Exclusivo: Júlio Kunz fala da formação do Tijuca Vôlei para o Carioca Feminino

Exclusivo: Júlio Kunz fala da formação do Tijuca Vôlei para o Carioca Feminino

Like
148
0
sexta-feira, 16 outubro 2020
Vôlei

Nesta sexta-feira (16) tem início o Campeonato Carioca de Vôlei Feminino 2020. O torneio será feito por um triangular, sendo assim, serão apenas três confrontos entre as equipes. O Tijuca TC Vôlei, clube tradicional do Rio de Janeiro, está de volta a categoria adulta do vôlei feminino depois de anos. A Rádio Poliesportiva conversou sobre a formação da equipe e as expectativas com o técnico da equipe, Júlio Kunz

Por Yuri Murta, Rio de Janeiro – RJ

O Tijuca Vôlei estava desde 2016 sem um time feminino no categoria adulto, contudo, o trabalho nunca deixou de ser feito. Nos últimos anos, as categorias de base do clube vem carregando medalhas e troféus estaduais, nacionais e internacionais. Dessa maneira, o vôlei tijucano seguiu vivo e ostentando a sua tradição histórica de base.

Neste ano de 2020, o Tijuca Tênis Clube se preparou para voltar a disputar torneios estaduais em esportes de quadra. Primeiramente, foi no basquete masculino e agora será no vôlei. O primeiro desafio não será nada fácil. A equipe feminina irá jogar um triangular contra dois times da elite do esporte no Brasil, o Sesc Rio/Flamengo e o Fluminense.

Por conta da pandemia, infelizmente, o projeto para a disputa da Superliga C no feminino foi interrompido. Como resultado disso, a contratação de jogadoras experientes não foi feita. O Tijuca Vôlei se prepara, então, com o que tem de melhor da sua base. Só para ilustrar, todas as atletas são sub-19. Apesar da idade, o entrosamento e o ano perfeito de 2019 são trunfos dessa equipe. A Rádio Poliesportiva conversou com o técnico do clube, Júlio Kunz, sobre as expectativas para o torneio e para o futuro da equipe.

JÚLIO KUNZ – CARREIRA

VÔLEI DE QUADRA

Júlio Kunz está no Tijuca desde 2017, fazendo todo o trabalho de base da equipe desde então. Dessa maneira, ele foi o técnico responsável pelos títulos estaduais dos anos 2018 e 2019 na categoria infanto-juvenil e Campeão brasileiro Interclubes sub-18 em 2019. No entanto, a relação do mesmo com o clube é muito antiga. Júlio foi atleta do Tijuca por 16 anos, durante o período de 1974 à 1991. Além disso, em 1986, ainda como atleta assumiu o comando da categoria mirim do clube. Já na estreia levou a equipe para o titulo municipal.

Como resultado da conquista, Júlio foi contratado como técnico para a base do Flamengo. Curiosamente, entre 1987 e 1991, o treinador se dividia entre comandar a base rubro-negra e atuar na equipe tijucana com atleta. Posteriormente, foi para o Fluminense. No tricolor ficou entre 1991 e 1996, tendo uma passagem com diversos títulos em categorias infanto e juvenil. Assim como, o projeto atual, no Fluminense, ele dirigiu jovens atletas que representavam as equipes adultas do clube.

Depois de alguns anos longe, Júlio retornou ao Tijuca em 1997 e a sua segunda passagem durou até 2010. Neste período, dirigiu as equipes infanto-juvenil e juvenil, e também fazendo em alguns momentos parecidos com o modelo atual de jogar o Adulto com atletas juvenis. Os títulos seguiram aparecendo. Durante os anos de 1988 à 2005, ele também esteve a frente das seleções cariocas infanto-juvenil, conquistando alguns títulos brasileiros. Em 2011, o treinador migrou para a modalidade de praia, até retornar como já dito em 2017.

VÔLEI DE PRAIA

Além disso, Júlio Kunz também teve passagens no vôlei de praia pela seleção brasileira. Em 2012, foi assistente técnico do  sub19 e sub 21 treinada pela campeã olímpica Jackie Silva. Juntos conquistaram o vice campeonato mundial sub21. No ano seguinte, ele se tornou o técnico das duas categorias. Dessa maneira, ele conquistou o bicampeonato mundial em 2013 e 2014 no sub 19. Ainda, no esporte de praia em 2014, foi o técnico  campeão olímpico da juventude com as representantes atuais olímpicas brasileira , Duda e Ana Patrícia.

ENTREVISTA COM JÚLIO KUNZ

FORMAÇÃO DA EQUIPE

Julio, como vai ser formado o elenco da equipe? Serão jogadoras experientes ou jovens?

Vamos estar formados com um time jovem. Uma equipe juvenil que na temporada 2019 foi Campeão Brasileiro Interclubes sub-18 e agora a garotada já é juvenil. Um grupo de meninas entre 17 e 18 anos. É o material humano que nós temos, porque dado a pandemia, descaracterizou muito o grupo devido a falta de receita. O clube teve que dar uma freada, não pode manter o compromisso de ajudas de custos de atletas que nós tínhamos contactado de fora do Rio. Algumas delas até mais velhas, que era para encorpar o nosso grupo para o Estadual. Nós tínhamos, também, dentro do planejamento jogar a Superliga C, mas posterior ao reinicio dos treinamentos, nós desmobilizamos algumas coisas por falta de verba. Então, vamos jogar essa competição adulta com o nosso time de jovens promissoras.”

PREPARAÇÃO PARA O TORNEIO

Como se preparar para um torneio de tiro tão rápido?

Nosso time já tem um lastro bem grande por esta nessa formação aqui há muitos anos. Como eu te falei, nosso time foi campeão brasileiro sub-18 em 2019 e esse time é formado na base do clube, com algumas inclusões de atletas que se transferiram de fora, mas tudo dentro do perfil também de juvenis.”

Então, o que acontece, a nossa preparação se deu desde o retorno quando puderam as atividades começarem a acontecer. Conseguimos manter essas meninas ativas fisicamente durante a pandemia fazendo três vezes na semana uma manutenção física online, passando as atividades e elas cumprindo isso conosco. Dessa maneira, conseguimos mante-las no mínimo do condicionamento físico. Ao retornar, nossa resposta foi muito rápida. Para essa competição tiro curto nada nos surpreende, porque nos estamos preparados técnica e fisicamente e tivemos nesse preparação 16 semanas de treinamento, sem nenhum intercorrência e sem nenhuma menina contaminada. Então, nos aproveitamentos bastante esse tempo, focando no adulto, porque essa talvez seja a única competição que consigamos jogar esse ano. Porque ainda é uma duvida se vai haver campeonato, mesmo que de tiro curto na base carioca.”

EXPECTATIVAS PARA O TORNEIO

O que esperar da equipe do Tijuca?

O que esperar da equipe do Tijuca, que elas se apresentem bem, que elas façam uma boa apresentação dentro daquilo que elas vão ser exigidas. O sarrafo vai estar muito mais alto para elas, nós vamos jogar com dois times profissionais, uma delas fazendo parte das três principais equipes do vôlei brasileiro. Um desafio grande, mas a expectativa é que elas se apresentem bem, façam um jogo solto com muita valentia e muita disciplina tática, que é para nos podermos tentar igualar em alguma coisa as grandes equipes e a grande rodagem que essas atletas tem, principalmente, algumas delas com rodagem internacional e de seleção brasileira. Então, a expectativa é essa de fazer uma boa apresentação dentro das nossas limitações.” 

ADVERSÁRIOS

Como encarar Flamengo e Fluminense?

Sabedor e sabedores que somos das reais limitações da nossa equipe, seria leviano da minha parte achar que podemos vence-los. Não vou ser hipócrita em hipótese nenhuma. Nós vamos estar ali para incomoda-los, para testa-los, para abrilhantar o campeonato carioca. Que outros clubes tenham a ambição de fazer o que o Tijuca está fazendo. Que outros, por exemplo, venham a disputar o campeonato adulto com a sua base ou reforçando a sua base com algumas atletas mais velhas.

Tem gente que está dizendo que seremos a “azeitona da empada deles”. Eu acho que azeitona não, vamos tentar ser um bom “molho” neste campeonato, para poder dar visibilidade ao nosso elenco, ao nosso clube. Para quem sabe, em uma próxima oportunidade, nos virmos mais forte e sólidos e encarar eles de igual para igual. Agora, é simplesmente, dar rodagem e desafiar a minha garotada valente a competir, tentar fazer o jogo mais de igual para igual que nos conseguirmos. Como eu falei, o sarrafo estará lá em cima, mas nos somos bem abusados e vamos tentar tirar o máximo desses jogos nos desafiando.”

O RETORNO DO TIJUCA

Como é para o Tijuca retornar ao estadual depois de anos longe?

Tudo isso vem de um planejamento por nós realizado, desde que eu assumi as equipes aqui em meados de 2017, que era justamente fortalecer a base e com ela levar ao patamar do adulto. Estava tudo encaminhado, as coisas vinha acontecendo com o tempo e o azar nosso e de muitos foi a pandemia. Ela nos fez dar um passo atrás, naquilo que tínhamos como planejamento que era ter uma base de juvenis e agregar algumas atletas mais velhas para tentar ser mais forte. Dessa forma, tentando ser uma das forças do voleibol do Rio de Janeiro e quem sabe do cenário nacional.

Como eu falei, lá na frente tínhamos o intuito de jogar a Superliga C e buscando estar na Superliga B, que seria um patamar para solidificar o nosso projeto, bem interessante. Ainda não temos a expectativa da Superliga mas a nossa ambição é chegar bem a B. Contudo, tivemos que dar um passo atrás por questões de verbas. Mas iremos seguiremos trabalhando e fortalecendo a base para em uma próxima vez vir mais forte nessa representação do adulto”

Foto Destaque: Arquivo Pessoal

Yuri Murta

Yuri Murta

Estudante de jornalismo e geografia, apaixonado por esportes no geral e por tudo que o cerca. Isso define quem é Yuri Lima Murta. O amor principalmente pelo basquete e futebol vem desde pequeno e o g[...]

50 posts | 0 comments

Comments are closed.