Fórmula 1 1950/1959: Raymond Sommer, Spa 1950

Fórmula 1 1950/1959: Raymond Sommer, Spa 1950

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sexta-feira, 22 setembro 2017
Automobilismo

Raymond Sommer acreditava que a maneira como se disputava o combate era o que importava. Piloto dotado de enorme talento e de um entusiasmo ainda maior, ele se lançava com satisfação a lutas que não podia ganhar. Empenhava-se para que um milagre acontecesse. E no GP da Bélgica de 1950 quase conseguiu.

Spa, com suas curvas super-rápidas, rivalizava-se com Monza como a pista mais rápida de Grand Prix. Combine isto com um percurso total de mais de 480 km e a situação ficava difícil para os Alfa Romeos, os carros de Grand Prix dominantes na época. Com a horrenda sede de seus motores superpressurizados eles precisavam fazer duas paradas para abastecimento. Explorando a parte inferior lisa de sua armadura, Sommer em seu independente Talbot Lago de 4,5 litros tinha um plano.

Embora ele fosse o mais rápido nos treinos das Talbots, seu tempo ainda era 10s acima do que Giuseppe Farina obteve para colocar sua Alfa na pole. Isso não era muito surpreendente, uma vez que a antiga máquina francesa era cerca de 100 bhp inferior e 150 kg mais pesada que a de origem totalmente italiana. O mais significativo para Sommer era o consumo de combustível extremamente mais baixo da Talbot, que lhe permitia terminar a prova sem precisar reabastecer. Tratava-se de uma árdua tarefa, mas se ele pelo menos se conseguisse manter próximo às Alfas, um resultado espetacular poderia ser alcançado.

Ele encarou o desafio desde a  largada, perseguindo a Ferrari de Luigi Villoresi, mais rápida e ocupando a quarta posição, ultrapassou-a na nona volta. Pilotando com surpreendente audácia ele então passou a acompanhar a Alfa de Luigi Fagioli que estava em terceiro. Uma a uma as Alfas faziam seus primeiros pit-stops e Sommer liderava. Ele continuou liderando por cinco voltas e a Alfa tentou convencer os fiscais de registro de voltas de que ele estava uma volta atrás.

Finalmente Farina e Fangio o ultrapassaram. Mas eles ainda tinham que fazer outra parada. Tragicamente o motor do carro de Sommer sofreu uma pane algumas voltas depois e foi negada aos observadores a oportunidade de descobrir se ele teria conseguido o feito. Porém, para Sommer, o importante tinha sido alcançado; ele disputou o combate à sua maneira e fez com que o aparentemente impossível se tornasse possível. Raymond Sommer faleceu no dia 10 de setembro de 1950.

Foto de capa: The Cahier Archive

 

Redator da matéria: Luiz Máximo, de São Paulo.

Luiz Máximo Moreno Morelo

Meu nome é Luiz Máximo Morelo, sou paulista, 65 anos, comecei no rádio em 1968. Em 1976 fui para a TV Record, depois Rede Bandeirantes, Globo, SBT e por 20 anos trabalhei na TV Cultura. Sempre acom[...]

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