Murilo Becker, pivô do São Paulo e multi-campeão pela seleção, abre o jogo em live poliesportiva

Murilo Becker, pivô do São Paulo e multi-campeão pela seleção, abre o jogo em live poliesportiva

Like
439
0
terça-feira, 09 junho 2020
Entrevistas

Murilo Becker, pivô do São Paulo na NBB, concedeu uma entrevista à Rádio Poliesportiva nesta segunda-feira (08). Confira abaixo os principais destaques da exclusiva. Confira a entrevista na íntegra neste link.

Texto por: Carlos Eduardo Fernandes Maciel, São Paulo, SP

Murilo Becker da Rosa, de 36 anos, é um dos principais nomes do São Paulo Basquete. Durante oito anos, defendeu a seleção brasileira, ganhando diversos títulos, tanto pelo país, quanto por seus clubes. Dentre eles, um Campeonato Brasileiro (2002) e cinco Paulistas. Dois Pan-Americanos (2003 e 2007), uma Copa América (2005), dois  Sul-Americanos (2006 e 2010) e uma Liga das Nações

Treinamento

– Devido à pandemia, muitos jogadores estão treinando de casa. Como você está se virando com essa pandemia? Está conseguindo treinar?

“Cara, fazem uns três anos que eu treino crossfit. E eu tenho contato com alguns amigos, donos de academias de crossfit também, então eles vão mandando os treinos e a gente vai fazendo no quintal de casa. Claro que com bola eu não fiz nenhum treino, né, tá tudo fechado. Mas é aquele negócio, assim, a gente não perde, perde menos do que perderia. De repente, quando voltar a treinar, não vai sentir dor muscular e tal. É o jeito, tem que esperar.”

– Você falou bastante em crossfit. Como isso tem interferido no seu desempenho em quadra? Isso tem te ajudado a prolongar sua carreira?

“Na verdade, eu faço nas férias. Eu acho que ajuda muito, mas só faço quando estou de férias, quando tenho folga. Agora, se fizer os dois em alta intensidade, corre o risco de lesionar. Então, assim, claro que com minha idade, o crossfit me ajudou muito. Eu acho que estou melhor fisicamente hoje, do que seis, sete anos atrás, mesmo muito mais velho. Mas o risco de lesão é bem alto. Sabendo juntar os dois, dá pra jogar mais tempo, com certeza. 

Início da carreira

– O seu início de carreira no basquete foi bem curioso, porque, na verdade, você começou treinando em outro esporte. O que você jogava?

“Cara, eu era goleiro do Grêmio, na escolinha. Eu fui chamado para ser goleiro da seleção do campeonato. Eu até tentei fazer o futebol junto com o basquete, mas ficou um pouco puxado pra mim. Como o futebol era longe, e meu pai tinha dificuldades para me levar, e como meu irmão já jogava no time de basquete, fiquei com o basquete. Não era apaixonado pelo basquete como era pelo futebol. Fiquei sabendo que teria uma peneira de basquete no time da cidade, e fui. Chegando lá, os caras já conheciam meu irmão, e nem me perguntaram. Já me disseram que eu fazia parte do grupo, por causa da minha altura”.

“E as coisas aconteceram muito rápido pra mim. Em dois anos, eu fui convocado para a seleção brasileira de basquete. Com um ano, jogava em uma categoria acima da minha. E aí só foi, né, cara. Depois eu cheguei, com o tempo, na seleção adulta, onde eu fiquei oito anos, e era meu sonho vestir a camiseta da seleção brasileira. E eu acho que o futebol me ajudou bastante, com os treinos específicos, de velocidade, também no basquete”. 

– Como foi essa primeira convocação para a seleção adulta?

“Eu fui convocado, na época que eu jogava em Mogi, em 2003. Eu fui convocado para o grupo de desenvolvimento. Você faz parte, mas só para treinar, porque eles acreditam em você futuramente, na seleção brasileira. Então é mais para ganhar experiência e treinar com as feras. Então, o Lula que me convocou na época, só que um monte de gente machucou. Na minha posição tinha uns oito ou nove jogadores. Aí sobraram treze jogadores, e eu sendo o 13º. Só que o Varejão não ia jogar os amistosos que tinha contra a Venezuela, no Brasil, porquê ele estava na NBA, e teria outros compromissos lá. Aí o Lula chegou pra mim e perguntou ‘Murilo, você quer jogar esses jogos?'”

“Então, eu falei ‘Pô, a gente tá um mês e meio aqui, treinando, lógico que eu quero, meu maior sonho, primeiro jogo meu na seleção’. Aí o primeiro jogo, em Uberlândia, joguei os últimos oito minutos, fui bem. O segundo jogo, vencemos, mas foi enroscado. Assim, passaram dois dias, tinha um jogo em Ribeirão Preto, que talvez foi o jogo mais importante da minha vida. O Lula chegou pra mim e falou ‘Cara, você me surpreendeu. Vou te pedir um favor. Confunde a minha cabeça’.”

“Aí eu fiquei também com aquele negócio na cabeça. Quando chegou a partida, eu fui o primeiro a sair do banco, fui cestinha da partida e a torcida gritou meu nome. Foi muito legal, foi um jogo, assim, pra mim, incrível. E depois, acompanhei a seleção em alguns campeonatos, mas quem jogou foi o Varejão. Quando chegou o Panamericano, ele me ligou e disse ‘Murilo, você, como presente, já está convocado para o Panamericano’. Aí eu fui, joguei todos os jogos, e fomos campeões. Foi maravilhoso”.

Alegria de jogar e retorno ao basquete

Você disse, em uma entrevista ao repórter Eric Filardi, da Rádio Poliesportiva, que você recuperou a alegria de jogar, aquele “friozinho na barriga”. Como foi para você voltar à ativa?

“Cara, foi exatamente isso. Então, com as lesões que eu tive, principalmente a do olho, eu desgostei um pouco. Eu fiquei bem chateado com algumas coisas da época. Eu olhava pro lado e via meus filhos, pensava ‘ meu, como é que eu vou fazer? O custo de vida deles é muito alto, os quatro são especiais, e aí? O que eu faço?” Eu pensava que eu precisava jogar, precisava estar na ativa. Aí eu acabei caindo em uma deprê, eu nem sabia que eu estava meio em depressão, entendeu? Depois eu fiz um tratamento, chorei pra caramba”.

“Assim, quando eu cheguei em Sorocaba, e eu cheguei lá jogando, a situação do time – o Reinaldo dizia pra mim ‘Murilo, o time jogando hoje é um time totalmente diferente’ . Também, às vezes eu nem jogava bem, mas eu estava lá, pudia falar, dizer alguma coisa que eu passei. Com tempo de quadra, me sentindo importante de novo, podendo errar o tempo inteiro. Aí tava lá, o tempo inteiro, 20 pontos, 14 rebotes. 17 pontos, 15 rebotes. Eu falei ‘Pera aí, cara, eu tô na ativa.'”

“Então, quando o São Paulo chegou, eu pensei ‘Cara, que legal. Que história de vida bacana eu tô construindo”. Assim, de tudo o que aconteceu, de tantas portas fechadas pra mim, e hoje eu vou pro São Paulo, um time grande, de camisa, tricolor como o meu Grêmio, e eu tô ali, cara, torcida, comissão, clube, jogadores, me receberam super bem. Ademais, meu contrato acaba dia 15, e eu não sei se vamos renovar, mas eu só posso dizer que sou  extremamente grato por tudo que passamos, e por tudo que o São Paulo fez por mim”.

Foto destaque: Reprodução/Instagram/Murilo Becker

Cadu Maciel

Cadu Maciel

Carlos Eduardo Fernandes Maciel, 17 anos. Cursando o 3º ano do Ensino Médio. Fez o Curso de Jornalismo Esportivo com Alexandre Praetzel e Jorge Nicola. Aos 15 anos, se apaixonou por esportes e por s[...]

15 posts | 0 comments

Comments are closed.