Quem sabe faz ao vivo: uma homenagem a Victorino Chermont, o Vitu

Quem sabe faz ao vivo: uma homenagem a Victorino Chermont, o Vitu

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sábado, 03 dezembro 2016
Futebol Brasileiro

Escolher trabalhar com jornalismo esportivo é praticamente abdicar do almoço em família aos domingos. E neste dia que o Criador descansou, segundo parábola bíblica, Victorino Chermont, o Vitu, já se acostumou a fazer a refeição do começo da tarde com colegas de trabalho. É assim desde a época da Rádio Globo. E continuou quase que ininterruptamente nos “plantões” dominicais da TV Bandeirantes, Record, SporTV e agora Fox Sports.

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Victorino Chermont, o Vitú, também conhecido por “Vivorino” – Foto: Reprodução/Facebook

Neste domingo, ele se prepara mais um dia de labuta e de almoço longe da mulher e de Vituzinho. Faz calor no Rio de Janeiro, como de praxe. Em um bloquinho de papel, com uma caneta emprestada de um colega, Vitu anota informações que lerá ao vivo. De tanto realizar esse tipo de participação, já o chamaram de Vivorino. “Quem sabe faz ao vivo”, diz Fausto Silva desde a época do “Perdidos na Noite”.

Enquanto Vitu, que sabe bastante, faz algumas ligações do telefone celular e colhe mais informações da partida de logo mais, várias famílias almoçam juntas. Os amigos jogam tênis no Jockey Clube do Rio de Janeiro. As praias da capital fluminense estão lotadas. Coisas da profissão…

No pré-jogo do Flamengo, time do coração, contra a Chapecoense, Vitu trará informações da equipe catarinense, visitante. Combinou de entrar ao vivo dali a alguns instantes com o goleiro Danilo, herói da conquista da Copa Sul-Americana.

As pessoas veem na tela de suas tevês os repórteres ao vivo, sorridentes e aparentando muita disposição, mas não imaginam o quanto eles já trabalharam antes daquilo. E o quanto ainda irão suar a camisa até o fim da transmissão do pós-jogo.

Vitu chama Danilo no hall do hotel carioca onde se hospeda a Chape. Entrarão no ar em três minutos. O goleiro vem sorridente, meio sem jeito, mas lembrando de quanta emoção aquele repórter já lhe trouxe. Recordou as da Copa Sul-Americana. Vitu colocando em sua cabeça o fone de ouvido para que ele ouvisse o entusiasmo de Deva Pascovicci ao narrar suas brilhantes defesas, com as mãos e com os pés. Lembrou dos aplausos dos torcedores do Atlético Nacional em Medellín, após o zero a zero contra os colombianos. Goleiro, o maior responsável pelo placar, e repórter se emocionaram com aquilo, ao vivo, instantes após o apito final.

A equipe que acabara de almoçar com Vitu coloca em Danilo o fone de ouvido e arruma o goleiro no melhor ângulo, ajeita o queixo e os ombros do arqueiro. Entrarão no ar em 30 segundos, diz a produção. Os olhos do herói da Chape ficam marejados antes mesmo da primeira pergunta. Vitu dá um lenço de papel para o entrevistado, caso ele precise. Respira fundo, olha pra Danilo. Sorri. “Três, dois, um…vai!”, diz alguém da produção, atrás do operador de câmera.

Leonardo Guandeline

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