O fim do tobogã e mais uma era ao clássico Pacaembu

O fim do tobogã e mais uma era ao clássico Pacaembu

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domingo, 17 setembro 2017
Futebol Brasileiro

Atualmente, o Estádio Paulo Machado de Carvalho vive das memórias ainda recentes dos grandes jogos do Corinthians e do Palmeiras quando ainda não viviam a fase do advento das novas arenas, além dos mandos de campo do Santos, quando este sobe a serra pra jogar na capital. O fato é que, mesmo construído há quase setenta anos, o Pacaembu está longe de ser obsoleto. Com um espaço externo adequado ao recebimento do público (algo que a Arena Palmeirense não atingiu mesmo com a suntuosa reforma), boas entradas principalmente para as arquibancadas verdes e amarelas, capacidade de público bastante satisfatória para a maioria dos jogos, maravilhosa visão do terreno de jogo de todas as arquibancadas, fora a excelente localização dentro da capital, o estádio com pequenas modificações (principalmente na estrutura dos banheiros) se tornaria superior a maioria dos estádios brasileiros.

Visão do tobogã. Foto: Francisco Pinheiro / Portal Prefeitura de São Paulo.

O fato a ser destacado é que, como todos os times paulistas hoje possuem seus estádios de acordo com suas  necessidades, o Pacaembu se tornou um espaço histórico. Por toda a sua história, por ser a casa do museu do futebol e por contar com um bom espaço poliesportivo anexo a sua estrutura, o estádio merece a atenção de uma filosofia multidisciplinar. Uma estrutura para o atletismo, juntamente com a adaptação do estádio para outros diversos esportes valorizaria o espaço, além de oferecer um espaço de luxo para modalidades que hoje sofrem para encontrar casas fixas e devidamente estruturadas, o que torna o Pacaembu em um espaço ideal para tal.

 

Levando em conta novamente que cada equipe de futebol agora tem seu estádio, o tobogã saindo de cena para a entrada de uma nova concha acústica idêntica a antiga seria o ideal para contar a história do espaço adequadamente. Além disso, a capacidade do estádio ainda giraria em torno de 30.000 pessoas, satisfatório para a grande maioria das modalidades, além de continuar sendo uma boa capacidade para clubes de futebol que eventualmente desejassem mandar seus jogos no recinto.

Anos de futebol no Pacaembu com o tobogã presente, porém, jamais poderiam ser esquecidos. Um setor popular, barato, do povo. O mesmo povo que fez o futebol ser o que é nos dias de hoje. Muito se deve ao povo que juntava módicas quantias para se acumular, quase espremidos, num espaço simples, sem arquitetura bonita, sem conforto, mas com energia de sobra, pra empurrar qualquer agremiação à vitória. Qualquer setor popular no futebol deve ser sempre presença da história do desporto. Hoje, o tobogã pode ser um patinho feio dentro de um lugar tão belo e rico, mas sua história jamais deverá ser deixada de lado. Demolido ou não, o tobogã escreveu sua história. E essas lembranças ficarão na mente de quem muito pisou naquele cimento.

Visão frontal do tobogã Foto: Site da Federação Paulista de Futebol.

Que volte a concha ou que fique o tobogã. O que quer que aconteça, o Pacaembu ainda é o Pacaembu, e jamais deixará de ser. Que os responsáveis saibam com sensibilidade dar o melhor destino possível ao estádio mais tradicional de São Paulo e um dos mais históricos do Brasil.”

 

A demolição

O Conselho Municipal de Preservação de Patrimônio Histórico Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo – a Compresp – liberou a cobertura e a demolição do tobogã.

Marcelo Manhães, da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em São Paulo defendeu a posição pela demolição: “O tobogã é uma coisa espúria, que interfere negativamente na anatomia do complexo. A demolição dele é positiva no sentido de integrar a área esportiva com o estádio. E o tobogã não pode ser utilizado para a manifestação dos torcedores que gostam de subir e descer quando comemoram gols. Isso seria perigoso, pois o local e bastante inclinado. Para mim seria muito bom ter de volta a concha acústica, símbolo nostálgico daquela época áurea”.

 

História

O Estádio do Pacaembu foi inaugurado no dia 27 de abril de 1940 para uma capacidade de 70 mil espectadores. Na inauguração, o estádio foi considerado o maior e mais moderno estádio da América do Sul. A cerimônia de inauguração contou com a presença do então presidente Getúlio Vargas e também do prefeito Prestes Maia.

O jogo inaugural ocorreu no dia seguinte, no dia 28 de abril de 1940, numa partida entre o Palestra Itália (Palmeiras) e o Coritiba. A vitória foi do Palestra por 6 a 2. Porém, o autor do primeiro gol do novo estádio foi do Zequinha do Coritiba.

No detalhe, a Concha Acústica na década de 1960. Foto: Acervo/Estadão.

O Palestra Itália também foi o primeiro time a conquistar um título no Pacaembu, a Taça Cidade de São Paulo de 1940. Em 1950, o Pacaembu passou por uma ampla reforma para receber o maior evento esportivo de sua história: a 4ª Copa do Mundo da FIFA. No total, o Pacaembu recebeu seis partidas daquele Mundial, sendo três delas pelo quadrangular final.

Em 1963 o Estádio do Pacaembu recebeu os jogos Pan-americanos que foram sediados em São Paulo. Era apenas a quarta edição dos jogos e a primeira realizada no Brasil. O Brasil ficou em 2º lugar no quadro de medalhas, com 14 ouros, 20 pratas e 18 bronzes.

 

A Concha acústica que foi demolida para ampliação do Pacaembu. Foto: Acervo/Estadão

O tobogã só passou a existir em 1970, quando o prefeito Paulo Maluf demoliu a Concha Acústica, obra que havia sido construída e inaugurada em 1958 em homenagem aos Campeões do Mundo da Copa da Suécia. Justamente no lugar da Concha, construiu-se o tobogã, que atualmente completa 47 anos de existência. O motivo da construção foi ampliar a capacidade do estádio e abrigar mais dez mil pessoas – capacidade da arquibancada do tobogã.

 

Foto de capa: Caio Pimenta/ SPTuris / Divulgado em cidadedesaopaulo.com

 

Redatores da Matéria:
Danilo Dias, de São Paulo, sobre a demolição do Tobogã.
Luiz Máximo, de São Paulo, sobre a histórica do Estádio do Pacaembu e da construção do Tobogã.

Pesquisa fotográfica, revisão e finalização: Paulo Arnaldo, de São Paulo.

Paulo Arnaldo do Amaral Lima

Paulo Arnaldo, paulista, CEO da Poliesportiva, jornalista, apresentador e narrador esportivo. Conhecido no meio jornalístico como P.A., Paulo Arnaldo tem vasta experiência desde 2008 no jornalismo e[...]

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