Os dez maiores pilotos de 1950 até 1959

Os dez maiores pilotos de 1950 até 1959

Like
1221
0
sábado, 26 agosto 2017
Fórmula 1

As corridas de Grand Prix já eram realizadas há 44 anos quando o Campeonato Mundial foi oficializado, em 1950.
1950 – 1959: Foi uma década de extraordinária mudança proveniente de uma surpreendente condição; teve origem na frugalidade!

Foi também, talvez o início de uma era em que jamais se veria o nível de esportividade de forma tão evidente quanto em 1958. Um exemplo: o episódio em que Mike Hawthorn foi inicialmente desclassificado do GP de Portugal por causa de um alegado empurrão para fazer o seu carro pegar e ele teve de recorrer ao testemunho de outro piloto na apelação desta decisão. Só que este piloto era Stirling Moss, seu rival na disputa do título. Se Moss não tivesse se manifestado, Hawthorn perderia os pontos que mais tarde se tornariam cruciais, quando derrotou Moss na luta pelo título.

Abaixo, a relação dos dez maiores pilotos de 1950 à 1959:

 

1º Juan Manuel Fangio

Simplesmente na se pode contestar cinco Campeonatos Mundiais e 24 vitórias em Grandes Prêmios, em apenas sete temporadas completas. E tudo isso alcançado por alguém que já tinha 39 anos de idade quando começou sua carreira na Fórmula 1.

O versátil talento de Fangio parecia quase místico. Sua habilidade em se manter distante de problemas, sempre se mostrando tranquilo, e a reserva de velocidade ofuscante que podia mobilizar quando necessário, como aconteceu em Nurburgring, em 1957, deixam implícito uma capacidade que foi com frequência claramente testada.

Ele foi certamente o mais destacado de sua geração, e em uma época que em que o desempenho do piloto era muito mais decisivo do que hoje em dia, e a equipe que conseguisse contratá-lo teria o campeonato praticamente assegurado. Isso é comprovado pelo fato de que, seus cincos títulos foram conquistados em quatro equipes diferentes: Alfa Romeo, Mercedes, Ferrari e Maseratti. Contudo nada disso parecia diminuir sua suprema elegância e humildade. “Você deve ter sempre como objetivo ser o melhor, mas você nunca deve acreditar que é”. Disse ele após conquistar o pentacampeonato.

Fangio abandonou as competições aos 47 anos, em meados de 1958, mantendo sua supremacia como campeão mundial.

 

2º Stirling Moss

O fato de um piloto tão extraordinário quanto ele nunca ter conquistado um título simplesmente diminui o valor do Campeonato Mundial. Isto porque, desde a época em que Fangio abandonou as pistas, em junho de 1958, até o acidente de Goodwood, em abril de 1962, que pôs fim a carreira de Moss, este piloto esteve muito acima de seus contemporâneos. Afinal ele venceu pilotando a Maseratti, a Mercedes, a Vanwall, a Cooper e a Lotus. Velocidade, versatilidade e esperteza, tudo isso ele possuía.

Stirling Moss em 1953. Foto: Cahier Archive

A lealdade para com as equipes inglesas sem duvida acabou limitando o resultado final de suas realizações; mas isso pouco importa quando se leva em conta a maeira como ele conseguia rotineiramente transcender as limitações de seu equipamento.

Surgindo das fileiras da F3 de 500cc, no início dos anos cinquenta, e em pouco tempo foi enfrentar a competitividade da Fórmula 1 em 1954. Participando por conta própria com uma Maseratti, ele também abriu as portas para outros pilotos ingleses. O patriotismo fez com que Moss se aliasse à Vanwall e apenas o seu espírito esportivo o impediu de conquistar o mundial de 1958. E nos três anos seguintes, ele deu mostra de sua genialidade, todas as vezes em que pilotava os carros de Rob Walker, que participava por conta própria.

 

3º Alberto Ascari

Ascari foi o primeiro piloto bem sucedido de Grandes Prêmios da segunda geração. Tinha seis anos, quando seu pai, Antonio, morreu no Grand Prix da França, disputado em Montlhery, em 1925, pilotando um Alfa Romeo. Np início dos anos 1950, ele era o único piloto a altura de Fangio, e conquistou dois títulos mundiais consecutivos para a Ferrari, em 1952 e 1953.

A velocidade pura era sua mais notável característica. Mike Hawthorn o considerava muito mais rápido que Fangio, embora Moss não concordasse com isso. Quando largava na frente, isso era a sua habilidade sublime através da qual ele simplesmente parecia incapacitar os seus oponentes. Já em situações adversas suas atuações eram menos impressionantes, por sua tendência a se desesperar facilmente, e era geralmente o carro que ele inutilizava.

Alberto Ascari em 1953. Foto: Cahier Archive

 

Era um homem obcecado por coincidências e pelo destino de seu pai. Morreu em um acidente durante um teste em Monza, em 1955. Tinha exatamente a mesma idade que Antonio, em sua última corrida.

 

4º Jose Froilan Gonzales

Esse homem enorme e forte como um touro, deu à Ferrari, a sua primeira vitória em um Grande Prêmio, quando derrotou a Alfa Romeo de Fangio, em Silverstone, em 1951. Voltou a vencer ali em 1954, ano em que terminou o campeonato em segundo, perdendo apenas para Fangio. Porém após uma carreira relativamente curta, retornou à sua terra natal, a Argentina, onde viveu atá a sua morte em 2013.

Ele conseguia dominar fisicamente um carro com excelentes resultados, e quando estava em um grande dia era eletrizante. Naquela prova de Silverstone, por exemplo, ofuscou completamente seu companheiro de equipe, o italiano Alberto Ascari. Por ser muito forte e agressivo nas corridas o apelidaram de “Mister Pampas Bulls”. Possuía energia para esbanjar, algo muito importante em uma época em que os Grandes Prêmios eram muito mais longos do que hoje.

Frolain Gonzales. Foto: Cahier Archive

 

Porém Gonzales não era dotado da habilidade técnica refinada de um Fangio ou de um Ascari, o que o impedia de alcançar o nível de consistência deles. Seu estilo exigia muito dos carros.

 

5º Mike Hawthorn

Mike Hawthorn, o Campeão Mundial de 1958, o primeiro título conquistado por um piloto inglês, abandonou as pistas imediatamente após ter conquistado essa honra. E morreu em Farnham, Surrey em 22 de janeiro de 1959, em um acidente de automóvel numa rodovia. Ao lado de Stirling Moss, Peter Collins e Tony Brooks, Hawthorn estava entre os maiores talentos ingleses emergentes, que ocuparam as primeiras colocações nas competições internacionais dos anos 1950.

Seu estilo de vida desregrado e boêmio fora das pistas contrastava com a dedicação que demonstrava atrás do volante. Ele era capaz de conciliar estas diferenças graças a seu talento. E quando este aflorava, conseguia feitos grandiosos, como o que lhe permitiu derrotar Fangio numa disputa direta em 1953, na sua primeira temporada participando em uma excelente equipe.

Mike Hawthron em 1958. Foto: Cahier Archive

 

Entretanto, desempenhos deste nível eram relativamente raros, e embora nunca deixasse de estar entre os primeiros, suas proezas não tiveram a feição genial contínua de um Stirling Moss, por exemplo. Talvez, isto se devesse em parte à sua saúde. Mike Hawthorn sofria de uma doença renal, que provavelmente o teria impedido de viver muito além dos quarenta.

6º Tony Brooks

Ele era calmo e sem grandes pretensões. Era propenso a ficar à sombra de Stirling Moss, seu companheiro de equipe na Vanwall. Brooks contudo, tinha um jeito harmoniosamente e natural de lidar com um carro de corrida. Todos notavam seu estilo espontâneo e admirável nos circuitos de alta velocidade que proliferavam nos anos 1950, como Spa-Francorchamps e Nurburgring.

Seu sucesso veio muito cedo. Era estudante e estava concluindo a Faculdade de Odontologia, em 1955, aos 23 anos, quando venceu o Grande Prêmio de Syracuse, pilotando uma Connaught. Os períodos em que ficou na BRM, Vanwall e Ferrari na temporada de 1959, foram os melhores. Seus esforços para pilotar a Ferrari com motor dianteiro e enfrentar os poderosos carros com motor central foram incríveis.

Brooks em 1959. Foto: Cahier Archive

 

Profundamente religioso, Brooks, chegou a considerar as corridas como algo conflitante com a fé, após dois graves acidentes, julgando ser moralmente errado se expor a riscos desnecessários. Embora continuasse a competir no inicio dos anos 1960, ele preferiu sair de cena de maneira até tranquila. A partir de então poucos tiveram a oportunidade de apreciar sua verdadeira genialidade.

 

7º Giuseppe Farina

Foi o primeiro Campeão Mundial, e os melhores anos de Farina foram perdidos por causa da 2ª Guerra Mundial. Pouco antes, era um dos mais velozes de sua geração. Contudo, sua geração era algumas vezes caracterizada pela coragem em detrimento da técnica. Atitude ligeiramente incongruente para um bacharel em direito.

Depois da Guerra, ele fez parte da equipe Alfa Romeo, mas no ano em que ganhou o título nunca se igualou em velocidade a seu companheiro de equipe, Fangio. A história se repetiu quando se transferiu para a Ferrari onde foi companheiro de Ascari. Às vezes, entretanto suas táticas eram quase brutais. Se algum piloto “profetizou” o que viria a acontecer no futuro, esse piloto foi Giuseppe Farina.

Guiseppe Farina em 1954. Foto: Cahier Archive

 

Até o final de sua carreira ele competiu ele sempre competiu com uma vontade e força de vencer. Nas raras ocasiões em que Fangio ou Ascari saíam da pista, ele parecia capaz de elevar seu desempenho ao mesmo nível do que mostrava antes da Guerra. Foi então que o mundo do automobilismo de competição percebeu o que havia perdido.
Giuseppe Farina morreu no dia 30 de junho de 1966, aos 59 anos, em um acidente fora das pistas. Um destino que Fangio, por sua vez, sempre imaginou que aconteceria com ele.

 

8º Peter Collins

Collins era um piloto de primeira classe, mais lembrado por ter cedido as suas chances na temporada de 1956 para o seu companheiro de equipe, o argentino Fangio, “porque ele merecia vencer”.

Collins passou a maior parte de seu tempo correndo junto com seu amigo Hawthorn. E ambos eram muito eficientes. Collins tendia talvez a ser mais consistente, embora Hawthorn fosse capaz de produzir uma performance muito mais eficaz.

Peter Collins em 1957. Foto: Cahier Archive

 

Seu cavalheirismo em ceder a sua Ferrari para Fangio correr em Monza no GP de 1966, fez dele um dos poucos pilotos por quem Enzo Ferrari parecia ter uma verdadeira afeição. Foi, portanto extremamente trágico, que ele tenha encontrado a morte pilotando uma Ferrari no GP da Alemanha em 1958. Sua Ferrari saiu da pista e ele perdeu o controle do carro, que capotou e caiu de rodas para cima. Collins foi arremessado contra uma árvore, sofreu ferimentos na cabeça e, levado para o hospital morreu no final da tarde.

9º Jean Behra

É conhecido como o eterno azarão. Jean Behra teve muitos desempenhos inesperados, durante várias temporadas em uma série de Gordinis com pouca potência, e depois com a Maseratti e a BRM. Em várias ocasiões comprovou ter um ótimo ritmo de corrida, embora seu pensamento e atitude em relação a como manter o ritmo em uma corrida fosse, geralmente muito suspeito.

Behra em 1957. Foto: Cahier Archive

 

Behra era um antigo piloto de motociclismo. Ele construiu sua reputação na Fórmula 2 com um Gordini, derrotando a Ferrari de Ascari vencendo o GP de Reims em 1952. Esse evento não fazia parte do campeonato. Na Maseratti, em 1957, ele foi brilhante, e algumas vezes, inclusive correu à frente do Fangio, seu companheiro de equipe. Alguns afirmam que ele foi muito azarado ao perder o GP da Inglaterra naquele ano, outros alegam que seu fracasso deveu-se, certamente, ao fato dele ter exigido muito do carro no seu desespero de permanecer à frente. Era o tipo de crítica que iria continuar a ser feita, particularmente durante o pouco tempo que ficou na Ferrari, na temporada de 1959. E foi demitido no meio desta temporada, em Reims, depois de esmurrar o diretor da equipe Romolo Tavoni, após uma acalorada discussão. Dois meses depois, no dia 01 de agosto de 1959, Jean Behra norreu pilotando um Porsche, em Avus, na Alemanha.

 

10º Jack Brabham

Duas vezes campeão do mundo pela Cooper, Brabham foi o piloto que quebrou todas as regras. Estas diziam que um piloto nunca devia levar consigo uma chave de fenda ou um maçarico de soldar. Jack levava. E mais tarde conquistou outro título com o seu próprio carro. As regras diziam que havia apenas uma linha ideal para fazer uma curva. Jack utilizava várias linhas e todas elas pareciam funcionar, mesmo que ele fosse rude o bastante para jogar uma chuva de pedras nos seus rivais…

Criado nas corridas de pistas sujas na Austrália acabou se adaptando aos simples e grosseiros Cooper, como um pato na água. Ele se tornou o precursor do atual piloto/técnico, possuía habilidade para consertar o seu carro e no cockpit tinha um olho de águia infalível para o golpe mortal.

Jack Brabham em 1959. Foto: Cahier Archive

 

Ele tinha um forte arsenal mas, por outro lado, era constantemente obscurecido quando competia com pilotos genuinamente velozes, como Stirling Moss pilotando um Cooper por conta própria, e mais tarde com Rindt e Ickx, em seus próprios Brabhams.

Sir John Arthur Brabham, conhecido como Jack Brabbham faleceu no dia 19 de maio de 2014, em Gold Coast, na Austrália.

 

Fotos: the Cahier Archive

 

Redator da matéria: Luiz Máximo, de São Paulo.

Paulo Arnaldo do Amaral Lima

Paulo Arnaldo, paulista, CEO da Poliesportiva, jornalista, apresentador e narrador esportivo. Conhecido no meio jornalístico como P.A., Paulo Arnaldo tem vasta experiência desde 2008 no jornalismo e[...]

555 posts | 2 comments

Menu Title