Rocky Balboa: um dos maiores lutadores que o cinema já produziu

Rocky Balboa: um dos maiores lutadores que o cinema já produziu

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terça-feira, 29 setembro 2020
Desbravando Lendas

Robert Rocky Balboa foi um dos maiores lutadores de boxe que o cinema americano já produziu. Ninguém encantou tanto quanto o Garanhão Italiano que, na verdade, era americano. Um dos maiores boxeadores de todos os tempos protagonizou seis filmes e foi um “grande” coadjuvante em outros dois. A coluna Desbravando Lendas traz este épico personagem vivido pelo lendário Sylvester Stallone.

PorEric Filardi, de São Paulo.

Das favelas da região de Kensington, na Filadélfia, no estado da Pensilvânia, nos Estados Unidos, em 6 de julho de 1945, nasceu a lenda Rocky Balboa. Canceriano, tinha no boxe sua casa. Seu sentimentalismo era apenas quando via o rival no chão. Seu choro somente na glória por levantar mais um cinturão.

De um humilde lutador de bairro, que vivia de discretas lutas, tornou-se uma lenda respeitada até fora dos ringues e telonas. Mas nem sempre foi o mais esperto. Seu “velho” lhe disse que não havia nascido com muito cérebro. Portanto, era melhor usar seu corpo. Durante o segundo filme é revelado que Balboa tem dislexia. Mas usar os punhos fazia com maestria. Essas palavras o encorajaram a tentar a carreira no boxe.

O início da lenda

No início de sua carreira, segundo seu treinador Mickey Goldmill, Rocky era um jovem promissor, mas nunca se interessou realmente em evoluir. Por outro lado, preferia trabalhar, como coletor (cobrando devedores), para um agiota italiano chamado Tony Gazzo, com quem manteve uma certa amizade. Gazzo gostava de Rocky por ele ser descendente de italiano.

Rocky só se preocupava com a carreira após receber o convite para lutar pelo “Título Mundial de Pesos Pesados” contra o atual e invicto campeão Apollo Creed. Ficou mundialmente conhecido após lutar com o enorme Creed que, apesar da vitória, permitiu ao mundo conhecer a técnica e a força do lutador “italiano”.

Inspirações

A história de seu primeiro filme é vagamente inspirada por Chuck Wepner, um ex-boxeador que lutou contra Muhammad Ali e perdeu por nocaute técnico no 15º round. Porém, a inspiração para o nome, iconografia e estilo de luta veio da lenda do boxe Rocky Marciano.

Contudo, seu sobrenome coincidentemente também se assemelhe ao do campeão de boxe peso médio Rocky Graziano Barbella. Mas também tem a ver com Roberto “Manos de Piedra” Durán, do Panamá, já que Balboa é a moeda oficial do país.

Ao longo da carreira teve muitos apelidos. Além dos já citado outrora, também teve The Pride of Philadelphia, The Iron Horse, Unc, Rocco, Rock e Meatball. Outros lutadores fizeram parte da construção do personagem de Rocky Balboa, como Joe Frazier, que inspirou o segundo filme. Isso porque foi o primeiro lutador a vencer Muhammad Ali (inspiração para Apollo Creed) e por ser da Filadélfia.

Grandes rivais – Parte I

Rocky começa lutando contra Spider Rico em um ringue de boxe local chamado Cambria Fight Club (apelidado de “O Balde de Sangue”) dentro de uma capela. Enquanto Rico acerta uma cabeçada, cortando sua testa, Garanhão nocauteia o rival com uma saraivada de socos. Posteriormente a grande luta foi com Apollo Creed, então campeão mundial dos pesos pesados.

Creed decide dar uma chance a um lutador desconhecido pelo título depois que seu pretendente desafiante, Mac Lee Green, quebrou a mão durante o treinamento. Indo contra os avisos de seu treinador, por Balboa ser um canhoto, Creed escolheu Rocky porque gostava do apedido “Garanhão Italiano”. A luta perdurou 15 rounds e terminou com decisão dividida em favor de Creed. No filme 2, a revanche épica acontece e desta vez Rocky vence após 15 rounds e se torna campeão mundial dos pesos pesados.

James “Clubber” Lang é o “carrasco” do filme 3. Rocky havia reinado por três anos com o cinturão, mas Clubber era um “matador”, segundo seu próprio treinador. Porém, Mickey teve um ataque cardíaco após um empurrão de Lang e posteriormente faleceu. Assim, Rocky Balboa não estava focado o suficiente para vencer a luta e perde o cinturão. No final do filme o recupera com a ajuda do ex-campeão Apollo Creed, que o treinou para a vitória.

A épica luta 3 – Balboa x Creed: sem público

No final do terceiro filme finalmente acontece a terceira luta entre os dois: Apollo Creed x Rocky Balboa. Mas, assim como no próprio filme, quem assistia também não poderia saber o resultado. No início de Creed: Nascido para Lutar, o sétimo filme da franquia, Adonis Creed, filho de Apollo, perguntou sobre a terceira luta. Não é afirmado com veemência o vencedor. Rocky diz que Apollo venceu, mas não dá para saber se foi a realidade ou um consolo a um filho que buscava esperança.

Grandes rivais – Parte II

No quarto filme de Rocky é a vez de Creed lutar. Mas o ex-campeão morre no ringue após tomar uma surra do gigante russo Ivan Drago. Sentindo-se culpado pela morte do ex-rival e então amigo, Rocky Balboa vai à Rússia para “vingar” Apollo. Sai de lá vencedor após mais uma guerra de 15 rounds. No quinto filme da franquia, seu adversário é maior: a falência.

Roubado pelo antigo contador, Rocky Balboa perde a casa e todo seu patrimônio, voltando a Filadélfia. Assim, teve de retornar ao básico. Começou a ser treinador na antiga academia de Mickey. Seu pupilo era um jovem lutador de boxe de Oklahoma chamado Tommy Gunn que, lentamente, se tornou um excelente lutador, mas sofria por ser constantemente colocado na sombra de Rocky.

Apelidado de “Robô de Rocky” pela mídia, Tommy demonstrou a Balboa que queria se juntar a Duke (antigo treinador de Apollo Creed). Mas Rocky explicou que lidar com Duke seria um negócio sujo. Mas Gunn não concordou, aceitou o desafio pelo título mundial dos pesados e tornou-se campeão. No entanto, Tommy foi vaiado e ridicularizado na coletiva de imprensa, por nunca ter enfrentado um “verdadeiro candidato”.

Não sendo considerado um verdadeiro campeão ou herdeiro do cinturão, isso motiva Tommy, com estímulo de Duke, a desafiar publicamente Rocky para uma luta. O experiente boxeador não aceita, mas no decorrer do filme acabam lutando numa briga de rua. Dessa forma, Rocky Balboa vence a luta mesmo contra seu pupilo.

20 anos de hiato

Aposentou-se e abriu um restaurante com o nome de sua esposa, chamado Adrian’s, que morreu de câncer no ovário. Então, um episódio do programa da ESPN, Then and Now, vai ao ar apresentando uma luta por simulador entre Rocky (no auge) e o atual campeão, Mason “The Line” Dixon. O resultado da simulação mostrou Rocky vencendo por nocaute no 13º assalto, o que levanta uma discussão sobre o resultado se tal luta um dia acontecer. Inspirado pela simulação e sentindo que ainda tem lenha para queimar, Rocky decide voltar ao ringue e pede para renovar sua licença de boxe.

Eis que então os agentes de Dixon convencem Rocky a desafiar o campeão. O duelo acontece, mas, diferente do que todos previam (vitória fácil de Dixon), o “idoso” Balboa, já com seus sessenta e poucos anos, foi até o último assalto e perdeu por decisão dividida. Mas o público em geral aplaudiu o antigo lutador como se fosse o campeão.

Estilo de luta

Rocky Balboa tem um estilo de luta difícil para qualquer lutador. Canhoto, guardava a potente esquerda para as ocasiões certas. Às vezes fingia ser destro para confundir os adversários. Características do grande boxeador canhoto “Marvelous” Marvin Hagler. No geral, foi inspirado em Rocky Marciano. Porém, sua primeira luta foi inspirada na derrota de Chuck Wepner para a lenda Muhammad Ali.

Com exceção de sua revanche contra Clubber Lang, frequentemente avança rapidamente sobre seus oponentes, jogando-os nas cordas para atacar seu corpo. O melhor atributo de Balboa é, sem dúvida, sua habilidade quase sobre-humana de absorver uma infinidade dos golpes mais fortes sem cair. Atributo este frequentemente usado com o propósito de cansar seus oponentes. Estas características do Garanhão Italiano foram inspiradas em Jake LaMotta que, além disso, tem raízes italianas, outro traço do personagem.

Com este talento raro, Balboa se dá ao luxo de manter as mãos em posição de ataque, em vez de alto para bloquear. Como leva mais socos do que dá, é fácil ignorar seu incrível poder de soco. Rocky também tem uma habilidade incrível de sentir a fraqueza de seus oponentes, muitas vezes aproveitando a hora certa de atacar. É reconhecido como tendo o ataque corporal mais devastador do esporte, com seus golpes causando hemorragia interna (Creed) e quebrando costelas (Drago).

Depois de dois assaltos com Balboa, Ivan Drago disse ao seu treinador (em russo): “Ele não é humano, é como um pedaço de ferro”. Mason Dixon comentou: “Aquele cara tem tijolos nas luvas”. Essas qualidades, em conjunto, ajudaram-no a obter uma alta porcentagem de vitórias por nocaute ao longo de sua carreira. “Flutue como uma borboleta, pique como uma abelha”, assim se definia Rocky. Seus reflexos eram rápidos, tinha grande velocidade com os punhos e um excelente trabalho de pernas.

Grande treinador – Parte I

Após anos de lutas e glórias, o gigante Rocky Balboa se aposentou. Desta vez em definitivo. E só voltou aos ringues para ser treinador. E muito a contra gosto. Idolatrado, Rocky Balboa tem uma estátua no Museu de Arte da Filadélfia, na parte inferior das escadas. Mas o ex-boxeador está esquecido pela mídia e poucos lembram de seus feitos.

Tocando seu restaurante, Adrian’s, Rocky recebe a visita de Adonis “Donnie” Johnson Creed (filho de Apollo Creed fora do casamento). O jovem, que vive passando em diversos centros de detenções em Los Angeles, acredita que pode ser um bom boxeador, assim como o pai, e pede para que Balboa o treine.

Mas o ex-campeão recusa e o recomenda a um amigo, Pete Sporino. Mas, este quer que Rocky treine seu filho, mas ele recusa. Assim, Pete desafia Adonis a lutar contra seu filho: Leo “The Lion” Sporino, bradando que seria um bom aquecimento para Leo. Porém, sob os cuidados de Balboa, que decidiu treiná-lo, mas em outro local: o Front Street Gym, Creed nocauteia Leo no 2º round. Contudo, o Sr. Sporino divulgou a mídia que Adonis era filho de Apollo.

Com todos os holofotes para si, Donnie é desafiado a lutar contra o campeão dos meio-pesados: ​​“Pretty” Ricky Conlan. Durante o caminhar dos treinamentos, Rocky é diagnosticado com Linfoma Não Hodgkin (LNH), um tipo de câncer que se espalha de maneira não ordenada. Mas Adonis o convence a fazer q quimioterapia, alegando que lutarão juntos em suas batalhas. Adonis chega até o último round contra Conlan, mas perde por decisão dividida.

Grande treinador – Parte II

Três anos após o diagnóstico, Rocky já está recuperado do câncer e treinou Donnie até o título de campeão mundial dos pesados do WBC. Rocky passa pela casa de Adrian e encontra seu antigo rival, Ivan Drago, o esperando por lá. Drago conta como sua derrota há 33 anos abalou sua vida. Foi expulso da Rússia para a Ucrânia e sua esposa, Ludmilla, se divorciou. Finaliza desafiando Adonis, dizendo que seu filho, Viktor vai “quebrar” Donnie.

Vale ressaltar que foi Drago que matou Apollo nos ringues. Assim, motivou Adonis a querer vingar seu pai e forjar seu próprio legado. Donnie aceitou, mas Rocky foi contra, lembrando que Viktor foi criado com ódio e não tem nada a perder. Mesmo após a insistência de Adonis, Balboa não aceita treiná-lo, ainda com culpa pela morte de Apollo, pois Rocky era um de seus treinadores.

Creed perde a luta para Viktor, que bate ilegalmente nele enquanto está caído. Rocky via pela TV a luta e ficou horrorizado. Então, viajou à Los Angeles para ver Adonis no hospital, que o critica pelo abandono. Em crise, Adonis e Rocky fazem as pazes. Balboa e Tony “Little Duke” Evans levam Donnie a um deserto na Califórnia para “renascer”.

A revanche contra Viktor foi em Moscou, na Rússia. Adonis vence uma luta equilibrada, mas, no final, batendo sem dó em Viktor, claramente nocauteado em pé. Ivan Drago joga a toalha branca no ringue desistindo da luta e poupando seu filho. Por fim, mostra que Rocky Balboa não só é um campeão como lutador, como também é como treinador.

Foto destaque: Reprodução/Fan Pop

Eric Filardi

Eric Filardi

Quando pequeno quis ser jogador. O sonho de criança passou. Uma vida nova se anseia. Bem-vindo a rádio de todos os esportes. Bem-vindo a Rádio Poliesportiva. Sou Eric Filardi, paulistano de 27 anos[...]

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