O carisma e a longevidade de Serginho

O carisma e a longevidade de Serginho

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quinta-feira, 08 dezembro 2016
Vôlei

Poucos são os atletas que conseguem manter um alto desempenho por tanto tempo, principalmente após os 40 anos de idade. Se, por um lado, a experiência, o conhecimento e a vivência na modalidade praticada ajudam, por outro, o corpo e os reflexos já não são os mesmos do início de carreira. Mais raros ainda são os esportistas que se tornam, ainda que considerados longevos demais por alguns poucos, unanimidade. E que, além de quebrarem recordes (pessoais e coletivos) e de conquistarem o mundo e fãs ao redor dele tantas vezes, ainda o fazem como se fosse a primeira delas. Com talento, garra, vibração e, principalmente, humildade.

Serginho anunciou que deve ainda jogar mais dois anos – Foto: Divulgação/Sesi-SP

Filho de lavradores de café nascido em Diamante do Norte, no Paraná, Sérgio Dutra dos Santos, o Serginho, líbero do Sesi-SP, é uma dessas sumidades. Além de tudo o que faz dele um dos maiores atletas brasileiros em atividade, há também um outro ponto que nem todos têm: carisma, seja ele nas quadras junto aos companheiros e torcida ou então nas ruas de Pirituba, bairro da periferia da Zona Noroeste de São Paulo onde passou a infância, quando os pais tentavam uma vida mais digna em São Paulo, e hoje mora com a família.

Em Pirituba, Serginho volta a ser moleque. Joga bola (uma espécie de treino também para as suas defesas e passes com o pé, no vôlei), toma tubaína no bar, café na padaria, conversa com vizinhos e lava o carro na rua. Desde que lá chegou, Serginho só esteve longe de Pirituba, onde já vendeu gelinho e água sanitária, quando jogou na Itália – defendeu o Piacenza por quatro temporadas – e nos tantos jogos que fez em 15 anos de seleção brasileira. Entrou no time no momento em que Bernardinho assumiu o comando, em 2001, e só o deixou bicampeão olímpico. Com honra, por cima.

Serginho foi convocado para a seleção pela primeira vez em 2001, quando Bernardinho assumiu o comando – Foto: Divulgação/FIVB

Nesse ínterim, foi eleito, em 2009, melhor jogador do mundo, novidade para um líbero. E, após anunciar a primeira aposentadoria da seleção, depois da prata em Londres-2012, voltou a ser convocado pelo técnico mais de dois anos depois. Precisando de liderança no time, Bernardinho não hesitou e o convenceu a voltar. E fez história, mais uma vez.

Único brasileiro a disputar quatro finais olímpicas consecutivas, Serginho ainda deve jogar mais dois anos, segundo declarou após o ouro no Rio de Janeiro. Depois, pensa em se dedicar ao haras que tem em Jarinu, interior paulista. “Quero ficar no meio do mato, de onde eu vim”, já avisou. E terá todo o tempo para curtir uma outra paixão, essa desde criança, os cavalos. Até lá, teremos o privilégio de mais algumas vezes assistirmos Serginho em quadra, agora não mais pela seleção, porém sempre com seu talento, gana e humildade contagiantes.

Leonardo Guandeline

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