Personalidades da Fórmula 1: Enzo Ferrari, o comendador

Personalidades da Fórmula 1: Enzo Ferrari, o comendador

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quarta-feira, 23 agosto 2017
Automobilismo

Fundador da mais veneradas de todas as equipes de competição, Enzo Ferrari foi descrito durante sua vida, de várias maneiras: a mais lendária figura na história do esporte, um autocrata antipático, um homem mal compreendido e essencialmente bondoso, um rude camponês italiano, um gênio em matéria de organização, um homem que se divertia com o conflito, um pai amoroso que nunca superou a morte de seu filho, um manipulador de homens. Talvez até certo ponto ele fosse tudo isso, porém nunca foi de forma alguma uma pessoa comum: e, próximo do fim, sua dedicação à equipe por ele criada era total.

Filho de um metalúrgico, tinha, desde cedo, uma fascinação por carro e motocicletas. Após servir ao exército, na 1ª Guerra Mundial, conseguiu um emprego de motorista de chassi de caminhão conduzindo-os até o setor de produção de carrocerias. Sonhando em se tornar piloto de competição, frequentava bares e restaurantes, próximo a Milão, onde circulavam muitas pessoas ligadas às competições, e fez amizade com Ugo Sivocci, que era chefe do setor de testes e às vezes piloto de corridas em uma empresa chamada CMN. Enzo Ferrari conseguiu persuadir Sivocci de que precisava de um assistente e, com um evidente talento para se fazer necessário, logo estava se submetendo as suas primeiras experiências em competições participando em eventos de curta duração.

Em seguida, conseguiu uma função semelhante na Alfa-Romeo, que na época não era uma marca das mais afamadas, mas possuía planos que envolviam atividades de competições. Ferrari seria o responsável pelos testes e algumas vezes o piloto nas provas. Suas habilidades como piloto se comprovaram um pouco acima das adequadas; contudo, em uma vitória que conquistou em um evento de curta duração, foi presenteado com um escudo que trazia o emblema do cavalo empinado pertencente ao antigo às da aviação italiana, Franco  Baracca. O escudo subsequente foi adotado por Ferrari, como seu distintivo pessoal motivo de orgulho e permanece, até hoje, nos carros que levam o seu nome. Suas limitações como piloto se revelaram quando a Alfa o inscreveu no Grande Prêmio da França de 1924. Depois de experimentar seu carro nas sessões de treino parece que fingiu estar doente, e tomou o trem de volta para casa. Desde aquele dia, suas perspectivas como piloto se encerraram, e ele se encontrou no comando das concessionárias Alfa-Romeo que havia adquirido.

Em 1929, constituiu sua própria equipe, a Scuderia Ferrari, inicialmente administrando um conjunto de carros esporte e bicicletas a motor. Suas ligações com a Alfa-Romeo, eram ainda muito fortes, e quando decidiu voltar às competições de Grande Prêmio, de forma oficial, em 1930, a Scuderia Ferrari tornou-se o braço de competições da Alfa-Romeo, porém conservando seu próprio nome. Em sociedade com pilotos tais como Tazio Nuvolari e Achille Varzi, a equipe conseguiu bons resultados, mas no final dos anos trinta, a sociedade que mantinha com a Alfa-Romeo foi dissolvida quando entrou em choque com o novo regime. E o próximo passo, a fabricação de seus próprios carros, era óbvio, e dois carros esporte produzidos em suas instalações tomaram parte na Mille Miglia de 1940.

Quando as competições foram reiniciadas depois da 2ª Guerra Mundial, havia carros da marca Ferrari disputando os Grandes Prêmios. E continua havendo até hoje. Enzo Ferrari permaneceu no comando da equipe até sua morte, em 1988. Um patriarca todo poderoso cingido com uma aura mística que ele próprio apreciava cultivar.

 

Foto de capa: The Cahier Archive

Redator da matéria: Luiz Máximo, de São Paulo.

Luiz Máximo Moreno Morelo

Meu nome é Luiz Máximo Morelo, sou paulista, 65 anos, comecei no rádio em 1968. Em 1976 fui para a TV Record, depois Rede Bandeirantes, Globo, SBT e por 20 anos trabalhei na TV Cultura. Sempre acom[...]

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