Personalidades da Fórmula 1 – 1960/1969 – Louis Stanley

Personalidades da Fórmula 1 – 1960/1969 – Louis Stanley

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segunda-feira, 18 dezembro 2017
Fórmula 1

Louis Thomas Stanley era uma figura imponente nos anos sessenta. Pelas costas era chamado de “Big Lou” ou “Lorde Trumpington” e ele nem sempre corrigia aqueles que o chamavam erroneamente de Sir Louis. Era alto e corpulento, com o rosto corado. Seu andar rápido, blazer azul e calças de flanela bem passadas, sem falar na gravata antiquada, lhe davam um ar de autoridade, de que poucos duvidavam. Em geral, bastava a sua presença aliada à sua maneira calma, porém autoritária e insistente, para vencer todos os argumentos antes mesmo que eles tomassem forma.

Os que procuravam difamá-lo, e eram muitos, raramente o enfrentavam diretamente, preferindo rir silenciosamente pelas suas costas, e mesmo quando percebia a zombaria ele não se aborrecia. Stanley casou-se com um membro da rica família Owen, proprietária da BRM. Sua esposa, Jean, era irmã do industrial Sir Alfred, que resgatou a enfraquecida equipe com suas empresas injetando dinheiro suficiente para financiá-la durante anos. Stanley possuía duas metas na vida: ver a BRM novamente no apogeu em que se encontrava quando conquistou o Campeonato Mundial de 1962, e fazer algo em relação ao que considerava um desperdício insensato de vidas por conta dos lamentáveis padrões de segurança da Fórmula 1 nos anos sessenta.

Era uma figura das mais francas e controvertidas dos boxes, e se o seu papel de veterano na luta pela segurança e de velho estadista apresentava um estilo próprio, contudo, ele estava preparado para enfrentar e exercer grande influência quando se fazia necessário.

O progresso em questões de segurança foi corretamente creditado a Jackie Stewart, quando ele assumiu a presidência da Grand Prix Drivers Association no lugar de Jo Bonnier. Porém a contribuição de Stanley neste aspecto foi também importante apesar de não ser reconhecida. Isto é atribuído a suas posições intransigentes em relação a inúmeros temas, o que o deixava em uma permanente situação de contestação. Como Jean-Marie Balestre, que se tornaria presidente da FIA, a imagem pública de Stanley geralmente pouco lhe favoreceu no momento em que suas ações deveriam ser legitimamente reconhecidas.

As instalações de atendimento médico eram com frequência escandalosas nos circuitos dos anos sessenta, e Stanley se empenhou para criar praticamente sozinho o Grand Prix Medical Service, que compreendia uma unidade hospitalar móvel completa, após o acidente ocorrido com o piloto Jackie Stewart da BRM, na primeira volta do GP da Bélgica, em 1966. Em abril de 1967, a unidade foi inaugurada na Oulton Park Spring Cup quando Lorde Chesham entregou as chaves ao diretor geral Stanley e o Bispo de Chester a abençoou. Durante os anos sessenta, este serviço tornou-se redundante com a ajuda da política, mas Stanley havia empreendido seus esforços e a unidade salvou vidas. Isto é o que importa.

Ele pode ter sido dogmático, prepotente e arrogante, mas Stanley conquistou o direito de falar o que pensava. Louis Thomas Stanley nasceu em 06 de janeiro de 1912 e faleceu no dia 08 de janeiro de 2004.

 

Foto em destaque: The Cahier Archive

 

Redator e adaptação: Luiz Maximo, de São Paulo.

Luiz Máximo Moreno Morelo

Meu nome é Luiz Máximo Morelo, sou paulista, 65 anos, comecei no rádio em 1968. Em 1976 fui para a TV Record, depois Rede Bandeirantes, Globo, SBT e por 20 anos trabalhei na TV Cultura. Sempre acom[...]

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