Jack Brabham, a lenda australiana da Fórmula 1

Jack Brabham, a lenda australiana da Fórmula 1

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sábado, 20 junho 2020
Clássicos da Fórmula 1

O personagem dessa edição dos clássicos da Fórmula 1 é o Sir John Arthur Brabham. Ou simplesmente Jack Brabham. O australiano de Hurtsville, Nova Gales do Sul nasceu no dia 02 de abril de 1926.  No entanto, o automobilismo para Brabham começou aos 15 anos, quando trabalhava em uma oficina mecânica. Dessa forma, iniciou uma trajetória até  a Fórmula 1 quando conquistou o tricampeonato como piloto e ao longo da história, único campeão como piloto e dono de equipe

Por: Luiz Maximo Morelo, de São Paulo, SP.
Colaboração de: Paulo Arnaldo, de São Paulo, SP.

Podcast dos Clássicos da Fórmula 1 – Jack Brabham

Contudo, Luiz Maximo Morelo apresenta, em podcast, mais uma edição do Clássicos da Fórmula 1. Saiba em detalhes como foi a conquista do tricampeonato de Jack Brabham em 1966 na F1 como piloto e proprietário de equipe. Portanto, aperte os cintos e curta a viagem no tempo. Assim, clique no play logo abaixo e ouça:

O início no automobilismo até a chegada ao Reino Unido e a F1

Brabham serviu a Real Força Aérea da Austrália durante a Segunda Guerra Mundial. Entretanto, já aos 20 anos, ele montou sua própria oficina, dividindo seu tempo com as corridas de kart. Logo de início, ele ganhou vários campeonatos regionais. Assim, demonstrando sua grande e natural habilidade. Por consequência, Brabham se mudou para o Reino Unido para seguir uma importante carreira no esporte a motor.

Em terras britânicas se integrou a marca Cooper. Brabham viraria amigo do seu fundador, Charles Cooper e seu filho John. A Cooper marcava presença na Fórmula 1 desde 1950 e também participava da Fórmula 2. Finalmente, aos 29 anos, no ano de 1995, o australiano estreou na Fórmula 1 a bordo de um Cooper T40. Nesse ano, no entanto, ele só participou do GP da Inglaterra, sem ter conseguido completar a prova.

Jack Brabham conquista o tri da F1 em 59, 60 e 66    

Nos anos seguintes, as participações seguiriam esporádicas, entre GPs de Fórmula 1 ou Fórmula 2. No entanto, somente em 1959, ano do primeiro título mundial, que Jack Brabham participaria temporada completa. Assim, o primeiro título foi conquistado com duas vitórias. Em Mônaco e na Inglaterra. Além disso, ele subiu ao pódio em mais três corridas. O 2º lugar na Holanda e o 3º nos GPs da França e Itália.

Entretanto, no ano seguinte, a supremacia do piloto e equipe Cooper foi de forma avassaladora. Em suma, a conquista do bicampeonato mundial foi com cinco vitórias consecutivas. Nos GPs da Holanda, Bélgica, França, Inglaterra e Portugal.

Em contrapartida, somente em 1966, já com equipe própria, que Brabham conquistaria o tri. Um ano antes, em 1965, os motores da Fórmula 1 passariam de 1500 para 3000 cc.  A Lotus de Jim Clark foi a vencedora do ano de transição. Entretanto, em 1966, os motores da Ferrari evoluíram na potência e os carros da Brabham se mostraram altamente competitivos com o motor australiano Repco. Assim, o GP da França no circuito de Reims, Brabham conquista a 1ª de 4 vitórias em sequência da temporada. Em Reims, pela primeira vez na história da Fórmula 1 que a vitória era de um piloto-construtor.

Na sequência, Brabham venceu os GPs da Inglaterra, Holanda e Alemanha. Dessa forma, garantindo o seu terceiro título mundial na Fórmula 1. Assim, se tornando o primeiro e único piloto da história campeão com o próprio carro. Na pontuação, com uma ampla vantagem, Brabham conquistou 42 pontos contra 28 de John Surtees, o vice-campeão. Entre os construtores, a Brabham terminou a temporada com 11 pontos de vantagem sobre a Ferrari.

GP da Alemanha de 1966. Foto: Reprodução / acervo The Cahier Archive

O pós tri e o acidente de 1969

Em 1967, Brabham foi vice-campeão como piloto, mas campeão como dono de equipe. Foram 2 vitórias. Nos GPs da França e Canadá. O neozelandês Denny Hulme foi quem conquistou o título da temporada pela equipe Brabham-Repco. Em contrapartida, Jack Brabham teria um ano discreto em 1968, ao conquistar apenas 2 pontos ao longo da temporada. Sua equipe também não obteve bons resultados. Foi nesse ano que Jochen Rindt pilotou para a equipe de Brabham.

Em 1969, um ano melhor para o piloto e equipe Brabham. Na pilotagem, Brabham conquistou como melhor resultado, um 3º lugar no último GP dessa temporada, no México. No entanto, o belga Jacky Ickx conquistou duas vitórias para a equipe Brabham e finalizou a temporada com o vice-campeonato.

Foi também no meio da temporada de 1969, que Jack Brabham sofreu um um acidente sério durante testes. Ele teve ferimentos graves no pé. Por consequência do acidente, ele se ausentou dos GPs da França, Inglaterra e Alemanha. Assim, somente retornou no GP da Itália. Porém, após o acidente, ele prometeu a sua esposa que se aposentaria ao término da temporada.

A aposentadoria das pistas e a venda da equipe

Entretanto, Jack Brabham seguiu na temporada 1970 com sua equipe e pilotando. Assim, venceu o primeiro GP da temporada, na África do Sul. Ele ainda conquistaria outros bons resultados. Como no GP de Mônaco onde liderou até a última volta, mas deixou escapar ao derrapar e ceder a vitória a Jochen Rindt. Além disso, no GP da Inglaterra em Brands Hatch, Brabham também liderava a prova até ficar sem combustível na última volta e Rindt lhe roubar mais uma vez a vitória. Jack Brabham acabou terminando a temporada em 6º lugar e assim, definitivamente se aposentando das pistas, após o GP do México, último da temporada.

A esposa de Brabham pressionou para que ele deixasse as pistas. Ela dizia que se sentia muito assustada cada vez que Jack Brabham ia para as pistas. Além disso, ela desejava que seus filhos pudessem crescer longe do automobilismo.

“Fiquei muito triste, […] não senti que estava desistindo das corridas porque não podia fazer o trabalho. Senti que era tão competitivo quanto em qualquer outro momento, e realmente poderia ter vencido o campeonato de 1970. […] Eu teria ficado muito melhor se tivesse ficado, mas às vezes as pressões da família não permitem que você tome as decisões que deseja.” Trechos da declaração de Jack Brabham ao Motor Sport Magazine, The World according to Jack, publicado em maio de 1999.

Enfim, Brabham deixaria as pistas e retornaria a sua terra natal, desejo de sua esposa. Ele acabou vendendo sua parte da equipe para Ron Tauranac. Tauranac ficou no comando da equipe somente no ano de 1971. Bernie Ecclestone adquiriria a equipe no ano seguinte. em 1972 e ficaria proprietário dela até 1987.

As marcas de Brabham no automobilismo após sua retirada das pistas

Como equipe, a Brabham ainda conquistaria os títulos de 1981 e 1983 com Nelson Piquet, antes de deixar definitivamente a Fórmula 1 em 1992. Em 1990, Jack Brabham entrou para o Hall da Fama no International Motorsports. Sir John Arthur Brabham faleceu em 18 de maio de 2014, aos 88 anos, de causas naturais, em sua casa, em Gold Coast, na Austrália. Na época de sua morte, Jack Brabham foi o último campeão mundial sobrevivente da década de 1950.

Jack Brabham

Jack Brabham. Foto: Reprodução / acervo The Cahier Archive

Jack Brabham era casado com Lady Margaret, com quem teve três filhos. Geoff, Gary e David, todos com passagens pelo automobilismo. Geoff venceu uma edição das 24 Horas de Le Mans. Gary disputou duas provas (EUA e Brasil) na Fórmula 1 pela extinta equipe Life, mas não completou as corridas. Além da F1, ele disputou a Fórmula Indy em 1993 e 1994. David foi o que mais competiu na Fórmula 1. Ao todo, foram 24 GPs pelas equipes Brabham e Simtek, mas não marcou pontos.

Foto destaque: Reprodução / Acervo The Cahier Archive

Luiz Máximo Moreno Morelo

Meu nome é Luiz Máximo Morelo, sou paulista, 65 anos, comecei no rádio em 1968. Em 1976 fui para a TV Record, depois Rede Bandeirantes, Globo, SBT e por 20 anos trabalhei na TV Cultura. Sempre acom[...]

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