Personalidades da Fórmula 1 – 1950/1959: Raymond Mays

Personalidades da Fórmula 1 – 1950/1959: Raymond Mays

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sexta-feira, 08 setembro 2017
Automobilismo

Piloto muito bem-sucedido nos anos de 1920 e 1930, Raymond Mays também era o homem por trás de duas marcas de carro de competição: ERA e BRM. Uma delas constituía um esforço do pré-guerra e obteve êxito imediato em suas limitadas aspirações. A outra, do pós-guerra, se caracterizava por ser incrivelmente ambiciosa e só alcançou o sucesso após muitos anos de trabalho intensivo e torturante com poucos resultados.

Nascido de uma família relativamente rica que negociava lã, Mays estudou em escola pública e na Universidade de Cambridge, e herdou de seu pai a predileção por carros. Com o auxílio do colega de escola Amherst Villiers, ele modificou se Hillman de passeio e obteve muito sucesso em subidas de montanhas e em eventos de obstáculos, em Brooklands. O Hillman foi então trocado por uma Brescia Bugatti e com isso ele realmente começou a ficar conhecido, ajudado novamente por Villiers e também por outro amigo, o engenheiro Peter Berthon. Nos dez anos seguintes, os três trabalharam com vários carros, que foram pilotados por Mays invariavelmente com grande êxito, em clubes de competição ingleses.

Internacionalmente, no entanto, a Inglaterra não estava progredindo com rapidez, nem nos Grandes Prêmios e nem mesmo nas corridas de “voiturette”. Um Riley desenvolvido por Mays como um carro para subidas de montanhas no início dos anos 1930, inspirou seu amigo e companheiro competidor de Brooklands, Humphrey Cook, a ter uma ideia que tornaria uma voiturette inglesa de corridas um carro altamente competitivo.

Foi assim que nasceu a ERA (English Racing Automoble). Mays, Cook e Berthon fundaram a empresa e montaram a oficina no quintal da casa de Mays, em Bourne. O super-potente motor Riley de seis cilindros, foi usado como base para o novo carro, um monoposto de corte vertical em esquadro. O sucesso foi praticamente instantâneo. As façanhas de Mays com este carro contra a oposição continental fizeram com que a fábrica recebesse muitas encomendas de réplicas. O modelo serviu de base para as competições inglesas de clubes por todo o restante dos anos 1930; e alguns exemplos das corridas automobilísticas nas categorias hoje consideradas históricas possuem um registro de competição que não foi superado desde aquela época.

Embora esse sucesso fosse gratificante, Mays percebia que ainda teria muitos problemas a enfrentar. Ele cortou suas ligações com Cook e com a ERA, nas vésperas da 2ª Guerra, com a intenção de construir um carro de Grande Prêmio, projetado por Berthon, nas antigas instalações da ERA. Obviamente, o sonho teria de ser adiado, porém durante o período da 2ª Guerra, Mays ficou estudando como conseguiria financiar esse empreendimento, enquanto Berthon fazia planos para um carro V16, pressurizado de 1.5 litros incrivelmente complexo.

A solução para o financiamento foi engenhosa: Mays procurou a indústria inglesa com a ideia de que contribuíssem para um projeto de Grande Prêmio, extremamente patriótico, que iria divulgar a Inglaterra do pós-guerra na forma de um centro de excelência de engenharia. Foi uma ideia inspiradora, perfeita para a época, e as doações começaram a chegar. Assim nasceu a BRM (British Racing Motors). Mas se a ideia era boa, o projeto do carro de Berthon continha inúmeras falhas. Embora tivesse uma potência prodigiosa, não conseguia mantê-la por muito tempo e, literalmente, após anos de embaraçosos atrasos e defeitos nas pistas, seu tempo se esgotou.

Mays manteve a fé e estava lá para ver a BRM alcançar sua única vitória em 1959, 12 anos após o BRM Trust ser constituído, e para vê-la ganhar seu único Campeonato Mundial três anos mais tarde. E nessa época, Mays era mais um consultor do que um líder de um projeto, função que ocupou até os últimos dias da BRM, em 1976. Raymond Mays faleceu no dia 06 de janeiro de 1980.

 

Foto de capa: The Cahier Archive

 

Redator da matéria: Luiz Máximo, de São Paulo.

Luiz Máximo Moreno Morelo

Meu nome é Luiz Máximo Morelo, sou paulista, 65 anos, comecei no rádio em 1968. Em 1976 fui para a TV Record, depois Rede Bandeirantes, Globo, SBT e por 20 anos trabalhei na TV Cultura. Sempre acom[...]

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