Opinião: Aston Martin pode representar a redenção de Vettel na Fórmula 1

Opinião: Aston Martin pode representar a redenção de Vettel na Fórmula 1

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quinta-feira, 10 setembro 2020
Fórmula 1

Apesar do enorme mistério envolvendo o nome de Sebastian Vettel na silly season de 2021 na Fórmula 1, as especulações não mentiram. Embora muito tenha feito a Aston Martin para desmentir a presença do alemão na equipe que assume o posto da Racing Point no circo ano que vem, os fatos mostraram que tudo não passou de blefes para esconder o que todos já imaginavam. Enfim, o tetracampeão vestirá o macacão rosa (ou verde) da novíssima equipe inglesa em 2021.

Por: Danilo Dias, de São Paulo.

Muito se questionou sobre o futuro de Vettel na categoria. De fato, impressionou como o piloto caiu de rendimento no volante da Ferrari após o acidente em plena liderança do GP da Alemanha de 2018. Onde sob muita chuva e prestes a assumir a liderança do campeonato numa disputa que se desenhava frenética pelo título contra Lewis Hamilton. Porém, Sebastian bateu sozinho e até hoje não recuperou o talento que todos se acostumaram a ver vindo do alemão.

Ficou difícil para Vettel progredir na Ferrari

A temporada desastrosa da Ferrari em 2020 poderia ser a pá de cal na carreira do alemão. No entanto, o piloto nunca foi de demonstrar insatisfação de forma patente. Porém, ficava claro que o casamento do tetracampeão com a equipe vermelha estava chegando ao fim.

Vettel chegou à Maranello no sentimento ferrarista de que poderia ser o grande protagonista que a equipe precisava desde Michael Schumacher. Em suma, é alemão, talentoso e vencedor. Porém, sempre houve um Lewis Hamilton e uma Mercedes pelo caminho. A Ferrari entregou bons equipamentos a Sebastian durante boa parte de sua estadia na equipe. Alguns carros eram tão competitivos quanto a Mercedes e a briga pelo título entre as escuderias era uma realidade.

A partir do incidente de 2018, já citado aqui, aparentemente Vettel sofreu uma quebra de confiança jamais recuperada até então. Raikkonen, que nunca foi problema para Sebastian, saiu da equipe e trocou de lugar com Leclerc, que se transformou em postulante ao protagonismo vermelho.

Vettel erra e perde pontos importantes correndo em casa. (Foto: Reprodução /  Twitter Oficial F1)

Dessa forma, Vettel jamais foi o mesmo para a equipe. O que, claramente, não quer dizer em hipótese alguma que ele desaprendeu a pilotar. Muito pelo contrário. Vettel, para mim, ainda é um dos maiores pilotos da categoria e pode entregar resultados efetivos por onde passar.

O que pesou foi o clima na equipe. A expectativa era muito maior em relação ao que foi entregue. Somado à queda de produção do equipamento ferrarista. Dessa forma, Vettel jogou a toalha no que diz respeito a lutar por algo a mais. Binotto nunca demonstrou ser o grande líder que a Ferrari precisava. Arrivabene fez falta e nem Leclerc consegue entregar resultados, visto que o carro é apenas um bólido de meio de grid.

Aston Martin pode representar o renascimento e a despedida digna de Vettel

Com este pretérito imperfeito da carreira de Vettel, podemos especular as situações que envolvem o futuro do experiente tetracampeão mundial de Fórmula 1. A Racing Point, que se converterá em Aston Martin na temporada que vem pode ser um capítulo bonito da carreira de Sebastian. Mas a realidade dos títulos e até das vitórias podem estar muito distante ainda.

Então, por qual motivo então seria digno da carreira de Vettel andar no meio do pelotão por uma equipe estreante? Primeiro temos que dizer que essa não é a verdade absoluta. O tiro no escuro oferece a percepção de que a Aston Martin será uma equipe de meio de pelotão, ao menos no início.

Porém, vale ressaltar que não falta know how aos ingleses. A marca sempre gostou de estar nas boas categorias do mundo, inclusive participando de algumas provas da Fórmula 1 em 1959 e 1960 e dinheiro não deverá faltar. Dessa forma, subentende-se que apesar da expectativa apenas mediana de início, a equipe pode surpreender.

Vettel entra como um professor dentro do time. Disposto a recomeçar, pode ser o grande desenvolvedor do carro da Aston Martin e ainda aguarda a confirmação de seu companheiro de equipe. Isso significa que ele vem para ser o centro das atenções, coisa que perdeu na Ferrari a partir da vinda de Leclerc.

Sendo assim, será muito interessante ver uma equipe com estrutura e conhecimento sendo liderada dentro da pista por um tetracampeão. Vettel deve recuperar sua motivação e provavelmente encerrar sua carreira na equipe, talvez não com títulos ou vitórias, mas com o destaque de alguém que precisa se sentir útil novamente.

Nada está garantido, porém

Festa não vai faltar para os ingleses ao receber Seb. Mas a calma é fundamental no momento presente, pois a Aston Martin deverá estar ciente de certos pormenores que enfrentará na temporada que vem. Primeiro, Vettel deverá se sentir em casa. Precisa trabalhar tranquilo e não teria assinado com a Aston Martin para sentir a mesma pressão da Ferrari, uma equipe sem moral momentânea para cobrar algo de seus pilotos.

Comemoração de Lance Stroll e Racing Point - GP da Itália de 2020

Comemoração de Lance Stroll e Racing Point – GP da Itália de 2020. Foto: Reprodução / DPPi / FIA

Dessa forma, a Aston Martin deverá conduzir sua evolução com calma. É possível que a equipe engrene uma sequência de bons treinos desde o início da temporada, afinal vem com a base da Racing Point que tem um carro rápido.

Sempre é bom ressaltarmos a semelhança dos carros cor de rosa com os Mercedes. Mas além da forma e do desempenho em treinos, ainda falta algo importantíssimo para o progresso da nova equipe, que é extrair um ritmo de corrida bom de seus bólidos.

É perceptível que Pérez e Stroll na temporada 2020, apesar de sempre conquistarem boas posições de largada, sempre sofreram para progredir e até manter as posições iniciais. Será um serviço específico para Vettel, que se conquistar este avanço e manter o rendimento dos Racing Point deste ano, já terá uma boa temporada de estreia.

Assim sendo, não é justo esperar uma equipe que estará nas cabeças desde o início, mas sim uma equipe minimamente organizada que deverá andar com frequência nos pontos e conquistar eventuais pódios. No entanto, a missão do piloto alemão é de não se superiorizar quanto a isso num primeiro momento.

Da água pro vinho

Por fim, a vontade do fã da Fórmula 1 é de sempre haver o máximo de competitividade possível quanto às corridas. Vettel numa equipe nova pode ser uma atração importante na categoria. Porém, o mais importante é o ressurgimento de Sebastian.

Sebastian Vettel

Sebastian Vettel. Foto: Reprodução / Formula1.com

Um piloto de seu calibre não pode ficar no limbo como esteve nas últimas temporadas. Considerando a conjuntura da situação, às vezes menos, é mais. Enfim, o desejo é de sucesso e de mais uma atração divertida no circo da Fórmula 1.

Foto destaque: Reprodução / Scuderia Ferrari

Danilo Dias

Danilo Dias

Danilo Dias é formado em Tecnologia em Futebol, pós-graduado em Jornalismo Esportivo e Negócios do Esporte e atualmente é estudante de Direito. Apaixonado por futebol, aficionado por automobilismo[...]

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