Personalidades da Fórmula 1 – 1950/1959: Conheça Tony Vandervell

Personalidades da Fórmula 1 – 1950/1959: Conheça Tony Vandervell

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sexta-feira, 01 setembro 2017
Automobilismo

Um industrial inglês apaixonado por provas automobilísticas, Tony Vandervell teve uma visão. Ele previu que um dia um carro inglês de Grande Prêmio poderia enfrentar e derrotar todos os outros carros originários do continente que detinham a supremacia nas competições até então. Sem rodeios, determinado e irrepreensível, era também muito rico. Foi desta combinação que se originou a marca Vanwall, 1ª Campeã Mundial de Construtores em 1958.

Nascido em uma família com substanciais interesses em engenharia, não constituiu uma grande surpresa o fato de Guy Anthony Vandervell envolver-se com corridas de automóveis e motocicletas em sua juventude nos anos 1920. Seu envolvimento poderia ter se encerrado ali, quando assumiu o comando dos negócios da família, não fosse o desenvolvimento, na época da Guerra, do rolamento “Clevite” de paredes delgadas nos Estados Unidos. Muito utilizado em motores de avião, a empresa de Vandervell adquiriu os direitos exclusivos de produção para a Europa.

Isto constituiu um passo muito inteligente que iria dotar Vandervell de uma grande fortuna já que o produto se tornou de uso universal, tanto na indústria aeronáutica quanto na de motores. A peça também transformou o anêmico propulsor V12 de giro lento original da Ferrari, projetado por Colombo, em uma unidade competitiva.

Vandervell foi uma das figuras chave procuradas pelo ex-piloto Raymond Mays, para constituir a equipe BRM. A ideia de Mays de desenvolver um carro de Grande Prêmio e construí-lo na Inglaterra, com recursos financeiros da indústria inglesa, atraía Vandervell intensamente e ele se tornou um integrante essencial do conselho da empresa recém-criada e também um grande investidor.

A aliança não foi harmoniosa. O desembaraçado e sincero Vandervell, ficou rapidamente desencantado com a organização desequilibrada e com os horrendos problemas de confiabilidade apresentados pelo ridículo e extremamente complicado BRM V16 Alfa-Romeo. Ele decidiu seguir sozinho sem dar satisfações a ninguém, exceto a si mesmo, da forma como ele sempre havia trabalhado.

Inicialmente procurou a Alfa-Romeo para comprar um dos seus Alfetas, porém a proposta foi terminantemente recusada. Sua próxima abordagem foi na Ferrari e ali contou com um poder de barganha consideravelmente maior. Após Enzo Ferrari ter inicialmente recusado sua solicitação, Vandervell não teve escrúpulos em ameaçar suspender o fornecimento de rolamentos “Clevite” à Ferrari. Então, uma Ferrari 125C de Grande Prêmio, foi devidamente entregue à fábrica de Vandervell em 1949.

Quando Vandervell examinou o carro detalhadamente não ficou impressionado. Na verdade, ele ficou furioso, convencido que a Ferrari tinha lhe enviado uma sucata remendada. Enzo Ferrari, habituado a lidar com clientes bajuladores e gratos por qualquer coisa que lhes vendesse, havia subestimado Tony Vandervell, um homem que rotineiramente negociava com capitães de indústria. Ele devolveu dois carros e só na terceira entrega da Ferrari, um modelo 4.5, satisfez Vandervell e tornou-se o Thinwall Special.

Enzo Ferrari estava paranoico em relação a Vandervell, ele estava convencido de que isto era um artifício para fornecer tecnologia para a BRM, mesmo sabendo que o inglês tinha rompido os vínculos com esta empresa há muito tempo. Foi provavelmente tendo isto em mente que Enzo Ferrari deixou Vandervell esperando por três horas depois da hora marcada na fábrica da Ferrari. Furioso, Vandervell foi embora e resolveu construir seus próprios carros de Fórmula 1, que iriam derroatar estes “malditos carros vermelhos”. Dessa forma, a linha de Vandervell foi iniciada.

A concretização de seu objetivo em 1958, foi terrivelmente obscurecida com a morte de um dos seus pilotos, Stuart Lewis-Evans, na prova final da temporada. Se sentindo culpado por isto ter acontecido em um de seus carros, o entusiasmo de Vandervell pelo projeto acabou. A equipe sobreviveu por algum tempo, porém nunca mais foi a mesma; e quando começou a ter problemas de saúde, Vandervell acabou com a equipe. Ele morreu em 1967.

 

Foto de capa: The Cahier Archive

 

Redator da matéria: Luiz Máximo Morelo, de São Paulo.

Luiz Máximo Moreno Morelo

Luiz Máximo Moreno Morelo

Meu nome é Luiz Máximo Morelo, sou paulista, 65 anos, comecei no rádio em 1968. Em 1976 fui para a TV Record, depois Rede Bandeirantes, Globo, SBT e por 20 anos trabalhei na TV Cultura. Sempre acom[...]

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