Paratletismo e o apoio da família para Gustavo seguir como carreira

Paratletismo e o apoio da família para Gustavo seguir como carreira

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segunda-feira, 13 abril 2020
Super Ação

Gustavo Fernandes de Souza, de 22 anos, nascido em João Pessoa-PB, mas morou parte de sua infância no município de Araruna e atualmente vive em Itajaí-SC e pratica a modalidade de paratletismo.

Nasceu com uma má formação na perna direita chamada de Hemimelia Tibial (ausência da tíbia, tendo somente a fíbula e o pé). Ainda, quando bebê, passou por uma cirurgia na tentativa de realizar correção da perna, que não funcionou como esperado.

Aos 18 anos optou por amputá-la, para, em uma oportunidade futura, colocar uma prótese. Hoje, é um amputado transfemoral (amputação na área da coxa).

Teve algumas dificuldades na vida, como ocorre com a maioria dos deficientes no Brasil, seja em maior ou menor grau de dificuldades. Por exemplo, quando criança (antes de ganhar seu primeiro par de muletas), tinha dificuldade em sua locomoção, para fazer coisas simples como: ir para escola sozinho, brincar, visitar a casa parentes que morassem próximos, dentre outros.

“Quando ganhei as muletas, elas me possibilitaram maior mobilidade, mas, por outro lado me machucavam muito nas axilas, além de serem pesadas. No período escolar no ensino fundamental, eu, como provavelmente outras crianças com algum tipo de deficiência, passei por bullying, dificuldades em fazer amizades (apesar de ter conseguido)”, diz Gustavo.

Já no ensino médio, até onde lembra, foi mais tranquilo. Mas, se houve um período bastante difícil foi durante a minha recuperação após a cirurgia, com dias sem dormir, bastante dor, alguns problemas na cicatrização, mas no final das contas deu tudo certo.

Sempre teve apoio da família, em especial minha mãe, dona Ana Lúcia Fernandes de Souza. Ela ajudava na decisão exclusivamente sua sobre a cirurgia, que se tornou só na maioridade. E agora no esporte, no qual, ela é uma grande incentivadora, diz que deve lhe dedicar aquilo que gosta.

No Ensino Fundamental, chegou a jogar futebol, xadrez, pingue-pongue, modalidade de paraatletismo como lançamento de peso, disco e dardo, mas não havia participado de nenhuma competição.

No Ensino Médio, isso no segundo ano se não me engano, foi convidado pelo paratleta Flávio Reitz a participar do atletismo, no entanto, na época, recusou, pois, pouco antes do convite, havia sido selecionado para um curso de Técnico de Segurança do Trabalho, pelo SENAI, no qual se formou.

“E após me formar tanto no Ensino Médio e  Técnico, fui realizar minha operação. Mas, por sorte, alguns anos depois, surge uma nova oportunidade de me dedicar ao atletismo, tive outra chance de poder treinar com o Flávio e o  time de paratletismo de Itajaí”.

Ele não tem somente um ídolo, mas vários. Um, em especial, em que lhe inspira bastante é o físico inglês Stephen Hawkins, porque foi diagnosticado, aos 21 anos, com a esclerose lateral amiotrófica (ELA) tendo todas suas chances de vida reduzidas a zero, como ele mesmo disse.

“Certa vez Hawking afirmou que: ‘Não importa o quanto a vida possa parecer ruim, sempre existe algo que você pode fazer e triunfar. Enquanto há vida, há esperança’. Essa frase resume bem o porquê da minha admiração por ele”, fala Gustavo.

Não foi Hawking  que  lhe fez diretamente ser da área de paratletismo, mas tem sua influência. Passou por tudo que poderia destruir sua vontade de viver ou conseguir alcançar seus objetivos. Havia recebido a informação dos médicos que poderia viver por mais alguns poucos meses, conseguiu viver por anos, morrendo aos 76 anos. A resiliência e dedicação dele é inspiração para qualquer um.

Gustavo decidiu atuar na área de esporte com paratletismo desde o colégio quando praticou a modalidade de lançamento de peso. Dardo era algo que gostava, mas nunca tinha participado de competição. Logo, este gosto que sente pelo atletismo como competição é bem recente.

O que lhe faz gostar dele é justamente a vibração, o apoio do time e dos seus técnicos o Sidney Reinhold e o Francisco Chagas. Principalmente da oportunidade de superar seus limites, de estar  melhorando sempre, além da variedade de opções dentro do atletismo como corridas, saltos e lançamentos.

“Todos possuem problemas, medos, angústias, mas não adianta deixar com que isso te impeça de continuar tentando. Não importa o fracasso, vá e tente novamente, não importando quantas vezes for necessário. Nós também aprendemos a partir das falhas. E, em algum momento, quando conseguir, você vai perceber que valeu a pena”, finaliza Gustavo.

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Ana Bracarense

Ana Bracarense

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