Geração de Prata: campanha e legado do time que mudou o vôlei no Brasil

Geração de Prata: campanha e legado do time que mudou o vôlei no Brasil

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quinta-feira, 18 junho 2020
Ace Histórico

A estreia da coluna Explorando o Bloqueio não poderia começar de uma forma diferente, a não ser falando sobre o time que foi o divisor de águas do vôlei  brasileiro. De fato, hoje o Brasil é uma das maiores potências de voleibol no mundo, cercado de títulos. No entanto, nem sempre foi assim. Até que, em 1984, nas Olimpíadas de  Los Angeles, a seleção brasileira masculina de vôlei faturou o segundo lugar na competição. Desse modo, até hoje, esse time é conhecido como Geração de Prata.

Por: Lucas Ribeiro, São Paulo, SP

O ELENCO  

Uma das características do voleibol atual é a grande estatura dos atletas. No entanto, o elenco da seleção brasileira de 1984 era baixo em comparação aos seus adversários, a média de altura do time era de 1,87 m. Todavia, o que lhes faltava em altura, era compensado com muito talento, criatividade, rapidez e versatilidade. Desse modo, os principais atletas desse time eram, William, Renan, Bernard, Xandó, Amauri, Montanaro, Fernandão, Bernadinho, Badá, Marcus Vinícius , Maracanã e Rui Campos.

Contudo, grande parte do mérito e desenvolvimento desses atletas passou por uma grande comissão técnica formada por  Bebeto de Freitas, Brunoro, Jorjão e Major Paulo, que além dos treinos físicos pesados, apostaram e bancaram o talento e criatividade dos jogadores, permitindo surgir novas jogadas, que, posteriormente, revolucionariam o vôlei em todo o mundo. Bebeto e Brunoro, desse modo, vendo uma jogada criada pelos atletas no treino, pediu para colocarem em jogo. E assim surgiu um grande trunfo desse time, o saque viagem.

INÍCIO DE TRAJETÓRIA 

Carlos Arthur Nuzman, na época, presidente da CBV, tinha um plano ambicioso para o vôlei brasileiro, envolvendo investir em estrutura e que o atleta pudesse viver apenas do esporte, o que até então era difícil no Brasil. Dessa maneira, com muito trabalho e dedicação, no início da década de 80, os frutos começaram a ser colhidos. Em 1981, na Copa do Mundo do Japão, a seleção conquistara sua primeira medalha a nível internacional: um bronze.

Posteriormente, ao decorrer dos anos, as conquistas não pararam, em 1982, vice campeã do Mundial da Argentina e campeã do Mundialito do Rio. Por fim, em 1983, mais dois triunfos: campeã do Sul-Americano e Pan-Americano. Com isso, o vôlei já tinha ganhado muita notoriedade no Brasil, entretanto, o maior feito de todos estava por vir nas Olimpíadas de Los Angeles em 1984.

CAMPANHA DE LOS ANGELES 84

Devido ao grande sucesso nos anos anteriores, o Brasil chegou como um dos favoritos aos Jogos Olímpicos. Portanto, no grupo A, a seleção de cara faturou os dois primeiros jogos contra Argentina e Tunísia, 3 x 1 e 3 x 0, respectivamente. Em seguida, o time tropeçou frente à Coreia do Sul por 3 x 1. Então, precisou enfrentar os donos da casa, Estados Unidos, precisando vencer para ser líder, e venceu por 3 x 0. Desse modo, mesmo com a pressão, a seleção classificou-se em primeiro lugar do grupo.

Pela semifinal, o Brasil fez bom jogo e despachou a Itália por 3 x 1. Os donos da casa, por sua vez, enfrentaram os líderes do grupo B, Canadá, e triunfaram diante de sua torcida, conseguindo também a vaga para a final.

Logo, a disputa pela medalha de ouro estava definida. Brasil e Estados Unidos se enfrentariam novamente, agora pelo título. Entretanto, os brasileiros não conseguiram repetir a atuação da fase de grupos e viu os norte-americanos vencerem. O jogo foi totalmente o reverso do primeiro, os mandantes aplicaram um sonoro 3 x 0, com parciais tranquilas (15 x 6, 15 x 6 e 15 x 7).

LEGADO

De fato, foi difícil digerir aquela derrota, pois o Brasil tinha total condições de voltar como campeão olímpico pela primeira vez. Entretanto, o que aquele time não sabia é que aquela prata valeria muito mais que o ouro. A brilhante campanha até Los Angeles mudou os conceitos, não só dentro de quadra como principalmente fora.

O vôlei se colocou como o segundo esporte mais importante do país, as pessoas começaram a se interessar pelo esporte. A visibilidade mudou totalmente, não havia mais espaço apenas para o futebol, a ponto de quase 100 mil pessoas lotarem o Maracanã para ver um jogo de vôlei.

Dentro de quadra essa geração foi responsável por novas jogadas como os saques ‘Jornada nas Estrelas‘ e ‘Viagem ao Fundo do Mar‘. O saque viagem, inclusive, é arma crucial até hoje. Desse modo, esse time foi fundamental para o Brasil e para o mundo. Atualmente, a seleção brasileira é uma das potências mais vencedoras do mundo, e o esporte é um dos mais amados e praticados no país.

Tudo isso se deve a essa geração, que mudou todo esse cenário, e não precisou vencer as olimpíadas para se tornar a maior da história. Sem dúvidas, aquele segundo lugar, aos poucos, nos tornou em primeiro. Obrigado, Geração de Prata.

Foto Destaque: Divulgação/Facebook/GeraçãodePrata  

 

Lucas Ribeiro

O jornalismo foi algo algo que aconteceu. Sou um amante de esportes nato, de todos os esportes, isso é o que me faz feliz e nisso que quero seguir. Entre estádios e ginásios, trabalhar com esportes[...]

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