"Espero comandar a equipe do Rio Claro de novo", afirma o treinador Fernando Penna em exclusiva à Poliesportiva

"Espero comandar a equipe do Rio Claro de novo", afirma o treinador Fernando Penna em exclusiva à Poliesportiva

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terça-feira, 21 julho 2020
Basquete

Bicampeão da América e do Brasil, o Rio Claro viveu seu auge nos anos 90, período em que levantou tais canecos. Porém, a equipe do interior paulista perdeu aporte financeiro e se ausentou da modalidade na virada do século. A “Cidade Azul” só voltaria ao mapa do basquete em 2005, mas sem o protagonismo de antes. Mesmo assim o projeto seguiu e rendeu mais troféus para a galeria do time, como a extinta Copa Brasil Sudeste, conquistada em duas oportunidades. 

Dez anos depois da reativação, o projeto foi novamente interrompido. Mais uma vez pela falta de patrocinadores. O povo rioclarense, apaixonado pela laranja, ficou órfão do basquete até novembro de 2018, quando o Rio Claro anunciou a participação na Liga Ouro de 2019. Sem dúvida, a meta era regressar ao NBB, torneio que o Leão disputou entre 2014 e 2016. Todavia, a 6ª colocação, e a queda para o Campo Mourão nos playoffs, inviabilizaram o regresso à elite. Assim, a única opção foi adquirir a vaga do Macaé. 

Por: Luciano Massi, Santo André-SP

PENNA NAS QUADRAS

Eleito pela diretoria para comandar o projeto, Fernando é um velho conhecido do Leão. O ex-armador jogou na equipe em duas oportunidades, a segunda delas aconteceu na última temporada dele como jogador. Enquanto atleta, foi treinado por grandes nomes: Guerrinha (Rio Claro), Gustavo De Conti (Paulistano), Claudio Mortari (Pinheiros) e Hélio Rubens (Franca). A vivência com estes ícones agregou de maneira positiva na formação de Fernando. Além disso, a primeira experiência fora das quadras foi ao lado de Helinho Garcia em 2016.

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Enquanto jogador, Penna ganhou o Desafio de Habilidades do NBB em três oportunidades (Luiz Pires Dias/IPTC Photo Metadata)

Ouça a entrevista em formato de podcast no Spotify

FERNANDO PENNA, O HEAD COACH

O começo da jornada do novo Head Coach foi no Campeonato Paulista de 2019, competição vencida cinco vezes pelo Rio Claro (1987, 1991, 1993, 1994 e 1995). Penna e seus homens caíram no Grupo B, o mesmo de Corinthians, São José, Paulistano, Bauru e Unifae São João. A chave pode ser considerada como a “da morte”, afinal cinco desses seis times disputaram o NBB daquela temporada.

“Depois de uma Liga Ouro não tão boa, onde não conseguimos a classificação, tivemos todo esse reajuste para jogar o Campeonato Paulista. E desse Campeonato Paulista tivemos algumas vitórias importantes, mas não foi um campeonato convincente. Justamente por termos montado o time bem às pressas. Do Paulista para o NBB tivemos sete contratos finalizados, que a gente não renovou” – afirmou Penna sobre o desempenho no estadual e a remontagem do elenco.

 

Só para ilustrar um pouco da campanha do Rio Claro, foram quatro vitórias e seis derrotas em 10 jogos. Terminando a fase de grupos na 5ª posição. Entretanto, a colocação garantiu uma vaga nos playoffs. E logo nas oitavas de final o Leão sucumbiu frente ao Pinheiros. Com a eliminação, o foco de Fernando Penna tornou-se o Novo Basquete Brasil. Arrumar a casa e se preparar para a reestreia rioclarense após três anos de ausência.

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Elenco do Rio Claro que disputou o estadual em 2019 (Divulgação/Rio Claro)

NBB 12

Como dito anteriormente, o Leão sofreu sete baixas, mas em contrapartida a diretoria recorreu ao mercado da bola. Dentre os jogadores adquiridos para o NBB estavam: Fabián Sahdi, argentino, o estadunidense Walter Baxley e os brasileiros Thiaguinho e Lelê. Sobre os remanescentes do estadual, pode-se destacar: Gerson, Vinícius Pastor, Pedro Teruel, Ralfi Ansaloni e o hermano Enzo Ruiz.

A partida entre Flamengo e Minas, realizada no dia 12 de outubro de 2019, deu o pontapé inicial na 12ª edição do NBB. A saber, a estreia do Rio Claro aconteceu no mesmo dia, contra a Unifacisa e terminou em 101 x 86 para os paraibanos. A redenção veio dois dias depois diante do Basquete Cearense, 87 x 90. Porém, nas semanas seguintes o saldo foi de sete derrotas e três vitórias.

VIRADA DE TURNO 

Faltando apenas três partidas para a virada de turno, o Rio Claro mostrou evolução em suas apresentações. Ou seja, o treinador encontrou um estilo de jogo ideal. O primeiro indício desse progresso se deu contra o tradicional Franca. No duelo entre ex-companheiros de comissão técnica, Penna venceu Helinho. Na quadra, Baxley anotou 22 pontos contribuindo, e muito, no triunfo por 98 x 84.

“No começo da temporada tivemos algumas derrotas dentro de casa, mas eu acho que foi o momento de ajustes e dispensa dos americanos. A partir do momento que nós encaixamos a equipe, conseguimos dar um padrão de jogo para a equipe, nós evoluímos tanto fora de casa como dentro de casa” – salientou Penna.

 
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Fernando Penna passando orientações ao elenco (Antônio Penedo/ Mogi das Cruzes)

A partir daí até o fim da temporada regular, o rendimento cresceu consideravelmente. No total foram oito vitórias de 13 possíveis, cinco delas no Ginásio Felipe Karam, reduto leonino. Vale lembrar que os rioclarenses não venderam barato as derrotas. Apertaram o Bauru no 2º e 4º quartos, com direito a duplo-duplo de Gerson. Incomodaram o Corinthians em pleno Wlamir Marques, dessa vez Ansaloni anotou um duplo-duplo. E por pouco não venceram Pato e Botafogo, 80 x 78 e 89 x 90, respectivamente.

A gente teve as últimas quatro vitórias, que nos tivemos seguidas, três foram dentro de casa, mais a última contra o Pinheiros. Nós tivemos vitória contra o São Paulo dentro de casa, tivemos vitória contra Franca dentro de casa. A equipe estava gostando de jogar dentro de casa com o apoio do nosso torcedor. No segundo turno, até a pandemia, sete vitórias em 11 jogos, teríamos mais quatro, três deles dentro de casa. E com o ginásio lotado, eu tenho certeza que a gente poderia ir mais longe. Mas a evolução foi nítida no segundo turno, que nós tivemos uma campanha brilhante. O engajamento de torcedores, diretoria e jogadores, eu acho que o mix nos deu um segundo turno muito bom.” 

 

Todo esse progresso culminou na 9ª colocação e uma vaga para os playoffs da competição. Ilustrando o desempenho em números, no total foram: 26 jogos, 13 vitórias, 13 derrotas e aproveitamento de 50.0%. Sete desses triunfos somente no segundo turno. Desse modo, fica claro que o Rio Claro teve uma campanha bem equilibrada. O saldo da primeira experiência de Fernando Penna como Head Coach foi positivo. Poderia ser ainda melhor se houvesse a disputa do restante da temporada regular e playoffs.

OS CARAS 

Todos os integrantes do elenco tiveram parcela nesse excelente retorno do Leão à elite. Mas alguns nomes se destacaram durante a temporada. O principal foi Gerson, que compunha o plantel desde o Paulista. Pivô de ofício, o carioca de 29 anos foi, sem dúvida, o grande nome do Rio Claro. Ele esteve presente em todos 26 jogos no NBB 12. Nessas partidas, Gerson acumulou médias de 13.3 pontos, 6.3 rebotes e 16.2 de eficiência. Além disso, o pivô iria disputar o Jogo das Estrelas pelo Time Brasil.

“Todos os jogadores são indicação minha. O Gerson foi uma delas e a gente sai muito feliz de tudo o que ele conquistou nesse temporada. A gente acreditava no potencial dele, nós tivemos conversas com objetivos para a temporada dele e acho que ele cumpriu à risca. É um cara que trabalha muito sério, muito firme. A função do Head Coach é tentar olhar para trás e ver se os jogadores saíram melhor do que chegaram. Então acredito que o Gerson saiu muito melhor do que chegou. Foi o cara que, na minha ótica, mais trabalhou na temporada.”

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Gerson realizando uma cravada contra o Basquete Cearense (Divulgação)

Os estrangeiros também contribuíram, sejam eles argentinos, como Enzo Ruiz, Juan Figueroa e Fabián Sahdi, sejam eles americanos, Nate Baxley e Lucious. Nessa “briga” entre hermanos e norte-americanos, os argentinos levaram a melhor. Ruiz foi o cestinha do time, 13.4 de média, e Sahdi o maior assistente, média de 6.4. Já Baxley e Lucious ajudaram com seus pontos, médias de 13.2 e 12.6, respectivamente.

“O desempenho dos americanos foi, sem dúvida, muito bom na minha ótica. O Sahdi e o Enzo já conheciam a liga, já tinham jogado em outras equipes, o Enzo em Bauru e o Sahdi em São José e acho que isso ajudou bastante nessa assimilação. Eles tiveram um papel importantíssimo na minha campanha. Foi a primeira temporada do Baxley, que é um jogador de um nível altíssimo, mais veterano, mas com um nível altíssimo principalmente ofensivamente.”
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 Enzo Ruiz cestinha do Rio Claro no NBB 12 (Willian Oliveira/ FotoAtleta)

“E depois, no meio do caminho, conseguimos a contratação do Figueroa que estava há seis meses parado. Foi uma contratação cirúrgica pela experiência, pela bagagem que ele nos deu. Pela tranquilidade de ser um armador de grandíssimo nível. Essas quatro peças tiveram uma parcela gigantesca nessa classificação para os playoffs e foram muito importantes nessa temporada” – o treinador afirmou sobre os estrangeiros do Rio Claro. 

PENNA E OS DEMAIS FICAM?

Todavia, a permanência tanto dos jogadores nascidos fora do país, quanto os brasileiros não está garantida. Atualmente todo o elenco e comissão técnica, incluindo Fernando Penna, estão sem contrato. Alguns deles já acertaram com outras equipes. Vinícius Pastor jogará na Unifacisa, Gerson no São Paulo e Enzo Ruiz rumou para o basquete mexicano. Esse êxodo acontece pelo fim da parceria com a Renata, que era patrocinadora master do Rio Claro.

“O fim da parceria com a Renata foi um motivo de muita tristeza. A gente sabia das dificuldades que nós enfrentaríamos, mas com a tradição, com a cidade toda envolvida nessa volta do basquetebol de Rio Claro nos deu a classificação, mesmo não tendo um investimento para estar em tal posição. Então acredito que com a saída da Renata é muito complicado perder um patrocínio desse no meio da pandemia.”

 

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Torcida do Rio Claro fazendo a festa no Ginásio Felipe Karam (Divulgação/Rio Claro)

“Sabemos que para arrumar um patrocinador máster como a Renata não é fácil, a diretoria já está engajada em outros projetos para tentar um outro patrocinador. Eu tenho falado diretamente com a diretoria, tentando manter a minha manutenção e da equipe, mas infelizmente nesse momento a gente não tem nenhuma garantia. Os contratos de todos os jogadores foram finalizados, alguns jogadores já até assinaram com outras equipes. Independente de eu estar no comando ou não, Rio Claro merece ter uma equipe disputando campeonato da elite do basquetebol brasileiro. Porque a cidade realmente é muito apaixonada pela modalidade” – disse Fernando Penna.

UM GOSTINHO DE QUERO MAIS 

Como dito anteriormente, Fernando e seus comandados poderiam alçar voos mais altos, mas a pandemia do novo coronavírus impediu. O NBB 12 foi paralisado no dia 15 de março e oficialmente cancelado no dia 4 de maio. A suspensão impossibilitou o Rio Claro disputar as quatro últimas partidas da temporada regular, contra Flamengo, Franca, Paulistano e Mogi, nessa ordem. Mesmo assim, a equipe garantiu a 9ª colocação e a vaga nos playoffs. Porém o mata-mata também não ocorreu, o adversário seria o Botafogo.

“O meu desejo, lógico que quero dar continuidade no que nós começamos. Infelizmente uma pandemia, um momento totalmente inusitado, atípico que estamos passando. Uma situação difícil, mas fica aquele sentimento de não ter finalizado o trabalho. Então a gente fica com esse sentimento, que a gente espera disputar um playoff. Espero poder disputar um NBB novamente e que nós possamos ter aquele ginásio (Felipe Karam) lotado novamente. É o que eu mais quero, mais desejo voltar a nossa vida normal. Espero de novo, se Deus quiser, comandar a equipe de Rio Claro” – disse Fernando Penna sobre o seu anseio de permanecer no Leão.

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Comandante do Leão na temporada passada, Fernando Penna quer ficar (Divulgação)

Uma vez assegurado no cargo, o primeiro desafio de Fernando Penna na temporada 2020/2021 deverá ser o Campeonato Paulista. A ideia da Federação Paulista de Basquete (FPB) é iniciar o torneio no mês de setembro. Contudo, as equipes terão até o dia 22 de julho para confirmarem presença no certame.

“Caso eu permaneça, realmente a gente precisa, junto com o Marcelo que é o supervisor técnico, junto com a diretoria, com o André, e outros diretores ver valores financeiros, o que cabe dentro do orçamento, ai nós analisamos com calma. Se nós vamos para um perfil mais jovem (de contratações), se nós vamos para um perfil de jogadores mais experientes. É uma situação que a gente precisa definir os patrocinadores, definir os valores que vamos ter para disputar o campeonato. A gente depende muito desse aporte financeiro para ver o perfil que vamos trabalhar” –  Fernando Penna completou sobre montagem de elenco e contratações.

Foto destaque: Marfim Photoports

Luciano Massi

Luciano Massi

Paulistano de 21 anos. Estudante de jornalismo. Narrador, repórter, amante do automobilismo, futebol, basquete e esportes olímpicos.

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