Quatro anos de um Rio de Janeiro dourado. Relembre a jornada até o ouro em 2016

Quatro anos de um Rio de Janeiro dourado. Relembre a jornada até o ouro em 2016

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quinta-feira, 20 agosto 2020
Ace Histórico

Nesta sexta (21) completa-se quatro anos da conquista do ouro olímpico no Rio de Janeiro em 2016. São tantos elementos que tornaram essa campanha histórica, que, sem dúvidas, a coluna Explorando o Bloqueio não poderia deixar passar em branco esta data. Com trajetória atípica, campanha se tornou muito especial. Desse modo, relembre então tudo o que tornou essa medalha, talvez a mais marcante para nosso vôlei.

Por: Lucas Ribeiro, São Paulo, SP

UM INÍCIO CONTURBADO

De antemão, antes mesmo dos jogos começarem, sabíamos que não seria nada fácil para o Brasil. A seleção, estava no grupo da morte. Dessa maneira, o grupo A, além do país sede, o Brasil, contava com outros três grandes favoritos, Itália, EUA e França, por fim, completavam a chave, Canadá e México.

De fato, não era um caminho fácil. Contudo, por ser também favorita, vindo de uma prata em Londres 2012, e principalmente, jogando em casa se esperava mais do time de Bernadinho. Embora o time tenha vencido as duas primeiras partidas, saiu atrás do placar para equipes tecnicamente inferiores como México e Canadá respectivas, dois 3 x 1. No entanto,  a equipe instável e com mau rendimento, ao enfrentar times do alto calão como EUA e Itália, a seleção não resistiu. O primeiro revés diante dos americanos que entraram precisando ganhar. Posteriormente, uma derrota inédita em olimpíadas para a Itália, ambos por 3 x 1.

FRANÇA: MATAR OU MORRER

Entretanto, outra grande potência estava tropeçando em seu início de trajetória. Dessa forma, quis o destino, que a primeira final do Brasil, acontecesse ainda na fase de grupo contra a toda poderosa França. Outrora, cotadas para decidir a final das olimpíadas, agora, surpreendentemente, as equipes entravam em quadra a fim de disputar a última vaga do grupo.

Contudo, ali começaria a grande virada do Brasil. Nada dava certo para a França, o time acostumado a cometer pouco erros, naquele jogo fez mais de 30. Em contrapartida, a seleção, encontrou seu melhor time com as entradas de Mauricio Souza e Lipe, que juntamente a Bruninho, Wallace, Lucarelli, Lucão e Serginho formariam o time titular. Em suma, o astro N’gapeth, e os franceses tiveram que voltar para casa depois do 3 x 1.

CAMINHO ATÉ O OURO: CLÁSSICOS E REVANCHE

Agora já na fase final, a seleção enfrentaria a Argentina, que desbancou Rússia e Polônia e foi a primeira colocada do grupo B, para surpresa de todos. A seleção argentina estava muito focada e ajeitada, todavia, mesmo com algumas lesões no jogo, o Brasil parecia ter virado alguma chave. Desse modo, os Hermanos, não foram pareôs, e deram adeus ao sonho após o 3 x 1.

Pela frente, na semifinal a Rússia. De fato, nosso algoz em 2012 também não vivia seu melhor momento e carregava muitas polêmicas, como caso confirmado de doping. Ou seja, chegar até ali, já era motivo de comemoração para os russos, que não contavam com o carrasco da seleção em Londres, Dmitry Muserskiy. Dessa maneira, empolgada por duas vitórias difíceis e em evidente crescente, o Brasil aplicou seu primeiro 3 x 0, e marchou rumo a final.

A FINAL

Portanto, aos trancos e barrancos, ao melhor estilo brasileiro de ser, o time figurava na decisão. Dessa forma, o adversário, seria novamente a Itália líder do grupo, e, para quem perderá. A Azzurra vinha de um jogo frenético contra os EUA na semifinal, vencido no tie-break. Por fim, até então o protagonista da competição era o oposto Ivan Zaytzev, que, por sua vez, estava muito bem acompanhado por Osmany Juantorena e Filippo Lanza. Assim sendo, não era nenhum absurdo acreditar no favoritismo italiano ao ouro.

Por outro lado, um time inflamado, por estar em casa, apoiado por um ginásio lotado, e que cresceu nos momentos mais difíceis. Assim, regado a superação, e motivação de não ser pela terceira vez consecutiva vice, o Brasil aplicou um 3 x 0 na Itália. O passeio foi ainda maior já que Zaytzev estava pouco inspirado, com menos de 70% de aproveitamento. Desse modo, o Brasil pode desengasgar o grito, maior do que se esperava pelas condições que o levaram. Finalmente estávamos de volta ao topo do mundo.

UM RIO DOURADO: O LEGADO DO OURO EM 2016

De fato, por tudo que envolvia aquele título, a medalha olímpica da Rio 2016 foi especial demais. O Brasil quebrava um jejum de títulos importantes, e um tabu de vices olímpicos. No entanto, haviam outras questões envolvidas, as despedidas. Aquele jogo, seria a despedida de Bernadinho da seleção masculina.  O encerramento do ciclo na seleção do maior líbero de todos os tempos Serginho, também seria ali. O atleta ainda foi coroado como MVP da competição. Em suma, deu tudo certo, não como era esperado, porém, melhor ainda, foi suado, foi na raça, foi Brasil. Obrigado, e parabéns.

Foto Destaque: Reprodução/ Reuters

Lucas Ribeiro

O jornalismo foi algo algo que aconteceu. Sou um amante de esportes nato, de todos os esportes, isso é o que me faz feliz e nisso que quero seguir. Entre estádios e ginásios, trabalhar com esportes[...]

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