Personalidades da Fórmula 1 – 1960/1969 – Colin Chapman

Personalidades da Fórmula 1 – 1960/1969 – Colin Chapman

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quinta-feira, 07 dezembro 2017
Automobilismo

Tal como Enzo Ferrari, Colin Chapman era visto de forma diferente pelas pessoas. Para os pilotos que desejavam conquistar o campeonato mundial, era o homem que podia fazer isso acontecer, pois seus carros eram rápidos e venciam as provas. Para os inseguros, era o homem que tornava tudo mais fácil e, se havia algum problema, ele o resolvia. Alguns conseguiam conviver com esta filosofia desde que ela significasse vitórias; outros, no entanto, não se sentiam muito encorajados.

Não obstante, Anthony Colin Bruce Chapman significou para a parte tecnológica da Fórmula 1 nos anos sessenta o que Jim Clark simbolizou para a atuação e atitude do piloto. Os Coopers surgiram com os primeiros carros com motor traseiro bem-sucedidos do pós-guerra, mas Chapman aperfeiçoou mais ainda este conceito. Seu carro de número 18 assemelhava-se a uma caixa de ovo adaptada, porém a partir do carro 21 as Lotus da Fórmula 1 possuíam uma elegância própria.

Foi Chapman quem introduziu o chassi monocoque, na Lotus 25 com formato de charuto; foi ele quem reuniu tudo isso de maneira brilhante e redefiniu os parâmetros com o projeto pioneiro do carro 49; foi ele quem primeiro realizou experiências com asas aerodinâmicas em 1968, ano em que foi o primeiro a adotar o patrocínio comercial em larga escala.

Jim Clark em ação na Lotus de Chapman. Foto: Sutton Images / Formula1.com / Hall of Fame

Tratava-se de um gênio e, como tal, tinha seus defeitos. Era rude, às vezes até deselegante. Innes Ireland conquistou para ele o primeiro GP, em Watkins Glen em 1961, e nunca o perdoou por ser despedido pouco depois dessa vitória. Chapman nem mesmo comunicou diretamente a Innes Ireland que ele estava sendo demitido: deixou que ele soubesse por terceiros.

Chapman também deixou todos apavorados nos boxes de Rouen em 1968, ao afirmar que a batida de Jack Oliver no treino foi resultado de uma rachadura na carcaça da embreagem, apenas com o intuito de se divertir e deixar seus rivais preocupados. Mas também foi Chapman quem ficou muito abalado com a morte de Jim Clark. Ele era astuto, provocador, possuía uma mente brilhante e investigativa que podia pensar em várias coisas ao mesmo tempo. Deixava sua equipe enfurecida, mas também a tratava bem, conseguindo extrair de todos um desempenho cada vez melhor. Bem no fundo, a equipe faria qualquer coisa pelo “velho”.

Deixou um legado brilhante para a Fórmula 1. Quando Jackie Stewart estava sendo sondado pela Ferrari em 1967, Ken Tyrrell avisou a Walter Hayes da Ford: “Você sabe, se não fizermos algo, este homem via para a Ferrari.” Hayes concordou em assumir o salário de 20.000 mil libras que Stewart havia pedido à Tyrrell, e só restou um problema. Hayes procurou Chapman, que havia desfrutado de uso exclusivo do novo motor Ford DFV em sua primeira temporada em 1967, e lhe disse: “Acho que vamos ter que colocar este motor à venda, não é? Se não vamos destruir a Fórmula 1…”

E ao invés de gritar e reclamar e defender seus próprios interesses, Chapman simplesmente deu de ombros e respondeu tranquilamente: “É, acho que sim!” Ele era, de fato, um gigante em seu esporte.

 

Foto em destaque: The Cahier Archive

 

Adaptação: Luiz Máximo Morelo, de São Paulo

Luiz Máximo Moreno Morelo

Luiz Máximo Moreno Morelo

Meu nome é Luiz Máximo Morelo, sou paulista, 65 anos, comecei no rádio em 1968. Em 1976 fui para a TV Record, depois Rede Bandeirantes, Globo, SBT e por 20 anos trabalhei na TV Cultura. Sempre acom[...]

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