Globalização do esporte vira arma poderosa para ações culturais e alcança novos adeptos

Globalização do esporte vira arma poderosa para ações culturais e alcança novos adeptos

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domingo, 26 fevereiro 2017
Outros Esportes

Lady Gaga foi a bola da vez e foi escolhida para se apresentar na edição 51 do Super Bowl. Foto: Tom Pennington/Getty Images.

Todos nós sabemos que a globalização é algo real, que sai da esfera tecnológica e transcende para outros caminhos, que são os mais diversos, inclusive nos esportes. Atualmente, com o “boom” dos chamados “esportes americanos” e da organização das competições europeias, já podemos ver adaptações e mudanças na gestão de campeonatos e torneios de diversos esportes que são praticados na América do Sul e que tinham organizações diferentes.

Com o crescimento de diversas competições, o maior exemplo disso é o Super Bowl, que passa a ser não somente uma partida de futebol americano, mas se torna um dos espetáculos de entretenimento mais assistidos no mundo, pois até mesmo quem não acompanha o esporte, em si, quer acompanhar a final, por ter shows de artistas que estão em evidência mundial.

Este tipo de “arma” pode ser muito eficaz na inserção de novas modalidades e de alavancar outras que não são tão populares na cultura brasileira e mundial.

 

Ações de marketing e aplicação de entretenimento aos eventos esportivos

 

Abertura das Olimpíadas é cheia de elementos culturais e shows pirotécnicos. Foto: Comitê Olímpico Internacional/Reprodução.

Já podemos observar ações de marketing em diversos campeonatos. Vamos explorar mais a UEFA Champions League e o Super Bowl e vamos tentar traçar um paralelo entre estes eventos de magnitude mundial com outros esportes e seus calendários. Seria interessante tentar uma proximidade com estes espetáculos, para atrair ainda mais gente para assistir o esporte? A resposta é clara. Sim. É rentável e dá retorno positivo para quem o faz. Agora, mais uma questão: Como fazer tais mudanças sem alterar e “gourmetizar” demais a origem das competições? Esta segunda pergunta já é bem mais complexa e nem todos conseguem respondê-la.

O grande desafio está em organizar melhor os calendários e o formato das competições para que seja algo atraente não só para o público que acompanha o esporte, mas para quem ainda não se identificou com ele.

Aberturas e encerramentos de Copas do Mundo e Olimpíadas também são shows à parte e cumprem muito bem esse papel, pois além do entretenimento, é aliada a uma exibição de cultura, em que todos aprendem um pouco mais sobre o país em que está sendo disputado o evento esportivo.

Assim como nas Olimpíadas, abertura e encerramento da Copa do Mundo mostram expressões culturais. Foto: Stuart Franklin/FIFA via Getty Images

Assim como nas Olimpíadas, abertura e encerramento da Copa do Mundo mostram expressões culturais. Foto: Stuart Franklin/FIFA via Getty Images

Os torcedores brasileiros que são adeptos do vôlei e basquete, já acompanham a globalização de seus calendários. Eventos importantes como a Superliga Masculina e Feminina de Vôlei e o NBB (Novo Basquete Brasil) já se adequaram e aderiram ao modelo internacional, inclusive com tentativas de aplicar novos eventos além dos jogos do campeonato.

É interessante a aplicação de shows musicais, assim como no futebol americano, para atrair novos adeptos e aproximar o publico jovem para, acima de tudo, espetáculos de entretenimento aliados à disputa dos esportes. As mudanças são essenciais para que haja maior valorização da cultura do esporte em nosso continente.

 

Calendário dos esportes americanos/europeus

 

Na América do Sul, principalmente neste ano, estamos acompanhando adaptações em competições importantes. Antigamente, mas nem tão antigamente assim, tanto o futebol quanto outros esportes, como basquete, vôlei e outros mais utilizavam o calendário das competições assim como a nossa “folhinha”, o chamado calendário gregoriano, em que competições começavam em janeiro e terminavam em dezembro do mesmo ano. Porém, nos últimos tempos, estamos passando por reformulações que nos levam para os padrões americano e europeu de construção de calendários.

Mas vamos entender um pouco mais de como isso funciona efetivamente. Lembramos que nem todos os esportes utilizam todos os moldes, mas a organização de tempo é semelhante para ambos.

UEFA Champions League é um dos torneios de futebol mais vistos no mundo. Foto: AFP/Getty Images.

UEFA Champions League é um dos torneios de futebol mais vistos no mundo. Foto: AFP/Getty Images.

Preseason: Como o próprio nome já sugere, nada mais é que a pré-temporada, que consiste no tempo de preparação física e de jogos treino, que se iniciam entre os meses de julho e agosto;

Regular Season: São os grandes campeonatos classificatórios do ano, a temporada regular, geralmente é dada em pontos corridos, que se iniciam entre agosto e setembro e costumam durar até o fim de março do ano seguinte;

Playoffs: Ocorrem as finais com os melhores classificados, geralmente como acontece nos Estados Unidos em que os melhores das conferências Leste e Oeste disputam o título geral. Algo semelhante ocorre com outros exemplos, que é o da final da UEFA Champions League para o futebol e o Super Bowl para o futebol americano;

Offseason: Abre-se espaço para o mercado de compra e empréstimo de jogadores e é nesta oportunidade em que acontecem as principais festividades, como jogos dos melhores do campeonato ou competições individuais, como ocorre na NBA em campeonatos de enterradas e de arremessos de três pontos, tudo isso até o mês de junho, no máximo.

 

Mudanças no futebol

 

Ainda não foram realizadas mudanças com relação a uma nova data para início e término dos campeonatos, mas o sistema e duração já têm mudanças importantes. Os maiores exemplos recentes são a Copa do Brasil e a Libertadores da América, que começam a construir um molde mais parecido com o de competições europeias, preenchendo a temporada, ainda de janeiro a dezembro, mas com maior número de jogos, assim como na UEFA Champions League e as Copas da Inglaterra, do Rei (Espanha) entre outros. Outra semelhança é a tentativa de fazer com que a Libertadores da América também tenha a sua final disputada em jogo único, em uma cidade cede, assim como na “Champions”.

 

Argumentos para implementação das mudanças de calendário

 

Existem argumentos compreensíveis para querer aplicar tais modificações nos calendários e uma das principais é que os clubes, de qualquer esporte, sofreriam menos com a perda de jogadores durante o andamento de suas competições. Um exemplo, os clubes brasileiros de futebol, que começam a temporada em janeiro com seus elencos definidos e, no meio do ano, recebem ofertas e oficializam a venda de jogadores que são destaques, o que acaba prejudicando o time que já estava montado e perde uma de suas principais peças.

Outro argumento plausível é a venda da marca dos clubes sul-americanos para o exterior, já que poderiam ser feitas ações de marketing em que jogariam e mostrariam suas marcas para outros países, numa tentativa de expansão dos clubes.

 

Argumentos para frear as alterações

 

Em contrapartida, existem contras que podem pesar nas alterações de calendário, para que se haja a adequação ao calendário do hemisfério norte. A primeira e principal é que, a temporada das competições é baseada, também, nas estações do ano, em que são feitas pausas nos campeonatos nas épocas de calor mais intenso, no caso. Se houver tal mudança, os clubes disputariam partidas no mês de janeiro, que é o mês mais quente do ano e isso poderia acarretar em problemas físicos para os atletas. O que poderia amenizar um pouco essa mudança é a alteração de horários das competições, para que fossem jogadas após às 18h30, horário em que o sol já se pôs e a temperatura ambiente diminui consideravelmente.

Nos moldes da NBA, foram lançados campeonatos de talentos individuais no NBB. Foto: LNB/Divulgação

Nos moldes da NBA, foram lançados campeonatos de talentos individuais no NBB. Foto: LNB/Divulgação

Outro ponto a ser analisado com cuidado são as férias dos filhos dos atletas, pois caso haja a mudança, os jogadores não teriam a oportunidade de passar um tempo a mais com a família, pois as férias escolares também são baseadas no calendário gregoriano.

Existem os lados positivos e negativos, nas duas formas de calendário, mas o ideal é encontrar o equilíbrio para que as raízes sejam mantidas, mas que todos possam sair beneficiados com mudanças pontuais. Resta-nos saber a opinião de vocês sobre o assunto. E aí, as mudanças são realmente uma boa para todos?

 

 

Por Gabriel Max

Capa – Foto: Reprodução Liquidlibrary-Thinkstock

Paulo Arnaldo do Amaral Lima

Paulo Arnaldo do Amaral Lima

Paulo Arnaldo, paulista, CEO da Poliesportiva, jornalista, apresentador e narrador esportivo. Conhecido no meio jornalístico como P.A., Paulo Arnaldo tem vasta experiência desde 2008 no jornalismo e[...]

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