Especial: Schumacher 91 x 91 Hamilton

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domingo, 11 outubro 2020
Fórmula 1

Quando Schumacher chegou a 91 vitórias, ouvia-se dizer que seria impossível alguém igualar essa marca na Fórmula 1. Assim, Hamilton conseguiu esse feito. O placar entre dois dos maiores pilotos da história, enfim, está empatado.

Por: Carol Sales, de Frei Miguelinho, PE

O sucesso de Lewis Hamilton é sinônimo da história estar sendo construída aos nossos olhos. Com o primeiro lugar no GP de Eifel, ele empatou com ninguém menos que Michael Schumacher, e agora ambos têm 91 vitórias. Dessa forma, fica apenas a um passo de consolidar mais um recorde e estendê-lo com o passar do tempo.

Igualar uma marca tão significativa é mais um elemento para Hamilton se tornar o maior piloto da história. Acreditava-se que os números construídos ao longo da carreira de Schumi seriam impossíveis de superar. Mas, pouco a pouco, de recorde em recorde quebrado, o sucesso máximo está mudando de mãos. Contudo, vale lembrar a carreira dos dois, a fim de enaltecer o talento de ambos e suas jornadas rumo ao topo.

Michael Schumacher

Schumacher: estreia na Jordan e ascensão na Benetton

Schumacher começou a trilhar sua carreira de sucesso na F1 devido a uma inusitada oportunidade. Em 1991, um dos pilotos da Jordan era Bertrand Gachot. O belga se envolveu em uma briga de trânsito e foi preso. Com isso, Eddie Jordan precisou se mexer para que o assento fosse ocupado. Então, Willi Weber, empresário de Schumacher, convenceu o dono da equipe inglesa a apostar no então desconhecido piloto.

Weber afirmou que seu empresariado era especialista em Spa-Francorchamps. Contudo, Schumacher só havia andado de bicicleta por lá. Mesmo assim, seu talento pôde ser visto logo de cara. Ele conseguiu o sétimo melhor tempo na classificação, mesmo sem experiência com carros de F1. Entretanto, na corrida, um problema na embreagem o tirou da prova. Apesar do revés, esse foi o começo de uma trajetória vencedora nas pistas.

No GP seguinte, em Monza, o piloto apareceu vestindo as cores da Benetton. O desempenho na Bélgica foi suficiente para chamar a atenção de Flávio Briatore, então chefe da equipe. Para tal, demitiu Roberto Pupo Moreno. Dessa forma, Schumi passou a correr ao lado do tri campeão Nelson Piquet.

Michael Schumacher no GP da Itália de 1992

Michael Schumacher no GP da Itália de 1992. Foto: Reprodução / PHC / Acervo The Cahier Archive

Sua primeira vitória foi, por coincidência, no mesmo circuito de sua estreia. No ano seguinte, um triunfo em território belga o colocaria na lista de pilotos que venceram corridas na F1. Entretanto, sua jornada na categoria lhe reservaria a consolidação de seu nome na história.

Os dois primeiros títulos mundiais

Apesar de ter vencido duas corridas até 1994, terminou em terceiro e quarto nas temporadas 92 e 93, respectivamente. O ano que Schumi conquistou seu primeiro título mundial ficou marcado pelo acidente fatal de Ayrton Senna. Além disso, houve um incidente entre o alemão e Damon Hill na Austrália. Na última prova do campeonato, estava um ponto na frente de seu oponente. Ambos abandonaram após colidirem, o que causou controvérsias. Dessa forma, o título ficou com o alemão.

Michael Schumacher na Benetton na temporada de 1994

Michael Schumacher na Benetton na temporada de 1994. Foto: Reprodução / PHC / Acervo The Cachier Archive

No ano seguinte, venceu nove corridas e se sagrou bicampeão. Entretanto, essa foi a sua última temporada na equipe. Ao todo, pela Benetton, conquistou 19 vitórias, além desses dois títulos mundiais.

Auge da carreira e história escrita na Ferrari

Em 1996, foi para a Ferrari. Na equipe italiana, passou a maior parte da sua carreira. Ele foi contratado para acabar com o jejum de 15 anos sem títulos da escuderia. Por lá, até 2000 não conseguiu o título mundial. Inclusive, no ano seguinte à estreia na nova equipe, foi desclassificado do campeonato. Tal fato se deu por tentar provocar um abandono de Jacques Villenueve no GP da Europa. Na ocasião, ambos disputavam o título.

Schumi ainda conseguiu o vice-campeonato em 1998. Mas, com a virada do milênio, a mudança também veio. De 2000 a 2004, os títulos foram conquistados com maestria e quebra de recorde, devido ao penta campeonato consecutivo. Além disso, superou Juan Manuel Fangio, que foi campeão mundial cinco vezes na carreira.

O vencedor F2004 guiado por Schumacher

O vencedor F2004 guiado por Schumacher. Foto: Reprodução / Scuderia Ferrari

Em 2006, o alemão conseguiu a sua última vitória. Na China, em 2006, conseguiu um sexto lugar na classificação, que contou com chuva. O mau tempo se repetiu na corrida. Mas, com a genialidade de um campeão, venceu a corrida.

No final da temporada, se aposentou. Ao todo, acumulou 91 vitórias e sete títulos mundiais.

Volta para a Fórmula 1

Em 2010, Schumacher voltou para a F1, correndo pela Mercedes. Seu companheiro de equipe era seu compatriota Nico Rosberg. Contudo, na equipe alemã, não teve o mesmo sucesso de outrora e se aposentou dois anos depois.

Lewis Hamilton

Hamilton: nasce uma estrela na McLaren

Um ano depois da primeira aposentadoria de Schumacher, Hamilton fazia a sua estreia na F1. Após ter sido campeão na GP2 (atual Fórmula 2), Ron Dennis o trouxe para a sua equipe. O inglês precisou de apenas seis corridas para alcançar o lugar mais alto do pódio.

O primeiro capítulo dos 91 que terminaram com vitória foi ambientado no Canadá. No sábado, já havia conseguido a pole. A corrida foi tumultuada, com abandonos, entradas de safety car e até bandeiras pretas. Contudo, Hamilton foi bem, venceu, e se estabeleceu na briga pelo título. Vale lembrar que por consequência disso, surgiu uma briga interna com Alonso. Quem acabou ganhando com isso foi Kimi Raikkonen, que se tornou campeão mundial naquele ano.

Hamilton estreando em 2007 na McLaren

Hamilton estreando em 2007 na McLaren. Foto: Reprodução / PHC / Acervo The Cahier Archive.

Mesmo com o destaque, seria impossível imaginar que o então estreante se tornaria um esmagador dos recordes julgados como inalcançáveis.

Na McLaren, Hamilton ficou até 2012. Na equipe inglesa, conseguiu ao todo 21 vitórias e o famoso título mundial de 2008. Vale lembrar que ele foi conquistado por um ponto de diferença em relação a Felipe Massa, na emocionante corrida em Interlagos.

Consolidação na Mercedes

Na escuderia prateada, conseguiu a primeira vitória no GP da Hungria em sua temporada de estreia. No ano seguinte, conseguiu superar Rosberg e se tornou bicampeão mundial. Em 2015 a história se repetiu. Contudo, com um domínio maior do inglês.

Foto: Clement Marin / DPPI / FIA / Facebook

Até 2016, travou disputas acirradas com o companheiro de equipe. Na temporada em questão, Rosberg abriu vantagem na liderança. Entretanto, Hamilton o superou. Mas Rosberg reassumiu a liderança alguns GPs depois. Mesmo as vitórias conquistadas nas últimas etapas não foram suficientes para Hamilton. Pois, no final do ano, o alemão foi campeão e se aposentou no topo. Valtteri Bottas, que estava na Williams, foi contratado para ser o novo companheiro do inglês na Mercedes.

De lá até agora, o domínio de Hamilton só cresceu: títulos mundiais foram conquistados nessas últimas três temporadas. Com a vitória na Alemanha, chegou a 70 pela equipe alemã. Ao longo da atual temporada, o inglês está estabelecendo novas marcas. Mas a pergunta que fica é…

Quais recordes ainda não foram quebrados por Hamilton?

Seguem alguns deles:

– Penta campeonato consecutivo. Schumacher conseguiu esse feito sendo campeão de 2000 a 2004. Hamilton tem a possiblidade repetir esse feito, se confirmada a conquista desse ano, assim como em 2021. Com isso, não só igualaria essa marca, como também se tornaria o piloto com mais títulos mundiais da história da F1: oito.

– Vitórias em uma única temporada. Hamilton, em 2014, 2018 e 2019, conseguiu 11 vitórias. Ele teve um aproveitamento de 57% em 2014, sua melhor marca até então. Contudo, Schumacher conseguiu vencer 13 GPs só em 2004, conseguindo 72% das vitórias no ano.

– Corridas com a mesma equipe. Schumi passou a maior parte da carreira vestindo o vermelho tifosi da Ferrari. Consequentemente, acumula o maior número de corridas pela mesma equipe, 181. Hamilton, por sua vez, chegou na Mercedes em 2013 e já correu com a equipe alemã 151 vezes.

A história construída diante dos nossos olhos

De 2010 a 2012, ambos estiveram na F1 ao mesmo tempo. Hamilton na McLaren, em ascensão e Schumacher fazendo sua última passagem na categoria, pela Mercedes. As aposentadorias do alemão foram na hora certa. Dessa forma, passaram o bastão para Hamilton assumir o papel de protagonista.

A história do inglês na Mercedes está sendo construída. Mas, se tirarmos o nome da equipe e do piloto, essa frase continua com sentido. O momento atual consiste em uma incrível quebra de recordes. Ainda assim, vale enaltecer a competência da equipe alemã. Contudo, só um ótimo carro não faz um bom piloto. O talento também é necessário para a construção de um campeão. Hamilton tem os dois. Schumacher também tinha.

Privilegiados são aqueles que viram e estão vendo a história acontecer. E Hamilton tem tudo para se tornar o maior da Fórmula 1 em todos os aspectos.

Fotos destaque (reproduções): Scuderia Ferrari e FIA

Carol Sales

Carol Sales

Estudante de jornalismo, curiosa e aberta a novos desafios. Apaixonada por esportes, tendo uma relação especial com o automobilismo desde pequeninha. Instagram: @carol.sales_

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