NBA verde e amarela: a história dos nossos melhores

NBA verde e amarela: a história dos nossos melhores

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segunda-feira, 01 fevereiro 2021
Step-back pela história

No nosso país de proporções continentais, nunca faltou talento quando o assunto é esporte. Assim como somos a nação do futebol, também sempre estivemos em destaque na elite de outras modalidades. Ora com gerações douradas no vôlei, ora com Ayrton Senna nas pistas da Fórmula 1 ou com Guga nas quadras de tênis, entre tantos outros nomes. Da mesma forma, mostramos excelente qualidade no mundo da bola laranja, seja na NBA ou em qualquer parte do mundo.

Por: Davi Ferreira, Rio de Janeiro-RJ

O basquete brasileiro sempre foi competitivo e um dos principais esportes do país. Por isso, é muito comum ver crianças brincando nas quadras das escolas e das ruas. Na conta da nossa Seleção masculina, há de se destacar os títulos dos Mundiais de 1959 e 1963 (vices em 1954 e 1970), as três medalhas de bronze olímpicas (1948, 1960 e 1964), e os vários ouros pan-americanos e títulos no continente. Do mesmo modo, a Seleção feminina detém o Mundial de 1994, a medalha de prata nas Olimpíadas de 1996, e os mesmos títulos sul-americanos.

Diante do currículo pesado de uma escola expressiva do basquete mundial, não tem como deixar de lembrar dos nossos representantes que já estiveram no maior escalão do esporte: a NBA, liga dos Estados Unidos. Vários ótimos nomes passaram por este campeonato e alguns marcaram época. A saber, foi a partir dos anos 80 que eles começaram a figurar nessas quadras, e até hoje buscam seu espaço entre os melhores do planeta. Nas temporadas 2015/2016 e 2016/2017, vivemos o auge com nove jogadores totais. A partir de agora, a coluna Step Back pela história mostra os melhores e mais importantes brasileiros na história do basquete estadunidense.

#1: LEANDRINHO

Para encabeçar essa lista, tem que aparecer o único brasileiro a ter conquistado um troféu individual na NBA, que recompensou todo o seu sucesso. Inegavelmente, Leandro Barbosa acumulou uma ótima reputação desde que entrou na liga. Uma vez que foi escolhido pelo San Antonio Spurs na 28ª posição do draft de 2003, o ala acabou sendo trocado para o Phoenix Suns, por onde acabou jogando por sete temporadas. Nesse tempo, atuou ao lado de grandes nomes como Steve Nash (MVP em 2005 e 2006), Amar’e Stoudemire, Shawn Marion e Shaquille O’Neal. Também alcançou três finais da Conferência Oeste. Sobretudo, ganhou o prêmio de Sexto Homem da Temporada em 2006/2007. Assim que deixou Phoenix, Leandrinho passou por Toronto Raptors, Indiana Pacers, Boston Celtics e mais uma vez pelos Suns.

Em 2014/2015, desembarcou na Califórnia para atuar no Golden State Warriors. Decerto, mal sabia que faria história. Junto de Stephen Curry, Klay Thompson, Andre Iguodala e outros, sagrou-se campeão da liga após final contra o Cleveland Cavaliers. Dessa maneira, tornou-se o segundo brasileiro campeão da história da liga, com médias de 10.7 minutos, 5.2 pontos e 1.7 rebotes na série. Da mesma forma, chegou às finais no ano seguinte, mas perdeu para os mesmos Cavs e saiu da franquia. Ainda atuou pela última vez nos Suns em 2016/17 e voltou para o Brasil. Em 13 temporadas nos EUA, o Brazilian Blur fez 850 jogos, com médias de 21.6 minutos, 10.6 pontos, 2 rebotes e 2.1 assistências. Após anunciar sua aposentadoria do basquete, em setembro de 2020, voltou à organização. Ele aceitou o convite do treinador Steve Kerr para integrar a comissão técnica dos Warriors.

Leandrinho: campeão da liga e único brasileiro com um troféu individual na história. (Foto: Jesse D. Garrabrant/NBAE via Getty Images)

#2: NENÊ

Quando falamos de longevidade na NBA, é obrigatório citar Nenê Hilário. O pivô é o jogador brasileiro com mais temporadas e partidas disputadas na história da liga: 965 em 18 anos. Além disso, carrega um marca importantíssima: a de ter sido nosso representante escolhido mais cedo no draft, pois, em 2002, o New York Knicks o selecionou na 7ª posição geral. Logo após, foi envolvido em uma troca com o Denver Nuggets. Assim, Maybyner Rodney Hilario começou a escrever seu legado. Logo na primeira temporada, integrou o time de calouros do ano, com médias de 28.2 minutos, 10.5 pontos, 6.1 rebotes e 1.6 roubo de bola. Dessa forma, jogou em alto nível por quase dez temporadas no time do Colorado.

Nos Nuggets, jogou junto de caras como Carmelo Anthony, Allen Iverson, Marcus Camby e Chauncey Billups. Em 2008/09, perdeu a final do Oeste para os Lakers. No meio da temporada 2011/2012, foi trocado para o Washington Wizards. Em 2016/17, chegou ao Houston Rockets, onde perdeu a final do Oeste em 2017/2018. Na última temporada da liga, foi envolvido numa troca e terminou sem time. Mesmo se Nenê não retornar, há de se destacar suas médias na liga de 26.2 minutos, 11.3 pontos, 6 rebotes, 1.7 assistências e 1.08 roubos de bola.

#3: ANDERSON VAREJÃO

Chegou o momento de falar sobre uma cabeleira que foi referência por muito tempo. De fato, Varejão se tornou um personagem muito relevante nos EUA, como nenhum outro brasileiro, só que foi muito mais do que isso e marcou sua época na NBA. No ano de 2004, o Orlando Magic escolheu o pivô na 30ª posição do draft, mas aí ele foi mais um trocado, no caso para o Cleveland Cavaliers. Assim, jogou quase que a totalidade da sua carreira na franquia de Ohio. Com os Cavs, foi parceiro de LeBron James, e perdeu as finais de 2007 e 2015, e a final do Oeste de 2009. Sempre se destacou no garrafão e até compôs o segundo time defensivo da liga na temporada 2009/2010.

Após quase 12 anos completos, os Cavs o envolveram numa troca em fevereiro de 2016, mas ele acabou sem time. Logo após, assinou com seu algoz da temporada anterior, o Golden State Warriors. Dessa vez, Varejão acumulou o vice do lado californiano, após perder a final para o ex-time. Detalhe: estava junto de Leandrinho. Na temporada seguinte, os Warriors o dispensaram em fevereiro e conquistaram mais um título. Mesmo assim, sem ser considerado campeão, ele aceitou o anel da conquista. A verdade é que também sofreu com diversas lesões ao longo da carreira, o que minou parte de seu potencial. Mesmo assim, somou 626 jogos e médias de 24 minutos, 7.2 pontos, 7.2 rebotes, 1.1 assistências e 0.65 tocos.

#4: TIAGO SPLITTER

Eis aqui o jogador que escreveu um capítulo histórico do basquete brasileiro. Em 2014, Splitter foi o nosso primeiro jogador que conquistou o trófeu Larry O’Brien. O pivô realizou este feito na temporada 2013/14, com o San Antonio Spurs. Ele foi selecionado na 28ª posição do draft de 2007, pela própria franquia texana, mas só estreou em 2010. Compôs o elenco de Gregg Popovich, e chegou ao topo da NBA, ao lado de lendas como Tim Duncan, Manu Ginobili, Tony Parker e Kawhi Leonard, ao vencer o Miami Heat na decisão. No ano anterior, havia sido vice-campeão para o mesmo time.

Splitter teve médias de 16.8 minutos, 6.2 pontos, 3.4 rebotes e 2 assistências na série, e assim, inaugurou a galeria de campeões verde e amarelos na maior liga do mundo. Ele saiu em 2015, e ainda jogou por Atlanta Hawks e Philadelphia 76ers, até se despedir em 2017, sofrendo com lesões no quadril. Somou 355 jogos e médias de 19.1 minutos, 7.9 pontos, 5 rebotes, 1.2 assistências e 0,6 tocos. Hoje em dia, ele faz parte da comissão técnica do Brooklyn Nets, sendo treinador de desenvolvimento desde 2018.

Splitter: primeiro brasileiro campeão da NBA. (Foto: Jesse D. Garrabrant/NBAE via Getty Images)

#5: HUERTAS

Um dos grandes armadores desta geração do basquete brasileiro (se não o melhor), Marcelinho Huertas, inegavelmente, alcançou o estrelato na Espanha. Afinal, marcou época em times como Barcelona Joventut, e está no Canarias atualmente. Entretanto, ele também teve sua passagem pela melhor liga do mundo e defendeu a camisa pesadíssima do Los Angeles Lakers. Assim, ele chegou à Califórnia para a temporada 2015/2016. E é bem verdade que não encontrou a franquia tão bem organizada. Foi difícil para ele chegar a um time que vivia às vésperas da despedida de Kobe Bryant das quadras, e onde ele não fazia parte da reconstrução do elenco.

Apesar do esforço, as mentiras, hierarquias e diferenças de ambiente inviabilizaram seu sucesso. Mesmo assim, escreveu suas curtas páginas no basquete estadunidense, e sua qualidade no esporte sempre foi inquestionável. O sonho terminou em fevereiro de 2017, com uma troca e uma dispensa indesejada. Após isso, voltou à Espanha. No total, Huertas fez apenas 76 jogos, com médias baixas de 14.6 minutos, 3.9 pontos, 1.5 rebotes e 3.1 assistências. Azar da NBA que não contou com seu brilho máximo.

PIONEIROS

Você já percebeu que nossos representantes mais brilhantes começaram a pisar nas quadras só a partir dos anos 2000, mas sabe quem foi o primeiro a fazê-lo? Para isso, vamos ter que voltar ao draft de 1988, quando o Portland Trail Blazers fez a 26ª escolha daquela seleção, a primeira da segunda rodada. Dessa forma, naquele dia, o pivô Rolando Ferreira se tornava o primeiro brasileiro a jogar na NBA. Ele atuou apenas na temporada 1988/99, realizando 12 partidas, com média de 2.8 minutos por partida e um total de nove pontos. Foi um curto tempo para ele, mas um grande passo para nossa história no basquete.

Embora Ferreira tenha sido o primeiro a jogar, um atleta já havia sido notado 12 anos antes. Em 1976, os mesmos Trail Blazers escolheram Marquinhos Abdalla, numa longínqua 162ª posição daquele draft. Mas nunca entrou em quadra, pois o basquete no resto do mundo não era profissionalizado, e ele perderia o direito de jogar na Seleção. No século passado, ainda podemos destacar João “Pipoka” Vianna, que em 1991 se tornaria o segundo brasileiro na história da liga. Ele foi convidado pelo Dallas Mavericks, mas jogou apenas uma partida por lá, fazendo dois pontos e dando duas assistências em nove minutos.

Ferreira, um pioneiro em quadras americanas (Foto: reprodução/arquivo pessoal)

VOCÊ SE LEMBRA DELES?

Há anos que olhamos para o cenário nacional e lá estão Marquinhos e Alex Garcia desfilando seus talentos. Mas sabia que eles já passaram pela melhor liga do mundo? É verdade. Assim, em 2003, o “Brabo” Alex chegou ao San Antonio Spurs de Popovich e companhia. Todavia, mesmo prometendo bastante, quebrou o pé esquerdo antes da temporada começar. Posteriormente, lesionou o joelho esquerdo, o que inviabilizou sua permanência no Texas.

Logo após, em 2004, recebeu uma chance no New Orleans Hornets, mas uma nova lesão no joelho esquerdo encerrou sua carreira na NBA. Totalizou apenas dez jogos e médias de 15.9 minutos e 4.7 pontos. Semelhantemente, em 2006, Marcus Vinícius chegou aos Hornets, como a 43ª escolha daquele draft. Permaneceu na franquia por duas temporadas, mas sem sucesso, o ala acabou trocado e dispensado em 2008. No total, somou 26 partidas e médias de 6.6 minutos e 1.9 pontos.

NOVA GERAÇÃO

Conforme dito no início do texto, vivemos o auge do número de brasileiros na NBA há alguns anos. Naquele momento, havia uma mistura interessante de veteranos passando o bastão a promessas do nosso basquete. Por isso, é válido citar os nomes que estão tentando trilhar o caminho da glória no esporte. Primeiramente, há de se falar de Raulzinho. O armador já acumula uma boa experiência de 253 partidas em cinco temporadas. Ele chegou ao Utah Jazz em 2015, jogou a última temporada no Philadelphia 76ers, e agora está no Washington Wizards. Sem dúvida, é o nome em que mais depositamos esperança de sucesso.

Da mesma forma, falemos de Bruno Caboclo, ala que chegou à liga em 2o13, como a 20ª escolha do Toronto Raptors no draft. Além da franquia canadense, passou por Sacramento KingsMemphis Grizzlies e Houston Rockets. Ambos os jogadores estiveram presentes nos playoffs da última temporada. Só que, infelizmente, o ala foi dispensado da franquia texana após troca no último mês de janeiro, e ficou sem time. Por fim, contamos com o pivô Cristiano Felicio no Chicago Bulls, que está buscando seu espaço na franquia, com um elenco jovem, em processo de reconstrução e tentando reencontrar seus melhores dias.

O MAIOR DE TODOS DISSE “NÃO”

Não há duvida de que Oscar Schmidt é o maior e melhor jogador do basquete brasileiro em todos os tempos. Sua carreira de quase 30 anos foi de muito sucesso na Seleção, no basquete nacional e europeu. Para além das camisas aposentadas em vários times e o fato de ser o recordista de pontuação da história do esporte (49.737 pontos), o Mão Santa também está no Hall da Fama, onde foi introduzido em 2013 e recebeu a homenagem das mãos de Larry Bird. Entretanto, Oscar teve a chance de jogar na NBA, mas a recusou.

Após ser selecionado pelo New Jersey Nets na 131ª escolha do draft de 1984 (o mesmo de Michael Jordan), ele optou por não jogar. Como o resto mundo não tinha profissionalizado o basquete, ele não poderia mais atuar pela Seleção, que era sua prioridade. Ainda assim, com uma carreira reconhecida mundo afora, recebeu homenagens especiais da liga em 2017. O agora Brooklyn Nets o entregou um quadro personalizado com sua camisa 14. Além disso, também participou de um jogo de exibição no All-Star Weekend daquele ano. E aí, Oscar teria marcado época na melhor liga do mundo?

Acaba aqui a lista dos melhores brasileiros que já passaram pela NBA. Com mais ou menos tempo, todos deram seu máximo quando tiveram a oportunidade. Ainda há alguns outros que outros que conseguiram chegar lá, mas não tiveram tempo para se destacar. E para você, quem foi o mais importante? Quem será o futuro do nosso país nas quadras dos EUA? Esperamos que os próximos anos confirmem expectativas ou apresentem novos personagens, que possam manter nossa tradição no esporte da bola laranja.

Foto destaque: Reprodução/Wander Roberto/Inovafoto

Davi Ferreira

Davi Ferreira

Escolhi o jornalismo por causa da paixão pelo esporte, principalmente. Sempre acompanhei as mais diversas modalidades pelo mundo e pensava que só podia trabalhar com isso. Assim que entrei na faculd[...]

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