“O Roubo da Taça”: uma comédia (política) de erros e a incompetência da CBF.

“O Roubo da Taça”: uma comédia (política) de erros e a incompetência da CBF.

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segunda-feira, 19 setembro 2016
Futebol Internacional

“A CBF é uma instituição séria”. É com essa frase que o ator Stepan Nercessian, que interpreta nas telas o presidente da confederação quando do roubo da taça Jules Rimet da sede da entidade, no Rio de Janeiro, em 1983, responde à provocação de um investigador do crime, vivido por Milhem Cortaz. O útimo questiona o cartola argumentando: “Bellini segurou essa taça, Mauro segurou essa taça, Carlos Alberto segurou essa taça. E o senhor me caga na parte mais fácil, que é tomar conta?”.
Os diálogos fazem parte do filme “O Roubo da Taça”, de Caíto Ortiz, cuja estreia nos cinemas brasileiros aconteceu no último dia 8. A película tem uma história ficcional criada em torno de Peralta, vivido por Paulo Tiefenthaler, do programa de culinária ogra “Larica Total”, do Canal Brasil. O ator traz ao filme grandes cargas de humor, como na cena em que dança de cueca vermellha, em casa, com a Jules Rimet na mão.

Mas os risos causados na plateia não são apenas por conta das cenas cômicas do protagonista, um viciado em jogos de azar que decide roubar a taça para, quem sabe, também pagar seu credor. Nem nas cenas de sua namorada, interpretada brilhantemente pela lindíssima Taís Araújo. Há um humor político – coisa rara em nosso cinema – em várias ocasiões.

Na ficção, a presidência da CBF é ocupada por um ex-millitar – Giulite Coutinho, que dá nome ao estádio do América do Rio e ao centro de treinamento da seleção na Granja Comary, presidia a entidade naquela ocasião, mas era dirigente de futebol e empresário. A violência policial, em obter confissões na base da tortura, também é relatada e criticada no filme. Há uma cena em que o investigador vivido por Milhem Cortaz, acostumado a tirar o que quer de quem prende na base da porrada, desdenha da eficácia do polígrafo, o detector de mentiras. Vivíamos uma ditadura na ocasião, é sempre bom lembrar, ainda que hoje as coisas não tenham mudado tanto assim.
Além disso, em um dos momentos do filme, um dos protagonistas fala, com uma voz impaciente, em hiperinflação e general presidente. Ninguém mais aguentava o regime em 1983. Assim como a maioria não atura mais a CBF e sua corriola de gângsters. A exceção é a micareta de aloprados que foi à Avenida Paulista em algumas ocasiões protestar contra a corrupção usando camisas da…confederação.

No roubo da taça, temos noção da total incompetência da CBF. Deixaram a Jules Rimet original exposta com uma tela de vidro blindado à frente pregada a uma madeira. Qualquer pé-de-cabra tiraria o prego e o vidro. Enquanto isso, a réplica da taça estava em um cofre, segura.
O fim do filme fantasia sobre o que aconteceu com a Jules Rimet. Disseram que ela foi derretida por um argentino, e isso é motivo de piadas no filme, mas o paradeiro da taça até hoje é desconhecido.

Em meio a imaginações sobre o final, somos consolados com a obra-prima de Paulinho da Viola, “Pecado Capital”. A canção integra uma baita trilha sonora. A fotografia, com as ruas do Rio mais vivas com o colorido dos automóveis da época, é perfeita. A edição e pegada do filme lembram “Cidade de Deus”, com doses do argentino “Nove Rainhas” e do americano “Fargo – uma Comédia de Erros”. Aliás, este último poderia fazer parte do nome da película anti-CBF. Imaginem só: “O Roubo da Taça, uma Comédia de Erros”.

Veja o trailer do filme nesse link: https://www.youtube.com/watch?v=3YqTekc1z-c

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