Quem é o Culpado?

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segunda-feira, 12 setembro 2016
Automobilismo

No Brasil, quando falamos em categorias de base, logo nos lembramos das peneiras e escolinhas de futebol, nosso esporte de berço. É fato que a mídia – sem generalização – contribui para este fato. As cotas televisivas são milionárias, algo que facilita o financiamento (e o lucro) com o esporte.

Para o esporte á motor, não é diferente. As receitas da Formula 1, cuja exclusividade de transmissão televisiva pertence à Rede Globo, ultrapassam a cifra de R$ 480 milhões/ano, uma cota aproximada de mais de R$ 90 milhões por patrocinador. Pouco não é.

Mas, para chegar à F1, muitos pilotos tem que passar pelas “categorias de base” do automobilismo e, neste ponto, o Brasil está falido. A CBA – Confederação Brasileira de Automobilismo – deixou de viabilizar os campeonatos de Kart. Hoje, se um jovem tem talento, deve apelar para patrocínios e, quem sabe, com uma boa dose de sorte, deixando o país em busca de campeonatos internacionais. Para jovens com “berço de ouro”, claro, isto não se aplica, ao piloto Pietro Fittipaldi, um grande talento brasileiro apoiado por seu avô, Emerson Fittipaldi, e uma grande cota de patrocinadores.

Antes de explorar esta questão, relembro: como podemos submeter nossos jovens aos campeonatos internacionais sem oferecer-lhes experiência em competições? Vejo crescentes reclamações dos torcedores e telespectadores por conta do desempenho dos pilotos brasileiros na Formula 1 nos últimos anos. Justo? Talvez sim, mas, como podemos cobrar desempenho de um ou dois atletas que conseguiram chegar até à categoria máxima do automobilismo?

Cenários

Os exemplos falam por si: no Reino Unido, a confederação local apoia pilotos jovens á partir de 8 anos de idade. Um dos ícones desta ascensão inglesa – Lewis Hamilton – foi descoberto em um festival de novos talentos, logo apadrinhado por Ron Dennis (sócio majoritário da McLaren) e Mercedes.

Outro exemplo vem da Alemanha. Com o sucesso gigantesco proporcionado por Michael Schumacher (1994, 1995, 2000, 2001, 2002, 2003 e 2004), o incentivo da indústria automobilística alemã foi claro e assertivo. Hoje, além de Sebastian Vettel (campeão nos anos de 2010, 2011, 2012 e 2013), contam com Nico Rosberg (Mercedes), Nico Hulkenberg (Force India), Adrian Sutil, André Lotterer, três vezes vencedor das 24 Horas de Le Mans. Os ingleses contaram com Hamilton (Mercedes, campeão), Jenson Button (McLaren), Max Chilton.

Nós? Não há um cenário favorável além de 2018, exceto se Pietro Fittipaldi assinar com alguma equipe. Em 2017, portanto, há uma forte tendência de termos um apenas um representante brasileiro na F1. Com a palavra, a CBA.

admin

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