De morador de rua a paratleta de dardo: conheça José Roberto Alves

De morador de rua a paratleta de dardo: conheça José Roberto Alves

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quinta-feira, 09 julho 2020
Super Ação

José Roberto Alves, com 62 anos, nascido Santo Anastácio-SP, e vivendo na cidade de Barra Velha-ES tem deficiência visual desde quando era rapaz e agravou quando teve derrame cerebral. Tem somente 8% da visão dos dois olhos e, mesmo assim, se tornou paratleta.

Por: Ana Bracarense, de Uberaba.

“Quando criança eu tive muita dificuldade porque eu nasci sem pai. Só eu e minha mãe e na adolescência eu vivi pela casa dos parentes, até aos 14, 15 anos”, diz José Roberto.

Também morou na rua em São Paulo. Na época, era cantor na badalada noite paulistana, mas, após uma queda emocional (não sabe o que ocorreu), perdeu tudo e foi parar na rua. Tinha por volta de 28 anos quando tocou pelas noites. Vários artistas profissionais estiveram com ele, como: Canhoto, amigo de Biro Biro e Santarém,  e Milionário & José Rico. Esteve em vários shows nos mesmos palcos e em circos por Presidente Prudente.

Vários lugares com Gilberto Gilmar também, eles cantando Lourenço Dorival, no mesmo circo, no que um entrava, o outro saía e foi assim a sua vida. O apoio que recebeu foi da sua esposa, que faleceu recentemente. Ela também era atleta do Bolão das Margaridas, lá em Novo Hamburgo-RS, e lhe apoiou muito, principalmente quando ele começou a perder depressa sua visão e chegou a ficar quase cego de tudo.

O início no esporte

Aos poucos ela foi lhe ajudando e incentivando. Assim, chegou a ser vice-campeão no futebol em Santa Catarina, pelo Bavete, de Barra Velha. O campeonato foi decidido com o Brusque. O time homônimo da cidade foi campeão e seu time em 2º lugar.

“Eu participei com futebol mesmo e também trabalhei ajudando nos torneios pelas cidades que eu passei. E também cantava para alegrar o futebol da Várzea. As pessoas levavam os instrumentos para fazer pagodinho. Eu gostava de levar meu violão para cantar muito moda sertaneja. Foi por ali. Comecei também”, diz José Roberto.

Arquivo Pessoal de José Roberto

Os ídolos

Seus ídolos todo mundo conhece, são: Pelé, Roberto Carlos e o Neto. Por outro lado, no atletismo, tem como ídolo Flávio Hertz (salto de altura): “Esse cara não tem para ninguém. Eu eu sou fã dele, número 1 e apoio ele. E aproveito para mandar um abraço pra ele”.

Foi esse ídolo que lhe fez tornar paratleta. Lhe fez olhar para frente e não desistir das lutas. José Roberto tem o gosto de esporte desde 2007. Vem atuando no esporte e esta é a sua vontade: sempre vencer e vencer nesse esporte, porque é isso que ele gosta.

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José Roberto é poliesportivo

José Roberto faz atletismo, dardo, disco, peso e salto em altura, pois acompanha seu ídolo. No mais, é lutar daqui para frente para não poder parar nessa jornada, pois o esporte lhe faz bem, traz felicidade e o estabiliza. “Meu emocional mudou, pois amanheço com vontade de treinar e não sei ficar sem treinar”. José está correndo todos os dias pela manhã durante a quarentena que o Brasil enfrenta.

“Eu também sou eneacampeão do lançamento de dardo no Estado de Santa Catarina e estou em 4º lugar no ranking nacional. E ganhando de um rapaz de 20 anos. Nessa luta aí, eu só pego ‘rapaziada nova’ e eu estou representando. Eles me falam que eu sou o ‘vovô da pista’. Eu faço o melhor para que eles sigam o exemplo de não desistam do esporte”, diz José Roberto.

Este ano esteve participando, no Espírito Santo (em Vitória), do lançamento de dardo e buscou o seu 1º lugar nacional. Isso aconteceu nos dias 7 a 9 de fevereiro 2020. O atleta aproveitou para mandar um recado aos mais jovens: “Quero deixar um recado para a garotada, meus fãs. Essa meninada que está começando no esporte. Pode seguir esse velhinho aqui, que vocês não vão perder em nada, só tem a ganhar. Eu só quero incentivar vocês para não desistirem. A luta é árdua, mas ela vale a pena”.

Arquivo Pessoal de José Roberto

“O importante, é que eles, cinco minutinhos que você sai correndo para lançar um dardo, para arremessar um peso, um disco, fazendo um salto em distância. É naquele momento que você vai ver o quanto valeu você perseverar com orgulho no peito, uma medalha de ouro ou uma de prata ou uma de bronze. Mas você subiu no pódio. Isso é que é importante. O pódio é importante para gratificar o trabalho de um atleta. Esse é o conselho que eu dou para vocês meninada, com garra, fibra, sem desistir, vencer, vencer e vencer”, finaliza José Roberto.

Foto destaque: Arquivo Pessoal

Ana Bracarense

Ana Bracarense

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