Na Fórmula 1, os pilotos correm mesmo como um?

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quinta-feira, 30 julho 2020
Fórmula 1

Eles ainda precisam mostrar que correm, de fato, como um. O GP da Inglaterra, em Silverstone, dará aos pilotos e a Fórmula 1 mais uma chance para demonstrar isso.

Por: Carol Sales, de Frei Miguelinho, PE

Nesse domingo (2) haverá o GP da Inglaterra. A quarta etapa do campeonato será em casa para George Russell, Lando Norris e Lewis Hamilton. Sabe-se que casa é sinônimo de conforto. Contudo, o acolhimento da causa antirracista pela categoria tem incomodado o hexacampeão mundial, o único negro do grid.

Como foram as manifestações antirracistas nos três primeiros GPs

Hamilton precisou novamente chamar a atenção da Fórmula 1 após o GP da Hungria. Tal ocorrência não foi por acaso nem por militância exagerada. Percebe-se que a forma que o ato antirracista realizado antes das corridas ainda é confuso e apressado. Na prova do país do Leste Europeu isso ficou bem evidente, quando a manifestação, até de acordo com o próprio Hamilton, “foi uma correria”. Vale lembrar que no GP da Áustria, primeira corrida do ano, o ato foi mais organizado, mas isso não se repetiu nos GPs da Estíria e Hungria. Ainda cabe salientar que nas três ocasiões, nem todos os pilotos se ajoelharam em apoio a algo tão importante para a sociedade.

No momento da manifestação, eles vestem camisas pretas pedindo o fim do racismo. Contudo, ainda há a sensação de que tanto essa mensagem quanto a da campanha We Race As One, que é a favor da diversidade e inclusão, não estão sendo tratadas com a importância que merecem.

Além de criticar a Fórmula 1, Hamilton também questionou Romain Grosjean. O piloto da Haas é o presidente da Associação dos Pilotos. Ambos conversaram sobre a importância de a mensagem antirracista continuar sendo propagada, mas Hamilton disse que Grosjean “não acha importante fazê-lo”. Para o francês, a mensagem passada no GP da Áustria já foi suficiente.

O posicionamento de Grosjean não é unanimidade. Percebe-se que há no grid quem está alinhado com o objetivo de se unir continuamente na luta antirracista. Lando Norris, compatriota de Hamilton, é um exemplo. O piloto da McLaren concordou que não houve um momento adequado para a manifestação. Ele ainda ressaltou a importância de se ajoelhar e porque o fez, pois “quer promover o maior impacto que puder pelo fim do racismo”.

Como será em Silverstone?

Após a indignação de Hamilton, a Fórmula 1 assegurou que em Silverstone haverá um momento mais organizado em que os pilotos poderão se manifestar. Norris também garantiu que haverão “uma estrutura e um plano melhores à disposição” nesse domingo. Cabe à Fórmula 1 se organizar para que o pré corrida não seja mais apressado que o normal. Dessa forma, a realização do ato não será comprometida, como aconteceu na Hungria.

A Fórmula 1 ainda é muito elitista e dominada por brancos. Não é novidade para ninguém que isso afasta tanto negros, mulheres e comunidade LGBTQIA+ desse esporte. Espera-se que Hamilton não precise ficar continuamente questionando porque a luta para a inclusão desses grupos não está sendo efetivamente feita. Sabe-se do alcance mundial que a Fórmula 1 tem. Com isso, o uso dessa plataforma para unir pessoas acima de qualquer coisa se faz essencial. Domingo será mais uma chance para os pilotos e a categoria demonstrarem que estão mesmo correndo como um. Será que estão mesmo? Vamos aguardar para ver.

Foto destaque: Reprodução / Florent Gooden / DPPI / FIA

Carol Sales

Carol Sales

Estudante de jornalismo, curiosa e aberta a novos desafios. Apaixonada por esportes, tendo uma relação especial com o automobilismo desde pequeninha. Instagram: @carol.sales_

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