Inconcebível

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sábado, 08 dezembro 2018
Colunas

Por: Ivan Marconato, de São Paulo

 

Tem coisas que os dirigentes do futebol fazem, que sinceramente, não dá para entender. Nem fazendo um esforço muito grande, é possível aceitar certas atitudes adotadas pela cartolagem.  Na Confederação Sul-Americana de Futebol então, chega ser até ridículo criticar as lambanças, e salientar a cara de pau dos dirigentes. Alejandro Dominguez, o paraguaio, presidente da CONMEBOL, que o diga.

Em 2015, a entidade sul-americana já havia sido investigada pelo Ministério Público norte americano. À época, o FBI, apurou uma série de casos de corrupção, por parte de funcionários e dirigentes ligados à FIFA, e a outras associações, como a CONMEBOL, através de seus ex-presidentes Nicolas Leoz, Eugênio Figueiredo e seu atual então presidente Juan Angel Napout.

Estádio Monumental de Nuñes é a casa do River Plate. FOTO: Reprodução/SporTV

Em 3 de dezembro daquele ano, Napout foi preso preventivamente pela polícia suíça, a pedido do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, para fins investigativos, sendo impedido após esses eventos, de cumprir suas funções como presidente. Em dezembro de 2015, Napout renunciou ao cargo. Então, Wilmar Valdez, o presidente da AUF (Associação Uruguaia de Futebol) assumiu o comando da CONMEBOL.

E em janeiro de 2016, Alejandro Domingues tornou-se o número 1 da Confederação Sul-Americana. E por que o resumo de toda essa “opera”? A síntese serve para destacar que entra um e sai outro, mas a política de Nicolas Leoz, continua a mesma.  Aliás, em 2010, o jornalista britânico Andrew Jennings alegou que Leoz tinha tomado subornos na década de 1990, em relação à abjudicação de contratos para a venda de direitos de televisão para o futebol da Copa do Mundo.  Leoz renunciou ao cargo em 2013 e já foi alvo de investigações pela INTERPOL.

Fatos como esses já foram noticiados à exaustão. E não passam de meros exemplos de que a bagunça na Confederação Sul-Americana de Futebol atinge níveis estratosféricos. Afinal de contas, a entidade aliada às autoridades argentinas não conseguiram sequer organizar um simples jogo final, por conta de brigas de torcida aos arredores de um estádio. Detalhe: o jogo seria realizado com presença de torcida ÚNICA no estádio. É realmente o fim da picada!

Boca Juniors e River Plate jogarão a final da Libertadores em solo espanhol. FOTO: Boca Juniors – Twitter Oficial

No dia em que o segundo jogo da final seria disputado, incidentes aconteceram nos arredores do estádio Monumental de Nuñez. Torcedores do River atiraram pedras e garrafas nos vidros do ônibus e feriram alguns jogadores do Boca Juniors. Na tentativa de controlar a confusão, policiais utilizaram gás de pimenta e atletas xeneizes também teriam sentido os efeitos. Resumo do caos: confusão dos diabos, gente ferida, e jogo adiado.

Agora, a grande final foi finalmente remarcada para amanhã, em Madri na Espanha.  Claro que por motivos de segurança e também por conta da grana. A grana que ergue e destrói coisas belas, como escreveu Caetano Veloso.  A meu ver, a disputa da final da Libertadores da América, em solo espanhol, no Estádio Santiago Bernabeu, em Madrid, faz com que o torneio sul-americano, possa ser devidamente rebatizado.

Que tal ao invés de Libertadores, chamarmos o principal torneio do futebol de clubes do continente latino americano de “Exploradores, Opressores ou Colonizadores da América”? Creio que tal nomenclatura seria bem mais condizente com a sede do jogo final. Mas a questão não é somente histórica, nem exclusivamente esportiva. Muita grana está envolvida e atitude no caso, foi tomada na base do “manda quem pode, obedece quem não tem grana”.

Afinal de contas, esse jogo poderia ser realizado em qualquer outro país do mundo. Menos na Espanha. Tal atitude é inconcebível.

Pobre Simon Bolívar, o Libertador da América, deve estar se revirando no túmulo.

Foto em destaque: Confederação Sul-Americana de Futebol- Site Oficial

Ivan Luis Marconato Rocha

Ivan Luis Marconato Rocha

Jornalista profissional diplomado desde 1998, e pós graduado em Jornalismo esportivo e negócios do esporte. Atua em webrádio desde 2012. Já trabalhou em jornal de bairro, e por 10 anos na NET Serv[...]

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