Realista, ó Rei!

Realista, ó Rei!

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quarta-feira, 07 novembro 2018
Brasileirão Série A

Por: Ivan Marconato, de São Paulo

 

Nunca achei Luiz Felipe Scolari um estrategista! Longe disso. Ele é um treinador folclórico, mais “psicólogo” e muito bom de discurso e retórica. A meu ver, Scolari não é especialista técnico e tático. Comandou com sucesso Grêmio, Cruzeiro, Palmeiras, além das Seleções Brasileira e Portuguesa.  Venceu campeonatos regionais, nacionais e internacionais, incluindo a conquista da Copa do Mundo de 2002. E por isso tem um currículo respeitável.

Por falar em Copa do Mundo de 2002, muito provavelmente, Felipão ainda colherá louros dessa conquista por muito tempo. Ele foi inteligente na ocasião. Peitou a imprensa e toda, e também a maioria da torcida ao deixar Romário (que à época ainda estava em grande fase), fora da Copa do Mundo. Apostou alto em Ronaldo, e deu certo! Numa das mais brilhantes campanhas da Seleção Brasileira em Copas do Mundo.

Mas daí veio a Copa de 2014. Já “acomodado”, com os milhões conquistados- merecidamente, diga-se de passagem-, em seus trabalhos na Seleção Portuguesa, onde ele é muito respeitado; e também num clube do Uzbequistão, comandou o Brasil na Copa do Mundo em território nacional após 64 anos. Felipão foi reconduzido ao cargo de treinador da Seleção Brasileira por José Maria Marin. Aceitou o cargo. Ainda sentado e acomodado sob os holofotes de 2002. E o final trágico todos conhecem! Finalmente deixaram Barbosa e a Seleção de 1950 descansar em paz.

O técnico Luiz Felipe Scolari. Foto: Cesar Greco/Ag Palmeiras/Divulgação

Com sinceridade, se eu fosse Felipão já estaria aposentado. Curtindo os filhos, esposa e netos. Mas seu currículo vencedor, e na base do ” fez-se a fama, deitou na cama”, ele ainda comanda o Palmeiras no final de sua vitoriosa carreira. E com relativo sucesso. Sucesso este que o faz ainda mais mal-educado e deselegante. Principalmente com os colegas de imprensa que, em respeito à sua história, ou provavelmente com medo de uma futura retaliação em entrevistas coletivas futuras, fazem-se de cegos diante de suas grosserias.

Semana passada, ele irritou-se com um competente repórter, que descobriu e divulgou a escalação do Palmeiras antecipadamente, antes do confronto com o Boca Juniors, pela Libertadores da América. Luiz Felipe chegou ao ponto de pedir ao diretor de futebol do Palmeiras, que ligasse pessoalmente ao repórter. Ele virou pauteiro agora? Além disso, foi extremamente deselegante com a repórter Marcella Azevedo, companheira de Rádio Poliesportiva, ao debochar da excelente, e pertinente pergunta, feita pela profissional após um jogo do Palmeiras. Querem mais?  No último sábado, depois do clássico entre Palmeiras x Santos, o treinador interrompeu a entrevista do atacante Deyverson, mandando os repórteres para o inferno, em alto e bom som. Para todo mundo ouvir.  O ápice do mau exemplo e também de sua falta de educação!

Em 2010, quando comandou o Palmeiras, Felipão até chamou repórter de palhaço, por não concordar com questionamentos sobre a escalação de sua equipe.  Com tais posturas, antigas e recentes, Scolari se sente mais realista que o rei.  Mesmo sendo absolutamente vencedor em sua carreira, os dois últimos jogos da Copa de 2014 podem lhe servir de conselheiro, no trato com a imprensa esportiva. E no fundo no fundo, ele é bem mais realista que o cargo de rei que não tem!

Foto em destaque: Cesar Greco/Agência Palmeiras/Divulgação

Ivan Luis Marconato Rocha

Ivan Luis Marconato Rocha

Jornalista profissional diplomado desde 1998, e pós graduado em Jornalismo esportivo e negócios do esporte. Atua em webrádio desde 2012. Já trabalhou em jornal de bairro, e por 10 anos na NET Serv[...]

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