Personalidades da Fórmula 1 – 1950/1959: Alfred Neubauer

Personalidades da Fórmula 1 – 1950/1959: Alfred Neubauer

Like
1317
0
terça-feira, 03 outubro 2017
Automobilismo

O lendário gerente da equipe Mercedes, com sua grande estatura e corpulência, estava sempre segurando os avisos para seus “Silver Arrows” nos boxes. Neubauer dirigia a equipe com mão de ferro. Mas ele é lembrado por aqueles que o conheceram como um homem de coração bondoso e extremamente divertido.

Sua ligação com a Mercedes-Benz surgiu através de seu relacionamento profissional com Ferdinand Porsche. Neubauer havia trabalhado como engenheiro de produção e piloto de testes na empresa Austro-Daimler da Porsche, e ocasionalmente competia. Quando Ferdinand Porsche associou-se à Mercedes, como projetista, Neubauer o acompanhou. Ele conseguiu novamente ficar atrás do volante e fez parte da equipe Mercedes no Grande Prêmio em Monza, em 1924.

Tal como Enzo Ferrari, em uma fase semelhante de sua carreira, ele tinha limitações como piloto e seu verdadeiro estava na organização. Em 1926 tornou-se gerente de equipe na Mercedes e com sua perspicácia e capacidade de ordenação logo deixou a equipe atuando com a eficiência de um relógio. Orientava as atividades agitando os braços, gesticulando e inventou um sistema de bandeiras coloridas para se comunicar com seus pilotos. Ele introduziu um conjunto de conhecimentos práticos sobre como se deve dirigir uma equipe tipicamente alemã e com categoria inflexível. Certa vez, quando um carro apresentou vazamento no radiador em uma corrida na Inglaterra, ao invés de improvisar um conserto, Neubauer mandou vir de Stuttgart, de avião um especialista em solda; ele concluiu seu trabalho em poucos minutos e foi logo em seguida enviado de volta à Alemanha.

Quando a Mercedes retornou com participação integral nas provas de Grande Prêmio, com um programa apoiado pelos nazistas, o talento de Neubauer brilhou. Os Grandes Prêmios duravam nessa época várias horas e contavam com inúmeras paradas; rotineiramente, a Mercedes conseguia boas vantagens de tempo sobre as equipes Auto Union e Alfa-Romeo nas paradas de boxe. Havia entretanto algumas insinuações, nessa época, de que ele era excessivamente disciplinador e, como resultado, o moral da equipe ficava prejudicado. Parece, também, que ele favorecia o garoto dourado da Mercedes, Rudolph Caracciola, em detrimento dos outros membros da equipe, o que gerou muitas discussões acaloradas com o instável Luigi Fagioli. Não obstante, a vontade de Neubauer sempre prevalecia. Deve-se lembrar também que essa era uma época em que as corridas serviam para a propaganda nacionalista e que as diretrizes relativas à nacionalidade do piloto vencedor, no caso a Mercedes, emanavam de escalões bem superiores em relação a Neubauer.

Com o novo retorno da Mercedes às corridas no início dos anos 1950, Neubauer, agora 20 anos mais maduro, sentava mais uma vez na cadeira de diretor. Ele comandou com sucesso um programa de carros esportivos antes de voltar aos Grandes Prêmios, em 1954, e a equipe conquistou com Fangio o Campeonato Mundial em sua primeira tentativa. No ano seguinte, o argentino teve Stirling Moss como companheiro de equipe, que se lembra pouco do homem de vontade férrea dentro dos boxes, porém muito mais do homem que se revelava após as corridas: dotado de baixo auto estima, grosseiro, beberrão e glutão. Alfred Neubauer faleceu no dia 22 de agosto de 1980.

 

Foto de capa: The Cahier Archive

 

Redator da matéria: Luiz Máximo, de São Paulo.

Luiz Máximo Moreno Morelo

Meu nome é Luiz Máximo Morelo, sou paulista, 65 anos, comecei no rádio em 1968. Em 1976 fui para a TV Record, depois Rede Bandeirantes, Globo, SBT e por 20 anos trabalhei na TV Cultura. Sempre acom[...]

350 posts | 0 comments

Menu Title