conduzida pelo jornalista Chico Silva e debatida por Luiz Mello, presidente da APFUT (Autoridade Pública de Governança do Futebol, do Ministério do Esporte); Alexandre Rangel, sócio da Ernst & Young, com foco na área de Megaeventos esportivos; e Pedro Daniel, responsável pela área Sports Management da BDO Brazil.

Os profissionais explicaram que a paixão do torcedor envolvida no futebol atrapalha a regulamentação do setor, a ideia do torcedor é de que o clube está isento dos deveres. E isso faz com que dirigentes não tenham o profissionalismo adequado para gerir uma equipe e todas as responsabilidades que envolve.

O PROFUT também foi citado pelos palestrantes como fundamental para o profissionalismo do esporte. O conceito do projeto é de proteger e fiscalizar as situações dos clubes – o que se assemelha ao modelo imposto no trânsito brasileiro: multar quem não cumpre às leis para assim ensinar. Por fim, os profissionais acreditam que a mentalidade de conquistas à todo custo está mudando aos poucos.

Painel com presidentes teve ausências dos comandantes de São Paulo e Chapecoense.
Foto: Twitter do CONAFUT

 

Painel 4 – Um novo perfil de torcedor

O pesquisador em negócios esportivos Fernando Fleury gerenciou o quarto painel de discussão. Os especialistas foram: Luiz Mello, Head da Estádio TV; Thiago de Rose, gerente de planejamento da Arena Corinthians; e Marcone Barbosa, diretor de marketing do Cruzeiro.

A palestra teve início abordando o fato do torcedor ser um consumidor natural. Porém, os clubes precisam ter cuidado ao trabalhar isso porque o apaixonado pelo futebol pode ser mais crítico do que um comprador comum. Além disso, os profissionais lembraram que o desempenho em campo influencia no consumo.

O debate esquentou quando os palestrantes falaram sobre a venda de ingressos e a elitização do futebol. Contestado pelo público sobre o aumento do preço dos ingressos, Marcone Barbosa explicou que logo após a Copa de 2014, a demanda por entradas em jogos no Mineirão foi muito grande. E, por isso, na época, os valores aumentaram. Marrone e Thiago ressaltaram que os valores são constantemente reajustados para que atendam a procura. Por fim, os especialistas ainda rechaçaram a elitização dos torcedores no estádio. Para eles, a segmentação dos setores possibilita a entrada de todos os públicos.

 

Painel 5 – Os impactos da mudança no modelo de distribuição dos direitos de transmissão

 

O penúltimo debate da CONAFUT foi mediado por Ricardo Caprioti, jornalista da Rádio bandeirantes. Ao lado de Caprioti participaram: Felipe Aquilino, diretor de aquisição de direitos internacionais da Turner; João Palomino, vice-presidente de Jornalismo e Produção da ESPN; Eduardo Zebine, vice-presidente dos canais Fox Sports Brasil; e Fernando Manuel, diretor de planejamento e aquisição de direitos esportivos do Grupo Globo.

A palestra mais descontraída da CONAFUT teve troca de brincadeiras entre os quatro profissionais, principalmente entre Fernando Manuel e Felipe Aquilino. Os debatedores explicaram que a compra de direitos mudou muito nos últimos anos. Antigamente só existiam SPORTV e ESPN, que atendiam dois públicos diferentes (SPORTV com competições nacionais e ESPN com os campeonatos internacionais). Ou seja, hoje a concorrência é muito maior, logo o preço dos direitos também aumentou. Os profissionais ainda concordaram que os concorrentes devem saber ser parceiros.

Durante o painel também foi debatido o uso das mídias sociais e de diversas plataformas de transmissão. Hoje, as emissoras também conseguem oferecer conteúdo por meio de aplicativos e sites.

 

Painel 6 – Painel dos presidentes

A CONAFUT teve encerramento com um debate entre os presidentes Arnaldo Barros, do Sport, e Modesto Roma Júnior, do Santos. Os presidentes Carlos Augusto de Barros (Leco), do São Paulo, e Plinio David Filho, da Chapecoense, não puderam comparecer ao evento. O último painel foi conduzido por Fernando Trevisan, diretor da Trevisan Escola de Negócios.

Arnaldo Barros explicou todas as dificuldades de gerir um clube do Nordeste com grande torcida. O presidente do Leão ainda afirmou que o clube está grande demais para o estado pernambucano, mas ainda tem muito chão para percorrer para se tornar protagonista no futebol nacional. Arnaldo acredita que primeiro deve conquistar o nordeste – e a final na Copa do Nordeste foi um passo importante para isso.

Já Modesto destacou a importância de um evento como a CONAFUT. “É importante a gente discutir o futebol, acho que faltam mais iniciativas como essa”, afirmou. O presidente ainda ressaltou a importância de participar do evento. “Temos que ouvir muito, prestar bastante atenção nessa troca de experiências para gente poder crescer dentro do clube”, complementou.

O comandante alvinegro também explicou o sucesso do Santos nos últimos anos mesmo com menores investimentos. “Seriedade, a gente não tem dinheiro para errar, por isso temos um cuidado e um comprometimento muito grande com a equipe. Eu acho que manter o treinador é importante, temos uma cultura de mudar o treinador em qualquer tempestade, mas não dá para mudar o piloto no meio da viagem”, brincou Modesto.

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Foto de capa: Twitter do CONAFUT

 

Redator da matéria: Gabriel Manzini, de São Paulo

Paulo Arnaldo do Amaral Lima

Paulo Arnaldo, paulista, CEO da Poliesportiva, jornalista, apresentador e narrador esportivo. Conhecido no meio jornalístico como P.A., Paulo Arnaldo tem vasta experiência desde 2008 no jornalismo e[...]

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