Euroliga e seus campeões nos últimos 20 anos – Parte 1

Euroliga e seus campeões nos últimos 20 anos – Parte 1

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segunda-feira, 17 agosto 2020
Basquete pelo Mundo

A Euroleague desta temporada de 2019/2020 foi cancelada por motivos sanitários. Isso porque a pandemia causada pelo coronavírus resultou no encerramento precoce. Mas, neste ano, completa duas décadas do campeonato mais famoso do mundo. Claro, tirando a NBA. Porém, vocês sabem quais foram os times campeões ao longo dessas temporadas? A seguir, nesta parte 1, vamos relatar quais foram todos os campeões da Euroliga nos últimos 20 anos.

Por Alysson Rodrigues, São Paulo-SP

O conteúdo, por ser extenso e com demasiados detalhes, será separado em duas partes. Nesta primeira, aparecerão frequentemente duelos entre gregos e israelenses. Ao mesmo tempo, houve a ascensão de um clube da Rússia, depois dos anos soviéticos. Atualmente, o maior Campeonato europeu de clubes é disputado por 18 equipes. Lembrando que 11 times são licenciados na competição.

PANATHINAIKOS: CAMPEÃO de 1999/2000

Os gregos do Panathinaikos são muito tradicionais no basquete europeu. A primeira campanha vitoriosa foi em 1996. Aqui, vamos falar desta que foi avassaladora. Depois do sorteio daquela temporada, que começou ainda no século passado, a equipe, soube que seus adversários no Grupo B seriam Union Olimpija (Eslovênia), Real Madrid (Espanha), Alba Berlin (Alemanha), Tofas (Turquia) e Zalgiris (Lituânia).

Acima de tudo, foram nove vitórias e somente uma derrota para os alemães na primeira amostragem de grupos. Posteriormente, foi comando um novo grupo de seis equipes para sabermos quais times estariam nos playoffs. Foram substituídos os turcos, lituanos e alemães, por terem más campanhas, com os três piores do Grupo A. No caso, chegaram ao enfrentamento os gregos do PAOK (Grécia), Cholet (França) e Estrela Vermelha (Sérvia).

Novamente, foram os primeiros no grupo. Dessa vez, os quatro melhores estariam na fase final melhor de três jogos. Tanto as partidas de semifinal quanto de final são únicas e com sede pré-determinada. O primeiro rival no mata-mata foi Buducnost (Montenegro) e os gregos passaram com um 2 x 1. Nas quartas, foi mais tranquilo. O Panathinaikos venceu os croatas do Cibona sem precisar de um terceiro jogo.

FINAL FOUR

O duelo da semifinal foi contra a Turquia, precisamente, contra o Anadolu Efes. Uma vitória com uma diferença de 10 pontos (81 x 71) a favor do The Shamrock fez com que enfrentasse o Maccabi Tel Aviv. Assim, era outro rival de tradição na categoria e, atuando na arena do PAOK, os israelenses, que despacharam, do outro lado do final four, o Barcelona, pelo placar de 73 x 67, pela Euroliga, fizeram a festa dos torcedores que lotaram o ginásio.

Ademais, que o MVP nos últimos dois jogos foram para o pivô sérvio Zeljko Rebraca, de passagem também pela NBA, selecionado pelo Seattle SuperSonics e medalha de prata na Olimpíadas de Atlanta (96). Além disso, foi bicampeão europeu de seleções com a antiga Iugoslávia e campeão de Copa do Mundo.

MACCABI TEL AVIV: CAMPEÃO 2000/2001

O novo século  começou com mais um time tradicional levando a taça de campeão da Euroliga. Entretanto, de modo confuso, pois, por conta de problemas entre órgãos do basquete europeu, foram declarados dois campeões no mesmo ano. Contudo, o Maccabi Tel Aviv é que jogava pela organização que até os dias de hoje promove o torneio.

Naquela temporada, foram 20 equipes divididas em dois grupos com dez membros em cada um deles. Os israelitas passaram em primeiro lugar no seu grupo e enfrentaram o oitavo colocado da outra chave. Sląsk Wrocław, da Polônia, foi o adversário do time de Israel, mas não foi um rival à altura e foi derrotado na série por 2 x 0. Nas quartas de final, o Tel -Aviv derrotou o Scavolini Pesaro, da Itália, com o mesmo placar da série anterior.

Embora fosse uma nova temporada, três dos quatro semifinalistas de 1999/2000 se repetiram. Daquela vez, o único intruso eram os tradicionais russos do CSKA Moscou. Porém, a final foi uma revanche e com um novo campeão. Os gregos do Panathinaikos acabaram perdendo a chance do bicampeonato consecutivo e fora derrotado pelo Maccabi Tel Aviv, por 81 x 67, em Paris. Os melhores da Euroliga foram Nate Huffman (MVP Regular) e Ariel McDonald (MVP do Final Four).

PANATHINAIKOS: CAMPEÃO 2001/2002

A Grécia seguiu em alta. O Panathinaikos vinha forte mais uma vez para disputar o título da Euroliga. Com aproveitamento de 50% nas últimos duas finais e com elenco base mantido, não se esperava uma eliminação antes do mata-mata. Claramente não aconteceu e, assim, classificou-se em primeiro do grupo que tinha Real Madrid e CSKA, da Rússia.

Naquela edição, a fase 16avos foi disputada em grupos. O primeiro de cada um dos quatro disponíveis se classificaram para o Final Four. Ao passo, The Greens precisaram passar por duelos domésticos contra Olympiacos e AEK, além do esloveno Olimpija. Os outros rivais classificados foram Maccabi Tel Aviv e os italianos Kinder Bologna e Benetton Treviso.

Pelos critérios de desempate, os times da Itália acabaram duelando entre si e deu a oportunidade da trilogia nessa fase do torneio, entre Panathinaikos e Tel Aviv. Por outro lado, o jogo no Final Four foi pela semi e não no encerramento da competição.

O triunfo dos gregos foram por 83 x 75 para chegar na final contra o Bologna e acabar com o sonho italiano de voltar a vencer o título pela 2ª vez da Euroliga. A partida terminou em 89 x 83 e com destaque para outro sérvio no elenco: o ala-armador Dejan Bodiroga, apelidado de “White Magic” pela torcida grega.

BARCELONA: CAMPEÃO 2002/2003

A espera acabou. Desde a criação do Campeonato, em 1958, entre as equipes espanholas, somente Real Madrid e Joventut Badalona haviam levantado o caneco na competição europeia. A vez do Barcelona chegou no comando técnico de Svetislav Pesic. Aliás, o próprio comandante, também, não tinha o título.

O torneio para a equipe da Catalunha começou contra rivais fortes, como AEK (Grécia), Efes (Turquia) e a dupla italiana do Benetton Treviso e do Skipper Bologna. A ida para a segunda fase de grupos foi em segundo lugar. Para o mata-mata, classificou-se junto ao Treviso, CSKA Moscou e Montepaschi Siena, da Itália. Os duelos do Final Four foram equilibrados.

Sobretudo, a sede daquele ano foi a grande Barcelona. Os blaugranas ganharam dos russos por 76 x 71, enquanto o Siena perdeu para o rival italiano por 65 x 62. A final, dessa vez, tinha um time da casa no ginásio lotado e acostumado a estar ali. Perdendo apenas o primeiro quarto do jogo, o Barcelona, enfim, foi campeão da Euroleague sob a batuta do sérvio, que já tinha esse gostinho na carreira.

Nada mais nada menos que Dejan Bodiroga, que fez 20 pontos e pegou oito rebotes, dando a vitória sobre o Benetton Treviso por 76 x 65. Aliás, no elenco, também estava o único brasileiro campeão da Euroliga, Anderson Varejão, que, hoje, está sem clube. À época, estava com apenas 20 anos de idade.

MACCABI TEL AVIV: BICAMPEÃO – 2003/2004 e 2004/2005

Neste caso, vamos tratar diretamente do bicampeonato conquistado de forma consecutiva do Maccabi Tel Aviv. Além disso, não há como não mencionar, dentre os títulos, o mentor nas quadras. Trata-se da lenda lituana, Sarunas Jasikevicius. Outro atleta daquele time que fiz história foi Nikola Vujcic, de carreira extensa na competição internacional e o primeiro a chegar à marca de um triple-double neste novo século. O adversário da época foi o Prokom, da Polônia. Ademais, também, foi o segundo a realizar tal feito, já em 2006, contra o Olimpija.

O primeiro grito de campeão das duas taças seguidas se deu depois do Final Four ter sido montado entre Siena, Skipper Bologna e CSKA Moscou. Os russos foram a primeira vítima dos israelenses. Uma vitória por uma diferença de 12 pontos. Posteriormente, derrotou os bolonheses com a uma vitória acachapante por 118 x 75, com Carlos Delfino e Marco Belinelli. O destaque da final foi o ala Anthony Parker com 21 pontos e oito rebotes, assim como o double-double de Tal Burstein com 17 pontos e 10 rebotes. Atualmente, Burstein e Vujcic são membros da diretoria e comissão técnica da equipe de Israel.

Igual à temporada anterior, os israelitas eram favoritos ao troféu mais uma vez. A chegada aos playoffs foi um duelo contra um velho conhecido: Scavolini Pesaro, rival que perdera a final diante dos israelenses em 2001. Contudo, o resultado se repetiu. Na semi, a figurinha repetida foi o Panathinaikos. A partida final foi diante dos espanhóis do TAU Cerâmica, que tinham Tiago Splitter, Luis Scola, Prigioni e José Calderón no elenco. Enfim, o triunfo por 90 x 78 garantiu o bicampeonato.

Saiba mais

CSKA MOSCOU: CAMPEÃO de 2005/2006

A constância foi recompensada. De fato, o time russo já tinha títulos na Euroliga, mas ocorreram ainda na época  em que a nação era a União Soviética. Nessa nomenclatura, o time ainda não tinha erguido a taça. Porém, suas participações eram frequentes no Final Four. A passagem pela primeira fase de grupos da competição lhe rendeu uma terceira colocação. Daí em diante, o clube embalou. Embora tivesse passado por cima dos turcos do Efes Pilsen, nas quartas de final, o CSKA, de Theo Papaloukas, era o azarão na busca do troféu daquela temporada.

O Final Four teve a revanche entre os israelitas e o Cerâmica.  O Tel Aviv venceu de novo. Enquanto isso, o CSKA Moscou tirou o Barça e foi para o duelo para evitar a trilogia dos israelenses. E conseguiu. A vitória foi por 74 x 69, com atuação de gala do armador grego Papoloukas. Há de se destacar que Sarunas Jasikevicius já não estava no elenco, por se ter transferido para o Indiana Pacers, da NBA.

PANATHINAIKOS: CAMPEÃO de 2006/2007

A sala de troféu foi atualizada. O clube do Panathinaikos é um dos mais tradicionais no cenário europeu. A liga e os jogadores da Grécia são respeitados e olhados com um grande valor dentro dos elencos. Os gregos, dessa vez, voltaram para a final contra o CSKA Moscou, que era o atual campeão da liga. Na separação dos grupos, os russos só foram derrotados uma vez, na segunda fase.

The Greens caíram quatro vezes na fase de classificação. No único momento do Campeonato que é mata-mata, os jogadores da equipe verde pegaram exatamente um russo. Especificamente, o Dynamo Moscou. Passou com um 2 x 0 na série. Os rivais seguintes de Panathinaikos e CSKA foram espanhóis. Detalhe: Ettore Messina, ex-assistente técnico de Gregg Popovich, no San Antonio Spurs, treinava o time da Rússia.

O jogo final foi em um ginásio de Atenas lotado. Os mais de 18 mil fãs viram sete jogadores na partidas fazerem 10 ou mais pontos. A nave grega era comandada pelo icônico técnico Zeljko Obradovic. O placar de 93 x 91 teve os cestinhas do jogo: o grego Theo Papaloukas, que atuava pelo CSKA Moscou, com 23 pontos, e Ramunas Siskauskas, com 20.

CSKA MOSCOU: CAMPEÃO de 2007/08

Outra chance. Só que, dessa vez, não foi desperdiçada. Em primeiro lugar, os russos voltaram pela 3ª vez consecutiva para a final. Assim, repetiu o feito do Maccabi Tel Aviv no século. Porém, não venceu dois seguidos. Foi alternado. Ademais, o sexto grito de campeão foi exatamente contra o time de Israel. O CSKA Moscou conquistou o Campeonato jogando em Madri com um placar de 91 x 77.

Depois de duas finais, a equipe da Rússia passou por dois grupos divisionais equilibrados, tanto que o Olympiacos forçou três jogos. Dessa maneira, abriu 1 x 0 na série. Na semi, em jogo único, venceu, em partida apertada, o Tau Cerâmica com um 83 x 79. A equipe formada por Ramunas Siskauskas, aquele, agora, do lado russo, e o americano, Trajan Langdon, foram dominantes no jogo do título da Euroliga.

PANATHINAIKOS: CAMPEÃO de 2008/2009

Revanche à vista. Todavia, o resultado foi o mesmo para os gregos. O Panathinaikos retornou à final mais uma vez contra o CSKA Moscou, que buscava, enfim, superá-lo. Na primeira amostragem da competição, a parte verde da Grécia não se mostrava postulante ao título. Com muita força em casa, ainda não se destacava como visitante e, assim, acabou se classificando em terceiro lugar.

Por outro lado, no divisional, antes do mata-mata, alçou um 5-1 em seis jogos e foi forte para as quartas da Euroliga. Com um adendo: a partir de agora, a série era melhor de 5 e não mais de 3. Uma novidade. Nessa fase, no clássico do leste europeu, os russos passaram pelo Partizan, da Sérvia, já o Panathinaikos eliminou os italianos do Montepaschi Siena.

Por fim, na parte final da Euroliga, realizada na Alemanha, ocorreu o clássico grego, já os rivais eliminaram os barcelonistas. Depois de dominar o primeiro tempo, o Panathinaikos viu o CSKA reagir e terminar somente dois pontos atrás:  73 x 71. Assim sendo, os destaques no elenco dos campeões foram Nikola Pekovic, que teve passagem pelo Minnesota Timberwolves, e Vassilis Spanoulis.

Foto Destaque: Divulgação/Euroleague

Alysson Rodrigues

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