Lucão: “o primeiro técnico que me dispensou, agora vai me treinar em Taubaté”

Lucão: “o primeiro técnico que me dispensou, agora vai me treinar em Taubaté”

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domingo, 31 maio 2020
Superliga Masculina

Na live desta última sexta-feira (29) a Rádio Poliesportiva teve o prazer de entrevistar, sem dúvidas, um dos maiores centrais do vôlei brasileiro. Rogério Costa bateu um papo com Lucas Saatkamp, mais conhecido como Lucão, o jogador de EMS Taubaté falou a respeito da carreira, expectativas para Tóquio 2021, sobre a base, e muito mais.

Por: Lucas Ribeiro, São Paulo, SP.

O COMEÇO DE TUDO

Lucas Saatkamp, conhecido por todos no cenário do vôlei como Lucão, é central do EMS Taubaté e da seleção brasileira. Atualmente com 34 anos, o Gaúcho contou para Radio Poliesportiva como foi o início e, posteriormente estabilização de sua carreira. Assim como grande parte dos atletas, seu primeiro contato com o esporte foi na escola. Entretanto, não era vôlei que Lucão praticava, pelo seu tamanho, ele era jogador do time de basquete.

“Me desculpe os amantes de vôlei, eu não gostava de vôlei. Eu fui parar no vôlei, por livre e espontânea obrigação”

Contudo, também pelo seu tamanho o vôlei chegou em sua vida. O projeto do basquete em sua escola chegou ao fim, desse modo, para não perder sua bolsa ele buscou outro esporte na escola, e por fim, pelo seus 2,10m o técnico do time de vôlei quis aproveita-lo.

A CARREIRA ADULTA

Tendo terminado a escola, foi para o Grêmio Náutico União, e em seguida tentou ingressar no time adulto do Unisul. Curiosamente, o técnico da época da equipe era Javier Weber, que será o treinador de Lucão, o dispensou do clube.

“Eu tinha feito um teste na Unisul na época, o auxiliar técnico era o Marcos Pacheco, auxiliar do Weber. E o Weber que agora vai ser meu técnico, foi o primeiro treinador do adulto a me dispensar de uma equipe. Como o mundo dá voltas”

Dessa forma, no momento em que é dispensado da Unisul, Marcos Pacheco o chama para fazer um teste na Ulbra, e fica com Lucão. Alguns jogadores acabaram se machucando ele pode jogar regularmente. O que definitivamente ajudou a evolução do atleta em começo de carreira.

“Sai de casa com 17 anos, era filho único, ou seja, muito mimado. Tive que aprender muita coisa sozinho. Eu lembro que para lavar roupa em uma lavadora na Ulbra era R$ 8,00 e eu não tinha essa condição, então aos sábados passava o dia lavando roupa embaixo do chuveiro. Mais essas experiências são boas para aprendermos a dar valor ao que temos hoje”

A NOVA BASE

Lucão é fruto de uma safra incrível do vôlei brasileiro, com ela o Brasil foi campeão de tudo que disputou. Em contrapartida, foi perguntado sobre o que espera da nova geração do vôlei brasileiro e o que acha do trabalho de base feito aqui.

“A parte de seleção brasileira é muito bem estruturada. Eu vejo problemas no investimento na base, não é barato, tem muito custo. A base tem de ser formadora na escola para que a gente possa tirar um pouco desse monopólio dos clubes, pois eles estão quebrados ”

O central ainda elogiou o sistema dos Estados Unidos de formar atletas sempre unindo o estudo ao esporte. Lucão revelou que antes de ingressar de vez no vôlei, passou no vestibular para biologia, todavia, escolheu o esporte.

Portanto, o jogador não sabe ao certo o que esperar da base brasileira, disse que os tempos são outros, e que o vôlei é muito mais alto e forte fisicamente. Além disso, entregou que as posições mais difíceis são a de levantador e ponteiro passador, nessas segundo ele, tem que ter dom.

A PARCERIA COM BRUNINHO

De fato, uma das maiores parcerias do voleibol mundial. Lucão e Bruninho começaram a parceria na seleção brasileira de base, e posteriormente, se encontraram no Cimed Florianópolis onde foram tricampeões seguidos da superliga.

“O time do Cimed era novo, estava começando não era experiente para ganhar um tri campeonato. A gente não era ninguém estávamos apenas começando. Foi o primeiro time que eu chorei quando não renovei meu contrato”

De lá pra cá, são mais de 15 anos jogando juntos no Brasil, Itália e pela seleção. Bruninho estava defendendo o Civitanova da Itália na última temporada, contudo, já acertou seu retorno ao Brasil, e jogará com Lucão novamente, agora pelo Taubaté.

EXPERIÊNCIA INTERNACIONAL

Para muitos jogadores, jogar fora do pais é um sonho. No entanto, para Lucão foi mais uma experiência comum. Motivado pelas olimpíadas, afim de jogar e estudar os maiores jogadores do mundo, que mais tarde encontraria nas olimpíadas do Rio 2016. Dessa maneira, declarou seu amor pelo Brasil.

“Nunca sonhei em jogar fora, sempre fui reconhecido e bem-sucedido aqui no meu país, minha posição aqui é valorizada. Eu não troco o Brasil por nada, estar próximo da família recebendo um salário justo não tem igual”

TRANSIÇÃO DE CASTELLANI PARA RENAN DAL ZOTTO

O técnico argentino Daniel Castellani, não teve uma das melhores passagens pelo Taubaté, desse modo, foi demitido e para o seu lugar o time contratou Renan Dal Zotto, que posteriormente, venceria, de forma inédita a superliga com a equipe. Lucão que estava nesse processo, comentou sobre o trabalho de Castellani e a respeito das principais mudanças com Renan.

“O Castellani sempre foi muito acostumado com voleibol europeu, de muito estudo. Isso não do certo no Brasil, aqui tem que ralar, se não os atletas acomodam”

Segundo o central, Castellani teria sofrido nesse ponto, ele reforçou paixão gigantesca pelo ex-técnico. Falou que é um cara que tinha muito dialogo, um dos que mais conversava. Mas talvez, ele não tenha entendido o sistema do voleibol brasileiro, de ralação, treino e intensidade.

“A gente tem um cinto que mede a quantidade de saltos. Para Castellani 80 ou 90 saltos é muito. Na seleção brasileira eu salto 180, o dobro que você está pensando, eu preciso de mais intensidade”

Portanto, segundo ele, essa foi justamente a mudança com Renan. O técnico brasileiro conviveu muito com Bernadinho na seleção, dessa maneira, se apropriou desse estilo. Viu que através da intensidade e repetição, alcançava o resultado, A partir desse momento o time ganhou folego.

MELHOR JOGADOR QUE JÁ VIU JOGAR

O central de 34 anos, descartou os atletas que jogam em sua posição, porque, segundo ele são menos habilidosos. Desse modo, elegeu Murilo, por ser mais completo em todos os fundamentos. Além disso, falou que o libero Serginho é o maior exemplo.

“O jogador mais completo, que sacava, passava, defendia, atacava, bloqueava, sem dúvidas, foi o Murilo. Ele era impressionante, infelizmente teve o problema do ombro, porém o mais completo. O escada, como exemplo, foi o maior da história”

TÓQUIO 2021

As olimpíadas que seriam realizadas este ano foram adiadas até 2021, devido a pandemia do coronavírus. Lucão, comentou que estava com medo de não chegar este ano, em 2020, dada a sua idade, agora que vai ter que esperar mais um ano, a preocupação aumenta.

Sobre a competição, o atleta disse que a cada ano o vôlei se torna mais equilibrado e que não existe favorito ao título. Por outro lado, deu o exemplo de 2016 quando quase não se classificaram e mesmo assim foram campeões. Contudo, garantiu que os 12 convocados para as olimpíadas em Tóquio representarão o Brasil muito bem e darão o sangue.

“O Voleibol está cada vez mais igual, não tem seleção fraca, a exemplo do Japão na última copa do mundo. Não eram os favoritos mas fizeram jogo duro com todo mundo”

Foto destaque: Reprodução/Rafinha Oliveira/EMS Taubaté FUNVIC

Lucas Ribeiro

Lucas Ribeiro

O jornalismo foi algo algo que aconteceu. Sou um amante de esportes nato, de todos os esportes, isso é o que me faz feliz e nisso que quero seguir. Entre estádios e ginásios, trabalhar com esportes[...]

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