O toque de arte de Parreira

O toque de arte de Parreira

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sexta-feira, 15 dezembro 2017
Seleção Brasileira

Carlos Alberto Parreira sempre foi um personagem diferenciado no futebol. Um dos primeiros estudiosos do esporte, saiu de uma faculdade e nunca jogou futebol profissionalmente. Formado em educação física na UFRJ, teve seus primeiros contatos com o futebol sendo preparador físico do São Cristóvão, tradicional time carioca. Seu trabalho então o levou a Seleção Brasileira, quando começava-se a falar sobre preparação física no desporto como algo fundamental para o alto desempenho.

Além disso, outros feitos transformaram sua carreira em única dentro do cenário mundial. Trabalhou no Fluminense em diversas oportunidades e pelo seu time do coração venceu o Carioca de 75, quando sua carreira apenas começava. Parreira também foi responsável por levar o Tricolor das Laranjeiras ao posto máximo do Campeonato Brasileiro de 84 naquele time de Romerito. Viveu também o outro lado da moeda quando num ato de amor, aceitou no auge disputar uma Série C, comandando o time na pior fase do Fluminense.

Parreira teve ainda grandes histórias dirigindo seleções. Foi do céu da Copa de 70 como preparador físico e técnico no título de 94, ao inferno da eliminação diante da França em 2006 e o 7×1 perante a Alemanha, no desastre do Mineirão. Além da amarelinha, escreveu sua história dirigindo a África do Sul em 2010 na primeira Copa em continente africano, além de levar para suas primeiras Copas seleções sem expressão do Oriente Médio, primeiro o Kuwait em 82 e depois os Emirados Árabes Unidos em 90.

Angra inspira Parreira. Foto: Galeria Dom Quixote

Mas Parreira não fez arte apenas no esporte. Depois de uma carreira consagrada abandonou a prancheta em 2014 e assumiu de vez outras paixões. Primeiro, voltou a dar aulas em cursos de pós-graduação no Rio, passando toda sua experiência e conhecimento a estudantes que almejam um dia ser metade do que ele foi. É ainda amante de livros, tapetes persas, fotografias e pintura.

A propósito, falar das obras de arte de Parreira é quase obrigatório para descrever a vida do homem Carlos Alberto. Inspirado na natureza, no que viu da vida e em seus fins de semana na inspiradora Angra dos Reis, Parreira não se encosta em sua história no esporte para afamar seus quadros. Nem precisaria, afinal a cada dia vivido, mais respeito é obtido por quem gosta de apreciar belas pinturas.

Sempre calmo e sereno como profissional, Carlos Alberto Parreira transmite estes sentimentos em suas obras de arte. Observá-las causa tranquilidade na beleza que cala de seus traços. Traços que sempre estiveram em suas pacientes táticas. A posse de bola e a manutenção de seus times sempre esperando a oportunidade de atacar são refletidas em seus quadros, de traços calmos, pacientes, curtos e belos. Parreira é diferenciado, e mostra que para ser diferente no esporte, um homem carece de ser diferente na vida.

O Casário de Parreira. Foto: Galeria Dom Quixote

 

Foto em destaque: galeriadomquixote.com

 

Redator: Danilo Dias, de São Paulo.

Danilo Dias

Danilo Dias é formado em Tecnologia em Futebol, pós-graduado em Jornalismo Esportivo e Negócios do Esporte e atualmente é estudante de Direito. Apaixonado por futebol, aficionado por automobilismo[...]

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