O raio-X da temporada 2020 da Fórmula Indy

O raio-X da temporada 2020 da Fórmula Indy

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terça-feira, 27 outubro 2020
Fórmula Indy

A temporada 2020 da IndyCar Series chegou ao fim. E apesar dos enormes problemas para fechar o calendário devido à pandemia, tudo deu certo e a temporada da Fórmula Indy foi concluída. Scott Dixon mostrou ter muita lenha pra queimar ainda e aos 40 anos chegou ao seu 6º título na categoria, sempre marcado por sua famosa parceria com a Ganassi.

Por: Danilo Dias, de São Paulo, SP.

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Pilotos e equipes da Fórmula Indy

A temporada 2020 foi um divisor de águas entre quem chega para brigar por títulos e quem precisa mostrar serviço. Enquanto Scott Dixon e Newgarden brilhavam por Ganassi e Penske, respectivamente, seus companheiros de equipe nem sempre mostravam o mesmo desempenho.

Indycar GP de Indianapolis 2 DIxon e Newgarden

Scott Dixon e Joseft Newgarden. Fotos: Divulgação / Walt Kuhn / Indycar

 

Penske

Will Power, sempre criticado nos últimos tempos por sua irregularidade, fez uma temporada até acima daquilo que esperavam. E tudo indica que ainda tem vaga na equipe de Roger Penske. Scott McLaughin, que fez carreira nos V8 da Austrália, é um nome confirmado para a temporada que vem. Logo, ele foi lançado ao covil dos leões de casa em St. Pete. Embora tenha participado apenas de uma corrida, o neozelandês parece mostrar potencial para evoluir.

Simon Pagenaud sofreu durante a temporada. Apesar do começo promissor do francês, o campeão de 2016 andou muito abaixo durante quase toda temporada, com uma sequência tenebrosa de resultados ruins. Em suma, o piloto francês é o que precisa mostrar mais serviço. A Penske deve iniciar a temporada que vem com 4 carros, mas não se sabe se essa máxima permanece até o fim do ano.

Em contrapartida, Josef Newgarden sai valorizado após buscar até a última corrida um Dixon que parecia ser inalcançável. Ele mostrou regularidade e o talento que precisa ter o principal piloto da maior equipe do grid. Sendo assim, Newgarden é o cara da equipe. Power se recuperou de muitas críticas. McLaughin precisa aprender ainda, e Pagenaud precisa acordar para não virar alvo de demissão.

Fórmula Indy 2020 - Josef Newgarden

Equipe Penske e Josef Newgarden. Foto: Divulgação / Chris Jones / Indycar

 

Scott Dixon

Já na Chip Ganassi, Scott Dixon continua sendo o cara e assim continuará pelos próximos anos. O agora hexacampeão sobrou na primeira metade da temporada e praticamente garantiu-se como campeão. Apesar do desempenho abaixo da média na reta final do certame, Dixon teve toda a gordura para queimar e se manter na ponta da temporada, sem nunca dividir a liderança dos pontos com outro durante todo o ano. Uma raridade na Indy.

Dessa forma, quando precisou, na última rodada em St. Pete fez uma corrida metódica que o lançou ao pódio em 3º, muito mais do que suficiente para se garantir como campeão novamente. Definitivamente, do grid atual, Dixon é a sumidade. É fato que já podemos lançar o neozelandês como um dos melhores da história nos monopostos norte-americanos.

Fórmula Indy 2020 - Mid-Ohio - Scott Dixon

Mid-Ohio – Scott Dixon. Foto: Divulgação / Chris Owens / Indycar

 

Chip Ganassi

Mas nem tudo são flores na Ganassi. A dupla sueca que faz companhia à Dixon na equipe ainda precisa melhorar. Conhecendo a falta de paciência de Chip Ganassi para resultados abaixo, ambos entraram no radar da demissão. A propósito, Rosenqvist deve garantir uma vaga na Arrow McLaren SP para a temporada que vem. Por outro lado, Ericsson ainda está a pé. O momento de agir era agora e nenhum dos dois conseguiu se manter na poderosa equipe.

Felix Rosenqvist já tem mais rodagem na categoria, e apesar de ter conquistado uma vitória na mítica Road America, foi perseguido de perto por Marcus Ericsson, seu companheiro de equipe conhecido desde a Formula 1 como um piloto apenas “ok”.

Portanto, entende-se que Rosenqvist fez uma temporada abaixo da sua temporada passada, quando foi o 6º na classificação geral. Este ano, concluiu o ano em 11º, seguido de Ericsson em 12º. Em resumo, Dixon é o dono da equipe. Seus companheiros não possuem obrigação de bater um grande piloto como ele, mas precisam andar mais próximos, obrigação de quem tem um dos melhores equipamentos do grid.

Dessa forma, na temporada que vem, iremos esperar ainda quem dividirá o segundo carro da equipe com Jimmie Johnson, histórico piloto da NASCAR que irá fazer companhia a Dixon em boa parte das corridas do ano que vem.

 

Andretti

A Andretti, apesar de conquistar suas vitórias durante o ano, de modo geral decepcionou. Ainda que oferecesse bom equipamento aos seus pilotos, obteve destaque apenas com o tido futuro campeão, Colton Herta, que foi o 3º na classificação geral.

Fórmula Indy 2020 - Mid-Ohio - Colton Herta

Mid-Ohio – Colton Herta. Foto: Divulgação / Matt Fraver / Indycar

Dessa forma, o melhor carro da equipe foi justamente o que anda aliado à parceria técnica com a Harding. Os pilotos da equipe “puro sangue”, porém, deixaram a desejar. Alexander Rossi fez uma temporada sofrível. Fez três pódios e uma série de outros resultados ruins. Para quem entra em toda temporada como postulante ao título, foi pouco.

Ryan Hunter-Reay parece andar eternamente colhendo os louros do título conquistado em 2012. Em sua 2ª temporada sem vitória consecutiva, não tem cadeira garantida para 2021. Marco Andretti, que mantém o tradicional nome da Curb-Agajanian no grid vivos, teve seu brilhareco fazendo a pole da Indy 500, mas teve como melhor resultado um magro 10º lugar. Ou seja, único top-10 do ano do herdeiro dos Andretti. Por fim, Zach Veach, prata da casa, só conquistou um 4º lugar na 1ª etapa da temporada, no Texas. De quebra, Veach ainda seria desligado da equipe, antes da rodada dupla do GP 2 de Indianápolis. E por enquanto, está à pé para a temporada 2021.

Em suma, a Andretti precisa na temporada que vem fazer valer seu nome e seu investimento para embolar ainda mais a luta pelo título.

 

Arrow McLaren SP

Já a Arrow McLaren SP foi a grata surpresa do ano. Com um equipamento digno, faltou apenas a vitória que consagrasse a equipe como uma das candidatas a colocar um de seus pilotos para lutar por algo a mais. De qualquer forma, parece pouco para tal. Patrício O’Ward foi extremamente regular durante toda a temporada. Por consequência, ele finalizou em 4º lugar no geral, mesmo sem vencer. Apesar disso foram 4 pódios, e o mexicano passou perto da vitória.

Fórmula Indy 2020 - Gateway - Pato O Ward

Fórmula Indy 2020 – Gateway – Pato O Ward – Foto: Divulgação / Joe Skibinski / Indycar

Além de O’Ward, que parece liderar o projeto da equipe agora, a equipe ainda contou com Oliver Askew. O rookie andou bem abaixo do companheiro, e apesar de alguns lampejos, colocou uma pá de cal para uma vaga na temporada que vem num fato curioso. Após o acidente em Indianápolis, Askew omitiu uma concussão que sofrera e continuou correndo. Muito tempo depois sentindo os efeitos da batida, a descoberta pegou muito mal para o jovem, que agora procura uma cadeira para o ano que vem. De qualquer forma, a equipe parece estar no caminho certo para se transformar numa das grandes, possivelmente.

 

Carlin, Carpenter, Rahal-Letterman

A Carlin tem cacife automobilístico para fazer mais. Enquanto não fixar um piloto para o ano todo e deixar de lado o hobby que é a carreira de Max Chilton, embora este seja provedor importante da equipe, não haverá evolução. Esse imbróglio acaba prejudicando a carreira de Conor Daly, que tem como mostrar mais, se tiver um carro só para o ano todo.

Daly entra também na Carpenter, onde correu diversas vezes no ano. O dono, Ed Carpenter, já não anda como antes nos ovais e não obteve destaque no quintal de sua casa como é de costume em Indianápolis. Sem dúvida, o ponto positivo foi o holandês Rinus Veekay. Rookie do ano, o piloto já estreou com pódio no misto de Indianápolis e parece ser um dos jovens promissores para o futuro.

Definitivamente, a Rahal-Letterman não tem o que reclamar. Sai de 2020 com uma Indy 500 no bolso, com a conquista do japonês Takuma Sato, pela 2º vez, vencedor da tradicional prova. Numa temporada muito regular, os dois pilotos da equipe (Sato e Gaham Rahal) terminaram o ano entre os 10 primeiros, sempre figurando bem nas corridas. É uma equipe organizada.

 

Fórmula Indy 2020 - Indy 500 - Chegada

Chegada da Indy 500. Foto: Divulgação / James Black / Indycar

 

Dale Coyne, Meyer Shank

A Dale Coyne, com suas parcerias técnicas para cada carro, parece ter se encontrado depois de muitos anos comendo poeira. Faz algum tempo que o time anda no meio do pelotão, dividindo curvas dignamente com outras equipes maiores.

Santino Ferrucci andou bem durante a temporada em vários momentos e chegou a um belo 4º lugar na Indy 500. Alex Palou, o rookie espanhol, chegou até o fim da temporada brigando com Rinus Veekay pela conquista de rookie do ano.

Indycar 2020 - Santino Ferrucci

Santino Ferrucci – Foto: Divulgação / Chris Owens / Indycar

A Meyer Shank, com a opção de colocar apenas um carro no grid durante todo o ano, não pode reclamar também. Jack Harvey fez bem seu serviço e apesar de começar mal, recuperou-se cravando vários top-10 durante o ano.

 

Já a tradicional Foyt…

Em suma, a Foyt depende de dinheiro e staff técnico. Uma das mais tradicionais equipes de automobilismo do mundo talvez tenha outra leve melhora para o ano que vem, como foi de 2019 para 2020, mas ainda falta muito.

O time de A.J. Foyt cedeu um carro full time a Charlie Kimball, que fez o que pode. Mas a situação fica explícita quando lembramos que Kimball, dos pilotos que correram todas as corridas do ano, só superou o anedótico Marco Andretti.

Talvez com a confirmação de Sebastien Bourdais para a temporada que vem, as coisas melhorem. O francês traz seu talento, aporte financeiro e staff técnico, tudo o que a equipe precisa agora. O time ainda teve Tony Kanaan, que sem carro não conseguiu fazer muito em sua hipotética temporada de despedida. O baiano ainda não jogou a toalha, porém, e se tiver cadeira chamando, ele deve aceitar.

Dalton Kellett foi outro que andou pela equipe. O jovem canadense endinheirado, cedendo uns tostões ao time pode se divertir, mas assim como nas categorias de base limitou-se a fechar o grid.

 

Os brasileiros

Hélio Castroneves despediu-se da Penske correndo na Indy 500, Apesar do desempenho fraco nos treinos, largou lá de trás e fez boa corrida, não devendo nada a todos os problemáticos carros propulsionados pela Chevrolet daquela corrida. Mesmo assim, Helinho ainda foi chamado para substituir Oliver Askew na rodada dupla do misto de Indianápolis, onde sofreu um pouco para se adaptar ao Arrow McLaren SP.

 

Tony Kanaan fez suas corridas “de despedida” nos ovais pela Foyt, e nem ele, nem ninguém, gostariam que sua vitoriosa carreira terminasse de forma melancólica.

Fórmula Indy 2020 - Texas - Tony Kanaan

Tony Kanaan no Texas. Foto: Divulgação / Joe Skibinski / Indycar

Sendo assim, os brasileiros estão no mercado. São muitas vagas em aberto ainda. A conquista delas é dificultosa, mas os dois devem estar interessados em negociar. Talento há de sobra. Os dois ainda estão em forma. Com um bom aporte, podem estar em 2021.

 

Roger Penske, o poderoso chefão

Em seu primeiro ano como dono de tudo, Roger Penske demostrou mais uma vez esportividade. Num campeonato seu, em pistas suas, botou seus carros e viu o adversário vencer. Portanto, não reclamou, nem virou mesa.

Há de se ressaltar o grande trabalho que o pessoal da Fórmula Indy fez para viabilizar a temporada durante a pandemia. As corridas eram confirmadas semanas antes, quase sempre, e apesar da dificuldade e do pouco tempo, realizaram uma grande temporada mais uma vez.

 

Aeroscreen

É lindo o novo carro da Indy. O aeroscreen é um equipamento seguro, que não tira a beleza do carro e que passou nos testes quando foi exigido. Dessa forma, lembramos aqui do susto no acidente entre Colton Herta e Rinus Veekay em Iowa, que nos fez sentir a segurança maior que piloto tem no bólido agora.

Mesmo assim, tudo é alvo de melhorias. Nas corridas diurnas, principalmente, o aeroscreen é muito quente e transforma o carro numa estufa. Pagenaud foi um dos que mais sofreram na temporada com isso, o que refletiu no resultado final.

Foram feitas algumas alterações visando a melhoria dessa situação, mas de uma temporada para a outra, há mais tempo de se buscar algo ainda melhor. Outro ponto importante, é que o centro de gravidade do carro agora é outro. O que altera em desgaste de pneus e consumo de combustível. Nada que tenha atrapalhado o certame, mas é um desafio a mais para as equipes agora.

 

Calendário da Fórmula Indy neste ano

Montado no susto, as pistas escolhidas não deixaram a temporada esfriar. Semanalmente havia alguma atualização da situação do calendário, e quase sempre a surpresa era boa.

Nessas, tivemos a solução prática encontrada pela categoria de lançar rodadas duplas, sábados e domingos, utilizando a sexta-feira também. Corridas com praticamente a mesma duração caso fossem únicas, trouxeram um dinamismo maior ao calendário.

Portanto, ponto positivo para a Fórmula Indy que encontrou uma solução melhor que a Fórmula 1, neste ponto. Se por um lado a categoria europeia poderia ter pensado nessa solução, por outro sediou duas corridas no mesmo lugar com uma semana de diferença. Formas de pensamentos diferentes.

 

Menos ovais na Fórmula Indy no ano que vem

Sabendo que a IndyCar prioriza ter bons mistos durante a temporada, é importante salientar que isso atrai pilotos advindos da Europa buscando vagas. António Felix Da Costa é um talentoso europeu, que pode deixar a Fórmula E e Portugal para trás e de repente desembarcar na Indy.

De fato, nos últimos tempos, esse aumento dos mistos atraiu muita gente formada na Europa. Isso é muito importante para o desenvolvimento mundial da categoria, que apesar de correr apenas na América do Norte, tem um grid repleto de estrangeiros.

Dessa forma, para quem gosta de ovais, porém, serão apenas três. É até aqui uma mostra de que a IndyCar está modificando conceitos, mas que ao menos não deve perder sua essência velocista.

 

2021 está chegando

A próxima temporada da Fórmula Indy promete, e muitas vagas ainda estão em aberto, em equipes grandes e pequenas. Apenas a Penske fechou seu quarteto, na ousadia de colocar 4 carros, como a Penske nunca foi muito afeita. Por outro lado, a Andretti tem vagas abertas e além de Colton Herta e Alexander Rossi, não confirmou ninguém. Sequer a presença de Marco Andretti ou Hunter-Reay está garantida.

Nessa toada, a Ganassi também busca mais um piloto para dividir o carro com o já confirmado Jimmie Johnson. Dixon ainda é o “dono da equipe”, porém.

Fórmula Indy 2020 - Paddock de St. Petersburg

Paddock de St. Petersburg. Foto Divulgação / Chris Jones / Indycar

Já a Arrow McLaren SP confirmou O’Ward e está em vias de confirmar Felix Rosenqvist. A Rahal confirmou Takuma Sato e Graham Rahal. A Meyer Shank segue com Jack Harvey. Rinus Veekay segue na Carpenter. E a Foyt confirmou Sebastien Bourdais.

 

O mercado da Fórmula Indy

A Dale Coyne e a Carlin ainda não fizeram anúncios. Algumas equipes ainda podem aumentar em um ou dois carros seus elencos. E por enquanto, tem bastante gente como opção no mercado.

James Hinchcliffe, Zach Veach, Hélio Castroneves, Tony Kanaan, Antônio Félix da Costa, Marcus Ericsson, Conor Daly, Ryan Hunter-Reay, Charlie Kimball, Felipe Nasr… Muitos são os interessados.

Fórmula Indy 2020 - Largada do St. Petersburg

Largada do St. Petersburg – Foto: Divulgação / Chris Jones / Indycar

Dessa forma, muitos nomes ainda devem surgir e certamente a maior parte das corridas em mistos deverá atrair pilotos de fora. Dessa forma, espera-se novamente, mais uma grande temporada da IndyCar Series em 2021.

Foto destaque: Divulgação / Joe Skibinski / Indycar

Danilo Dias

Danilo Dias

Danilo Dias é formado em Tecnologia em Futebol, pós-graduado em Jornalismo Esportivo e Negócios do Esporte e atualmente é estudante de Direito. Apaixonado por futebol, aficionado por automobilismo[...]

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