Pedro Acosta: o novo fenômeno do Mundial de Motovelocidade

Pedro Acosta: o novo fenômeno do Mundial de Motovelocidade

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segunda-feira, 19 abril 2021
Bandeirada

O espanhol de 16 anos fez algo nunca antes visto. Largou do Pitlane na corrida de Losail, no Qatar, e recebeu a bandeirada em 1º lugar. O único piloto que havia chegado perto desse feito foi Brad Binder, em 2017, que largou na última colocação e venceu o grande prêmio de Valência. Mas o que o Pedro Acosta alcançou no dia 4 de abril de 2021 ficará marcado na cabeça de cada fã de esportes a motor.

Por: William Freitas, Gravataí-RS.

Onde tudo começou

Nascido em Puerto de Mázarron, na cidade de Múrcia, uma província de 450 mil habitantes, no sudeste da Espanha, Pedro Acosta ganhou sua primeira moto quando completou cinco anos. Desse modo, o garotinho nascido dia 25 de maio de 2004 começava a dar seus primeiros passos graças a um presente de seu pai.

A Espanha é conhecida por ser uma das duas grandes escolas de formação de talentos. Ele disputou a Cuna de Campeones, o Campeonato Espanhol de MiniVelocidade. No Campeonato Espanhol de Velocidade, por exemplo, Carlos Tatay, que também está na Moto3, fez as mesmas etapas para chegar ao Mundial.

Red Bull Rookies Cup

Em 2019, o espanhol conseguiu uma vaga na categoria que serve de entrada para o Mundial, a Red Bull Rookies Cup. Essa categoria cumpre todos os finais de semana europeus da Moto3, Moto2 e da MotoGP. Além disso, todos os pilotos tem o mesmo equipamento. No seu ano de estreia, Acosta conseguiu três vitórias e mais dois pódios. Assim, com esse resultado, ficou com o vice-campeonato, atrás apenas de Tatay, que se sagrou o grande vencedor daquela temporada.

Em 2020, Pedro teve seis vitórias e mais três pódios. Foi campeão com 214 pontos, 64 a mais que David Muñoz. O atual campeão da MotoGP, Joan Mir, foi o primeiro piloto que venceu a Rookies Cup a conquistar o título da categoria rainha, mas outros pilotos como Johann Zarco, Enea Bastianini e Jorge Martín também tiveram passagens nessa competição.

Red Bull KTM AJO

O espanhol foi contratado para a equipe do grande desenvolvedor de pilotos Aki Ajo. Raramente um piloto que passa nas mãos do finlandês não consegue apresentar bons resultados ao longo da parceria. Ele também proporciona a possibilidade de crescimento dentro do Mundial, pois sua equipe está presente na Moto2 e é parceira da KTM na MotoGP.

Correr pela Red Bul KTM AJO é um desafio. Ela, a Estrella Gallicia e a Leopard Racing dividiram por bons anos o foco dentro das pistas da categoria de 250 cilindradas. O grande exemplo de sucesso da equipe é a dupla Brad Binder e Miguel Oliveira, que foram companheiros em todas às categorias.

Moto3

Pedro Acosta fechou com a equipe no final de 2020, para substituir junto com Jaume Masia. A antiga dupla formada por Raul Fernandez, que foi para a KTM na Moto2, e Kaito Toba, que foi para a equipe CIP Green Power, também da Moto3, se desfez. Mesmo com tantas mudanças, a equipe sempre se manteve como uma das mais fortes do campeonato, pois sua mentalidade é de um time vencedor.

Na primeira corrida em Doha, no Qatar, Acosta já surpreendeu a todos terminando na 2ª colocação, atrás apenas de seu novo companheiro de time. No entanto, era possível perceber que o piloto tinha ritmo para melhorar e buscar sua primeira vitória na competição. Contudo, uma punição, supostamente, atrasaria seus planos. Assim, junto a outros pilotos como Dennis Foggia e Romano Fenati, o espanhol foi punido por tentar pegar a famosa “carona”.

A história sendo feita

O início da corrida estava marcado para às 11h (horário de Brasília) e ninguém imaginaria o que estava prestes a acontecer. O pole position da corrida era Jaume Masia, que poderia conseguir a dobradinha, seguido de Sergio Garcia e Jeromy Alcoba.

De acordo com a punição, os pilotos que saiam do pitlane (boxes) deviam esperar o último colocado passar para poderem arrancar. Isso deu para Acosta e os outros pilotos 11 segundos de desvantagem em relação ao pelotão. Na Motovelocidade isso é uma eternidade. Na metade da corrida, o espanhol já estava brigando com o pelotão intermediário da categoria.

Mas foi na parte final que o talento de Acosta aflorou. O Tubarão de Mázarron chegou a andar um segundo e meio mais rápido que líder da corrida, Darryn Binder. Na abertura da volta final, ultrapassou o sul-africano e abriu quatro décimos na frente. Assim, mesmo sendo atacado no último setor da pista, o espanhol garantiu a sua vitória e seu nome na história do Mundial de Motovelocidade.

Pós-corrida

Dessa forma, era impossível alguém não achar a atuação do espanhol espetacular. Todas as equipes da categoria ovacionaram o garoto por sua vitória. Assim, deve ter passo um filme na cabeça dele enquanto via pilotos consagrados comemorando um triunfo que não era só dele, mas, decerto, de todos, pois era o marco de um novo talento surgindo.

Entretanto, nas entrevistas, foram feitas comparações. Mas Pedro Acosta só pode ser ele mesmo. De fato o jovem não vai ser Márquez, não vai ser Stoner, nem Valentino. Por fim, a habilidade para brilhar no Mundial ele mostrou que tem, mas só o tempo dirá se ele se tornará um dos maiores.

FOTO DESTAQUE: REPRODUÇÃO / DORNA

William Freitas

William Freitas

Tenho 20 anos e sou estudante de jornalismo. Desde pequeno sou fascinado em esportes à motor, como MotoGP e Fórmula 1.

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