Para limpar a barra!

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domingo, 05 agosto 2018
Colunas

Por: Ivan Marconato, de São Paulo

Os finais de semana sempre são de muito trabalho para nós, jornalistas esportivos. Entretanto, nos últimos dias do mês de julho, resolvi tirar uns dias de folga. Depois de cobrir jogos seguidos, no meio e no final da semana retrasada, fiquei off-line das notícias envolvendo o futebol, exceto no domingo à noite, por dever de ofício, e também por prazer. Foi quando na noite do último domingo do mês de julho, fui surpreendido, num intervalo comercial do programa Fantástico, da TV Globo, com uma campanha de uma empresa de higiene pessoal masculina.

A campanha de uma famosa marca de aparelhos de barbear trazia o craque brasileiro Neymar como garoto propaganda.  Num “desabafo” de trinta segundos, o comercial tentou – em vão, pelo menos para este que vos escreve amenizar a conduta do “menino Neymar”, o “pobre garoto rico”, aliás, milionário, melhor jogador em atividade no futebol brasileiro, durante a última Copa do Mundo.

Neymar comemora gol durante a Copa da Rússia. FOTO: Lucas Figueiredo – CBF – Site Oficial

Depois do jogo entra Brasil x Costa Rica, durante a primeira fase da Copa, o craque brasileiro foi aos prantos.  E de lá pra cá, sua conduta tem sido duramente criticada por torcedores, jornalistas esportivos, e opinião pública em geral.  Afinal de contas, o que se passa pela cabeça de qualquer ser humano é, mesmo com as derrotas de qualquer esportista, como pode um rapaz, de 25 anos de idade, que faz o que gosta – joga futebol, e para isso tem um ordenado mensal de 3067 milhões de euros, cerca de R$ 12,3 milhões brutos a cada trinta dias- e ainda se fazer de vítima perante à opinião pública? Outra nomenclatura errada da imprensa e da torcida, a meu ver é chamar o atleta de “menino”, coisa que ele, aos 25 anos de idade, não é, há pelo menos sete anos.

Neymar foi taxado de jogador “cai-cai” e “chorão”, por conta de suas atitudes durante a última Copa. E depois do Mundial, veio a campanha da empresa Multinacional em horário nobre da TV. Evidentemente, não fiquei comovido, nem tampouco sensibilizado com o comercial.  Meu comportamento diante do fato foi de perplexidade.  Achei a campanha comercial sem sentido e completamente desnecessária, e questionei profissionais da área do marketing esportivo sobre o tema.

E dois dos mais respeitados nesse setor de atividade – Anderson Gurgel, meu professor no curso de pós graduação em Jornalismo Esportivo e Negócios do Esporte; além de Marcos Farber, administrador de empresas e pós graduado em marketing geral e esportivo, foram taxativos em suas opiniões sobre a campanha. Ou seja, o comercial pegou muito mal, não somente para Neymar, mas principalmente para a empresa.

Houve até quem fizesse brincadeira – muito criativa por sinal- que ao me cortar fazendo a barba, vou cair no chão – numa alusão às simulações de Neymar durante as partidas da Copa.  Mas depois da atuação do craque brasileiro, e da inútil campanha publicitária, é melhor que o jogador brasileiro faça somente o que mais sabe: jogar bola. Afinal de contas, a tentativa de limpar a barra do craque por meio de publicidade não pegou nada bem.

Redator: Ivan Marconato, de São Paulo
Repórter da Rádio Poliesportiva, jornalista e pós graduado em Jornalismo Esportivo e Negócios do Esporte. Escreve semanalmente a Coluna Toque de Letras.

Ivan Luis Marconato Rocha

Ivan Luis Marconato Rocha

Jornalista profissional diplomado desde 1998, e pós graduado em Jornalismo esportivo e negócios do esporte. Atua em webrádio desde 2012. Já trabalhou em jornal de bairro, e por 10 anos na NET Serv[...]

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