Do Lobo Russo ao Urso Taktarov: conheça os difusores russos no MMA

Do Lobo Russo ao Urso Taktarov: conheça os difusores russos no MMA

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terça-feira, 04 agosto 2020
Colunas

O maior importante evento de MMA do mundo, o UFC, atualmente conta com dois campeões russos: Khabib Nurmagomedov Petr Yan. Mas, antes deles, teve alguém que colocou a Rússia no mapa do maior evento de lutas da atualidade: Oleg Taktarov. Mas em sua época tiveram outros três “caras” que ajudaram na difusão do MMA russo, que enfrentava grandes dificuldades de expansão. Assim, do Lobo Russo ao Urso Russo, conheça o Big 4 Difusores do MMA da Rússia. A Poliesportiva segue Desbravando Lendas.

Por: Eric Filardi, de São Paulo.

O MMA na Rússia

O MMA se desenvolveu em vários países de diferentes maneiras. Na Rússia e nos países da CEI (Comunidade de Estados Independentes, que faziam parte da extinta União Soviética), devido ao colapso da URSS, o desenvolvimento do MMA foi mais caótico. Com isso, manifestou-se na forma de torneios individuais ou simplesmente lutas isoladas, sem evento.

A dificuldade na difusão do MMA

Consequentemente, na época, existiam apenas duas opções para ganhar dinheiro em torneios de MMA – venda de ingressos ou patrocinadores. No início da década 90, entretanto, era praticamente impossível encontrar patrocinadores, uma vez que era inútil para os empresários russos. Acostumados a receber renda instantaneamente, investir em um esporte recém-nascido era inviável. Todavia, a venda de ingressos, aliada a crise financeira pós-Guerra Fria, e pouca cobertura do MMA na mídia, não trouxeram a renda desejada.

Na década de 90, a Rússia era “o maior tomador de empréstimos” do Fundo Monetário Internacional, num total de US$ 20 bilhões. Inclusive, o FMI foi alvo de críticas por direcionar grandes quantias de recursos, apesar de pouco ser feito das reformas prometidas. Dificuldades relacionadas às receitas públicas em meio a uma economia em recessão e a dependência em empréstimos de curto prazo para financiar os déficits orçamentários levaram à Crise Financeira Russa de 1998.

Além da crise, outro grande fator que contribuiu para um baixo número de lutadores é que a televisão a cabo e o sistema pay-per-view não eram/são comuns na Rússia. Assim, países como Azerbaijão, Armênia, Bielorrússia, Cazaquistão, Estônia, Geórgia, Letônia, Lituânia, Moldávia, Quirguistão, Tajiquistão, Turcomenistão, Ucrânia, Usbequistão (que formavam a URSS) e, obviamente, Rússia, tiveram um início mais tímido. A falta de investimento no esporte e a dificuldade financeira fizeram com que lutadores precisassem desbravar o esporte em outros países. Assim, futuramente, abriram portas para o esporte local.

O primeiro grande passo russo no MMA: RINGS

Apesar de um “atraso geral”, a organização dos russos no MMA começou a ser realizada em meados da década de 1990. O primeiro grande passo russo foi na organização japonesa RINGS, nascida em 1991, onde apareceram lutadores como Andrey Kopylov, Bozigit Atajev, Fedor Emelianenko, Mikhail Ilyukhin e Wolf-Khan.

Wolf-Khan ou Volk Han: o Lobo Russo

Em 1991, Magomedkhan Amanulayevich Gamzatkhanov, o Volk Han ou Wolf-Khan, estreou profissionalmente no MMA, em Yokohama, no Japão, perdendo por finalização Akira Maeda, criador do evento (com quem lutou outras cinco vezes, vencendo quatro e perdendo uma, total: 4 x 2). Conhecido como o Lobo Russo, lutou no evento durante toda a carreira, aposentando-se com um impressionante cartel de 58 lutas, sendo 49 vitórias, oito derrotas e um empate.

Foi campeão em 1994 e 1996, além de semifinalista em 1995 e 1997. Andrey Kopylov Mikhail Ilyukhin foram atletas que venceram Wolf-Khan, mas também perderam. Kopylov ficou no revés de 3 x 1, enquanto Mikhail ficou no 1 x 1. Em 2001 enfrentou a lenda brasileira, então surgindo no MMA, Antônio Rodrigo Nogueira, o Minotauroe saiu derrotado por decisão unânime. Antes disso, o brasileiro já tinha deixado Kopylov para trás, este que não teve uma brilhante carreira, se aposentando com um cartel de 6-13.

Um monstro do Sambo: Kopylov

Andrei Kopylov foi um sambista (lutador de Sambo) russo que competiu na divisão de pesos pesados do extinto Fighting Network RINGS. Foi um atleta de importância no início do MMA russo. Especialista em Sambo, foi um dos desbravadores do país ao sair de sua terra natal e ir lutar no Japão em 1992. Segundo o site oficial Sherdog, Kopylov, no final de novembro de 2010, estava entre os 10 melhores sambistas no MMA.

Passou por basquete, vôlei, atletismo e boxe até se encontrar no Sambo. Com três meses de treino, foi prata no juvenil de Sambo da URSS, em 1983. Em 1984 foi bronze. Em 1985, foi campeão da Spartakiad dos povos da Rússia. Em 1986, campeão do Campeonato da URSS de Sambo. Também foi vice em 1987 e 3º colocado em 1988, lutando lesionado. Em 1991 foi campeão do Spartakiad dos Povos da URSS e o Campeonato da URSS. Neste mesmo ano foi convidado para o RINGS, mas recusou, pois seu foco era o Mundial de Sambo. Contudo, cedeu em 1992. Mas sua vida no MMA foi longe da ideal, encerrando a carreira com um 6-13 no cartel.

Entretanto, teve marcando vitórias sobre o brasileiro Leonardo Castello Branco, em 1999. Venceu com uma alavanca de joelho aos 16 segundos. Despachou o holandês Ricardo Fyeet com oito segundos de luta. Já em 2000, sua marcante vítima foi outro brasileiro: Carlos Clayton, sendo finalizado com uma alavanca de cotovelo aos 55 segundos de luta. Teve derrotas por decisão dos juízes para outros dois brazucas: Minotauro e Ricardo Arona. Em sua última luta da carreira, enfrentou o brasileiro Mario Sperry, no PRIDE, perdendo por nocaute.

Mikhail Ilyukhin: vítima de brasileiros 

Mikhail teve uma carreira longínqua, se aposentando com um cartel de 27-11-1. Campeão russo de Sambo em 1995 e 3º colocado no Mundial, começou no IAFC – Campeonato da Eurásia de Combate Absoluto, acumulando, na época, um cartel de 9-1. Sua única derrota havia sido para o brasileiro Ricardo Mutante” Morais, num estrangulamento. Fora derrotado com o mesmo golpe por outro brasileiro: Carlão Barreto, sendo sua segunda derrota.

O terceiro revés fora para mais um brazuca: Adilson Lima, com uma alavanca do cotovelo. Porém, o mesmo golpe foi utilizado por outro tupiniquim, Renato “Babalu” Sobral, na final do RINGS, em 2000, perdendo o título. Mas teve expressiva vitória sobre o americano Randy Couture, no RINGS, em 1999. Ainda lutou no Pride e no K-1, encerrando a carreira em 2005.

Oleg Taktarov: o Urso Russo desbravador no UFC

Com o mercado russo ainda sem expressão, Taktarov fez o caminho inverso dos outros desbravadores russos que foram ao Japão. Desembarcou na Lituânia, em 1993, para lutar no White Dragon MMA. Venceu três lutas por lá e fora forçado a fugir do país devido a tensões políticas. Assim, aterrissou nos Estados Unidos, para ser ator.

Porém, para entrar em contato com os atores de Hollywood e assistir ao UFC 2, Taktarov entrou em contato com a Academia Gracie de Jiu-Jitsu, em 1994, oferecendo-se para ensinar sambo a Royce Gracie. Foi aceito como parceiro de treinos após provar sua habilidade contra vários instrutores. Contudo, foi rejeitado devido falta de dinheiro.

Taktarov entrou em contato com a gerência do UFC para participar do prêmio em dinheiro. Foi aceito no UFC 5, mesmo com a família Gracie pressionando para mantê-lo fora do evento. Uma semana antes do evento, Taktarov deslocou o joelho, mas não desistiu do torneio. O Urso Russo, como fora apelidado, venceu Emie Verdicia e perdeu nas semifinais para o americano Dan Severn.

O primeiro russo campeão do UFC

No UFC 6, o Urso Russo fora avassalador. Na primeira luta, frente ao canadense Dave Beneteau, finalizou com uma guilhotina em 57 segundos. Na luta seguinte, com o mesmo golpe, finalizou o americano Anthony Macias em nove segundos. Assim, sendo, até hoje, mais de 25 anos depois, a finalização mais rápida da história do UFC. Na final, frente ao também americano Tank Abborr, após 17’47” minutos de luta, venceu com um mata-leão e foi campeão do torneio.

No UFC 7, pelo título do UFC contra o americano Kan Shamrock, após 33 minutos de luta, o duelo foi declarado empate. A luta tinha um limite de 30 minutos e mais três de prorrogação. Vale ressaltar que não havia juízes. No Ultimate 1995, bateu novamente Beneteau e venceu por decisão unânime o brasileiro Marco Ruas. Contudo, Taktarov perdeu o cinturão para Severn, novamente. Posteriormente, foi vítima do brasileiro Renzo Gracie.


Foto destaque: Edição/Eric Filardi

Eric Filardi

Eric Filardi

Quando pequeno quis ser jogador. O sonho de criança passou. Uma vida nova se anseia. Bem-vindo a rádio de todos os esportes. Bem-vindo a Rádio Poliesportiva. Sou Eric Filardi, paulistano de 27 anos[...]

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