NBA: em protesto, Raptors e Celtics ameaçam boicotar jogo 1 das semifinais

NBA: em protesto, Raptors e Celtics ameaçam boicotar jogo 1 das semifinais

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quarta-feira, 26 agosto 2020
NBA

Por conta dos recentes acontecimentos nos Estados Unidos, jogadores dos Raptors e Celtics cogitam a possibilidade de não entrar em quadra nesta quinta-feira (27). Os times se enfrentariam no jogo 1 da semifinal da NBA. Ademais, outras equipes podem fazer o mesmo. Em síntese, Jacob Blake, negro norte-americano brutalmente baleado nas costas por policiais, está paralisado da cintura para baixo.

Por Danyela Freitas, Goiânia-GO

O rapaz de 29 anos foi baleado por sete vezes e, segundo os advogado da famílias, “Blake precisa de um milagre para voltar a andar”. A partir disso, jogadores da NBA analisam a possibilidade de não haver jogo e, assim, protestarem contra a violência policial e o racista. De acordo com o jornalista Chris Haynes, do Yahoo Sports, a NBPA (Associação Nacional de Jogadores de Basquete dos Estados Unidos) está conversando com os atletas sobre a possibilidade de boicotar os jogos.

Ainda segundo o jornalista, fontes disseram que houve uma assembleia, na bolha da Disney, com os jogadores, que falaram estar “emocionalmente abalados”. Na reunião, portanto, estavam presentes o astro do Oklahoma City Thunder, Chris Paul, que é o presidente da NBPA, e Andre Iguodala, vice-presidente, que mostraram apoio à causa. Além disso, os corações dos jogadores estariam pesados e alguns sentindo intensa culpa por jogar e por estarem proporcionando entretenimento. Dessa maneira, estariam abafando as injustiças que estão assolando os Estados Unidos.

Na bolha da NBA, técnico dos Clippers desabafa

Depois da vitória dos Los Angeles Clippers sobre o Dallas Mavericks por 154 x 111, na noite de terça-feira (25), e, dessa forma, assumir a liderança da série por 3-2, o técnico dos Clippers, Doc Rivers, fez um apelo. Com lágrimas nos olhos, pediu para que os policiais tratassem os negros com a decência com que tratam todos os outros cidadãos americanos. 

O que me chama a atenção é apenas assistir à convenção republicana. Tudo o que você ouve de Donald Trump e de todos eles falando é sobre medo. Entretanto, somos nós [negros] que morremos. Somos nós que levamos os tiros. Foi para a gente que foi negado o direito de viver em certas comunidades. Fomos enforcados. Fomos baleados e tudo o que você faz é continuar ouvindo sobre o medo. É incrível para mim, porque continuamos amando este país, embora este país não nos ame de volta. E é muito triste”, disse Rivers, enquanto tirava a máscara que dizia “Vote”.

Rivers pede aos policiais mais proteção aos negros

Por fim, destacou a irresponsabilidade dos policiais na abordagem a pessoas negras nos Estados Unidos. Anteriormente, foi levantada a bandeira do movimento Black Lives Matter, ou, em português, Vidas Negras Importam. A ação chama a atenção da relevância do combate ao racismo no mundo inteiro.

[…] Somos frequentemente lembrados por nossa cor. Temos que fazer melhor, mas temos que exigir mais. É tão engraçado. Nós protestamos e eles mandam guardas de choque, enviaram pessoas em trajes de guerra. Pessoas brancas vão a Michigan com armas e estão cuspindo na polícia, e nada acontece. O treinamento tem que ser mudado na polícia. Meu pai era policial. Eu acredito em bons policiais. Estamos tentando fazer com que eles nos protejam, assim como protegem todos os outros. […] Somos nós [negros] que precisamos ter medo. Somos nós que temos que falar com cada criança negra. Que pai branco tem que ter com o filho uma conversa sobre ser cuidadoso se você for parado [por policiais]? É simplesmente ridículo e continua acontecendo. Breonna Taylor, sem acusações, nada. Tudo o que estamos pedindo é que vocês [policiais] cumpram a Constituição. É tudo o que pedimos para todos, para todos. Obrigado”, finalizou o treinador dos Clippers, Doc Rivers.


Foto destaque: Reprodução/David Sherman/NBAE via Getty Images

Danyela Freitas

Danyela Freitas

Sou goianiense, graduada em Letras pela Universidade Federal de Goiás (UFG), pós-graduada em Jornalismo Esportivo pela Estácio-SP e tenho três grandes paixões: a escrita, a leitura e o esporte (n[...]

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