São Silvestre: cinco melhores “alpinistas” brasileiros da Brig. Luís Antônio

São Silvestre: cinco melhores “alpinistas” brasileiros da Brig. Luís Antônio

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sábado, 20 março 2021
Atletismo

A Corrida Internacional de São Silvestre deve ser disputada no meio do ano pela primeira vez em 2021. Antes de mais nada, ressalta-se que isso aconteceu devido à pandemia que não permitiu sua realização em 31 de dezembro de 2020.

Por: Danilo Dias, de São Paulo-SP.

Sendo assim, para quem um dia se propõe a participar da Corrida Internacional de São Silvestre, não há dúvidas que são necessárias duas preparações para uma única prova. Uma delas serve para enfrentar os 15 km geralmente sob muito sol. A e serve outra para, especificamente, encarar uma subida de cerca de 2 km. Falamos da famosa subida da Av. Brigadeiro Luís Antônio, que já decidiu muitas provas.

Aqui, não pretendemos falar apenas dos grandiosos vencedores brasileiros da corrida de rua mais famosa do Brasil. O que se busca neste caso é falar sobre aqueles atletas nacionais que após 12 km e meio de corrida ainda se superaram para surpreender a todos para a conquista de brilhantes resultados. Lugares estes que foram forjados durante a subida que marca a parte final da prova.

Top 5 melhores “alpinistas” brasileiros na São Silvestre

Ronaldo da Costa na São Silvestre

Nosso Ronaldinho foi campeão da Maratona de Berlim de 1998 marcando o tempo mais rápido de sua época numa prova de 42.195 km com 2h05m05s. Sendo assim, foi o primeiro da história a correr a prova de fundo com um pace abaixo de 3:00m. Quatro anos antes, porém, ele já fazia história nas ruas de São Paulo.

Ronaldo correu no trem de corrida, primeiro pelotão da prova até começar a disparar. Deixou o etíope Addis Abebe e outro concorrente brasileiro, Vanderlei Cordeiro de Lima, chegando ao inicio da subida com alguma vantagem.

Cansado, mas com muita raça

Como Ronaldinho forçou o ritmo para distanciar, subiu quase toda sua extensão com o cansaço no rosto. Ao contrário, o brilhante equatoriano Sílvio Guerra encostava, vindo de trás com muita força. Assim, dava a prova teores dramáticos. Ronaldo da Costa tentava a todo custo enfrentar as dificuldades e, dessa forma, com muita determinação, manteve seu ritmo o mais forte possível para garantir seu primeiro lugar. Assim, concluiu a corrida de 1994 na primeira posição.

Ronaldo da Costa, ao vencer a São Silvestre de 1994 (Reprodução/AFP)

Ronaldo da Costa, ao vencer a São Silvestre de 1994 (Reprodução/AFP)

Johni Régis Pazin na São Silvestre

Pazin era figura frequente nas primeiras provas do início da década de 90. Em síntese, sempre pouco falado, o atleta costumava chegar forte justamente na Avenida Brigadeiro Luís Antônio. Então, ele garantia assim seus resultados. Dessa forma, foram dois pódios. O grande nome de sua época era o mexicano radicado norte-americano, Arturo Barrios. Ademais, havia a presença do queniano Simon Chenmoyo e do etíope Fita Bayesa.

Enquanto o Brasil apostava suas fichas em nomes de destaque, como Valdenor dos Santos, José João da Silva e Diamantino dos Santos, eventualmente havia um rapaz de cabelos esvoaçantes que costumava chegar com destaque no final das provas.

Pazin deixava para decidir no fim da São Silvestre

Enquanto assistíamos o início da prova, Pazin nunca estava no primeiro pelotão. Costumeiramente, o trem de corrida foi se esfacelando durante a prova, e inegavelmente só restaram os poucos que lutam pela prova. Nessas circunstâncias, ele dava o bote em quem tinha forçado demais durante toda a corrida na subida.  Dessa forma, passava os atletas que já não tinham mais energia para lutar pela prova.

Poupando-se e chegando quietinho, Johni Pazin foi o quinto colocado em 1991 e o terceiro em 1992. Johni foi um dos brasileiros com melhores resultados nas provas que participou, cravando seu nome na história da corrida. O corredor sempre dava o gás que tinha justamente na subida, sendo um dos melhores “escaladores” do morro da Brigadeiro.

Johni Pazin, de verde, comemorando o terceiro lugar de 1993 (Reprodução/Globo)

Johni Pazin, de verde, comemorando o terceiro lugar de 1993 (Reprodução/Globo)

Clodoaldo Gomes da Silva na São Silvestre

Clodoaldo foi um dos bons corredores que o Brasil teve no século XXI até os dias de hoje. O brasiliense conquistou ótimos tempos durante sua carreira para todas as distâncias. Como bom corredor nacional, inegavelmente sonhava também com a São Silvestre. Assim, sua maior participação se deu justamente numa prova onde outro grande corredor, Franck Caldeira, venceu de forma irretocável. Debaixo de muita chuva, a edição de 2006 viu Clodoaldo dar uma das arrancadas mais impressionantes da corrida do dia 31 de dezembro.

Correndo como poucos

Enquanto Franck subia tranquilo e com distância boa para os demais corredores na liderança, lá de trás veio quieto um atleta que costumava sair forte junto ao trem de corrida. Na ocasião, entretanto, Clodoaldo havia adotado uma estratégia diferente. Restava nas primeiras posições, já na subida, Franck Caldeira que sobrava em relação aos demais. Atrás dele, vinha Paulo Alves dos Santos. Logo após, o experiente e de participações olímpicas João Ntyamba de Angola. O grupo ainda contava com Javier Guarín, da Colômbia.

Clodoaldo no segundo lugar mais alto do pódio em 2006, ao lado de Franck Caldeira e Paulo Alves (Reprodução/Youtube)

Clodoaldo no segundo lugar mais alto do pódio em 2006, ao lado de Franck Caldeira e Paulo Alves (Reprodução/Youtube)

Clodoaldo surpreendeu muita gente

Corredores de qualidade foram sendo deixados para trás. Portanto, José Telles, Anoé dos Santos e Ubitaran dos Santos perderam ritmo, para que no meio do morro, Clodoaldo começasse sua grande disparada. Após chegar e passar sem muita cerimônia o angolano e o colombiano que corriam próximos, ainda deixou para trás Paulo Alves, que incentivado por Clodoaldo, ganhou fôlego para chegar na terceira posição, mesmo exausto.

No fim, deu Franck Caldeira em grande desempenho. Mas se não fosse o grande desempenho do vencedor, Clodoaldo estaria certificado para vencer também. Sua reação foi uma das mais belas já vistas na Brigadeiro, garantindo uma honrosa segunda posição.

Émerson Iser Bem na São Silvestre

Iser Bem foi um dos maiores atletas juvenis da história do Brasil. Acostumado com provas de pista, era também especializado no Cross Country, corridas em solo de terra e grama e costumeiramente com muitas subidas e descidas. Trouxe para a São Silvestre de 1997, portanto, e mesmo desconhecido do grande público, excelente preparo para a prova. Em 1996, Émerson liderou a prova até o km 5, já que tinha por objetivo o tempo nessa distância. Cruzando os 5K, o atleta parou de correr após cumprir o objetivo na distância proposta. Émerson, porém, sentiu que podia mais para outras edições.

Quebrando desconfianças

Para 1997, o trem de corrida era grande. Vanderlei Cordeiro de Lima e Émerson Iser Bem eram os brasileiros que se propuseram a acompanhar mais de perto o genial Paul Tergat no pelotão da frente. Com eles, vinha o compatriota de Tergat, o queniano Lucas Cherono, o etíope Worku Bikila, além da chegada posterior de três grandes atletas para a briga. No grupo dos três estava o equatoriano Sílvio Guerra e os sul-africanos Hendrick Ramaala e John Morapedi.

Émerson aguentou firme e disparou para a vitória

Aos poucos alguns atletas foram ficando. Bikila e Cherono não aguentaram o ritmo. No começo da subida, Vanderlei ficou. Tergat disparou à frente, enquanto de longe, Ramaala, Morapedi e justamente Iser Bem acompanhavam. Próximo da metade da subida, um rapaz tentou ajudar os atletas, jogando água sobre suas cabeças para uma refrigeração devido ao calor. Tergat parece não ter gostado muito, mas a atitude deu um gás a Émerson, que passou a aumentar seu ritmo.

Iser Bem deixando para trás Paul Tergat em plena Brigadeiro (Reprodução/Acervo pessoal)

Iser Bem deixando para trás Paul Tergat em plena Brigadeiro (Reprodução/Acervo pessoal)

Émerson teve muitos méritos

Este fato obriga a fazermos um adendo, pois para muitos, Émerson só venceu devido a Tergat ter perdido a concentração com o ato do homem, que se aproximou repentinamente. Na verdade, Tergat teve uma alteração muito pequena em seu ritmo, sendo o de Iser Bem que realmente aumentou muito. Prova disso foi que enquanto Émerson acelerou na subida, Ramaala, que vinha lado a lado, não conseguiu acompanhar nem de perto, muito menos chegar em Tergat. Nisso, numa arrancada impressionante, Émerson Iser Bem disparou e passou Tergat. Deu seu sprint final na Paulista e venceu numa das mais marcantes vitórias brasileiras na Internacional de São Silvestre.

Marílson Gomes dos Santos na São Silvestre

Marílson talvez tenha sido o maior fundista da história do Brasil. Foi campeão dos Jogos Pan-americanos em 2011 na prova dos 10.000m, além de ser bicampeão das Universíadas na meia-maratona. Além disso, venceu a importantíssima maratona de Nova Iorque por duas vezes e participou de três Olimpíadas. Marílson foi tricampeão da São Silvestre, entretanto a edição de 2003 marcou sua primeira vitória por uma grande arrancada na Brigadeiro. Já com alguns pódios conquistados, o grande adversário de 2003 era o queniano Robert Cheruyot, que parecia ter assumido o bastão de Tergat.

Marílson quebrou a hegemonia africana

Na prova, Marílson seguiu no trem de corrida junto com Rômulo Wagner, enquanto a quadra queniana era formada por Cheruyot, Martin Lel, Phillip Rugut e Yusuh Songoka, formando um grande pelotão repleto de grandes atletas. Quando a subida começou, Marílson quebrou o ritmo e partiu com velocidade na subida. Cheruyot acompanhou até onde conseguiu, mas quebrou no meio da ladeira. Dessa forma, Marílson conquistou sua primeira vitória, com Rômulo em segundo fazendo grande prova e não permitindo que Martin Lel o ameaçasse. O queniano Cheruyot sofreu tanto que caiu para quarto, tendo que assistir o excelente desempenho de Marílson Gomes dos Santos.

Marílson ao vencer a São Silvestre de 2003 (Reprodução/Folha Press)

Marílson ao vencer a São Silvestre de 2003 (Reprodução/Folha Press)

Foto destaque: Reprodução/Esportividade

Danilo Dias

Danilo Dias

Danilo Dias é formado em Tecnologia em Futebol, pós-graduado em Jornalismo Esportivo e Negócios do Esporte e atualmente é estudante de Direito. Apaixonado por futebol, aficionado por automobilismo[...]

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