Especial Scott Dixon: Conheça a trajetória do hexacampeão da Indycar

Especial Scott Dixon: Conheça a trajetória do hexacampeão da Indycar

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domingo, 25 outubro 2020
Fórmula Indy

Definitivamente, neste domingo (25), Scott Dixon fez história na Fórmula Indy. Em um início de temporada avassalador, Dixon chega ao 6º título. Assim, a parceria entre Dixon e Chip Ganassi, sem dúvida, é de maior sucesso na categoria nos últimos anos. Vamos relembrar toda a trajetória desse ícone do automobilismo americano que alcança o hexacampeonato.

Por: Paulo Arnaldo, de São Paulo, SP

Início da carreira

Scott Dixon nasceu em Brisbane, na Austrália, mas é filho de um casal de neozelandeses. Ainda jovem, Dixon com sua família retornou à Nova Zelândia. Em Auclanda, cidade que fica na ilha norte do país, Dixon iniciou sua carreira no automobilismo. Por isso, ele compete como piloto neozelandês.

O início de carreira foi no Kart aos 7 anos.  E chamou atenção do público, quando aos 13 anos, recebeu uma licença para competir em um carro de turismo numa competição da Nissan. Entretanto, Dixon não só chamou atenção pela idade prematura de guiar um carro de turismo. Numa corrida no circuito de Pukekohe Park, Dixon capotou. Com uma prova sendo transmitida pela TV, Dixon impressionou ainda mais quando lutou para sair do carro pelo teto. Com uma almofada amarrada às costas para que ele alcançasse os pedais, ele conseguiu sair do carro. Um momento impressionante que marcou o início do jovem Scott Dixon.

Na sequência de sua carreira, Dixon conquistou a Fórmula Vee e Fórmula Ford da Nova Zelândia. Ele ainda competiria na Fórmula Holden e Campeonato Australiano de pilotos (categoria sancionada pela CAMS) que Dixon seria campeão em 1998. Foi um período complicado e de mudança da Nova Zelândia para Austrália. Porém, graças a um grupo de investidores dando o suporte necessário, Dixon conseguiu alavancar na carreira.

 Scott Dixon se muda para os Estados Unidos

Ao final de 1998, Dixon tinha uma proposta para seguir na Austrália e competir no famoso Campeonato Australiano de Turismo – Os supercarros V8. Entretanto, a famosa categoria não era o desejo dele. Então, no início de 1999, Dixon conseguiu um teste na Indy Lights. Assim, nesse teste, em Sebring, na 8ª volta, Dixon conseguiu quebrar o recorde do tempo de volta. Dessa forma, como resultado desse excelente teste, Dixon fechou com a equipe Johansson Motorsports da Indy Lights para disputar a temporada de 1999. A equipe comandada pelo ex-piloto de F1 e Indy, o sueco Stefan Johansson.

Nessa temporada de estreia, Dixon conquistou uma vitória, no oval de Chicago e terminou em 5º lugar. Em 2000, Dixon mudou para a PacWest Lights. E lá, conquistou 6 vitórias e o título da temporada 2000.

Dixon chega à CART

Com o título da Indy Lights de 2000, Dixon foi promovido è equipe PacWest. Logo em sua temporada de estreia, Dixon conquistou a 1ª vitória, na 4ª corrida da temporada, em Nazareth. Todavia, no início de prova, Dixon quase tomou uma volta do líder Kenny Brack.

No entanto, o neozelandês demonstrava ali, que sabia como ninguém fazer leitura de prova e ciência em encaixar uma boa estratégia. Economizando combustível, Dixon surpreendeu ao aparecer na frente no stinf final e conquistar a vitória.

Contudo, uma curiosidade envolveria o próprio Dixon e a PacWest. O brasileiro Mauricio Gugelmin sofreu um forte acidente no Texas Motorspeedway, que seria a etapa anterior daquela temporada. Até por conta desse acidente, a etapa no Texas acabou sendo cancelada. Na semana seguinte, que já seria a etapa de Nazareth, Gugelmin perdeu o seu filho de 6 anos por paralisa cerebral. A PacWest não tinha um piloto reserva para substituir Gugelmin. Então, o patrocinador NEXTEL foi estampado no carro de Dixon que veio a conquistar essa vitória.

Por fim, na temporada de estreia, Dixon conquistaria mais um pódio (3º lugar) em Miwaukee e concluiria 2001 em 8º lugar.

O revés e mudança de rumo em 2002   

A PacWest mergulhou numa profunda crise em 2002. Antes do início da temporada, a equipe teve o seu nome alterado para PWR. A equipe de propriedade de Bruce McCaw da McCaw Cellular, estava terrivelmente sem dinheiro devido ao crash das pontocom. Finalmente, quando entrou em colapso, a Toyota preparou um 3º carro na Chip Ganassi Racing para acomodar Dixon. De fato, foi sua primeira experiência em uma verdadeira equipe de alto nível, que tinha como principal fornecedor de motores, a Toyota. O neozelandês terminou em 13º e conquistou como melhor resultado um 2º lugar, em Denver.

Em 2003, a Chip Ganassi migrou para a IRL com o conjunto Toyota e chassi G-Force. Com isso, Dixon iniciou sua trajetória de vitórias e títulos. Tão logo, na temporada transitória, Dixon conquistou o 1º título na Indycar. Então, foram 3 vitórias na temporada. Vitórias em Homstead-Miami, Pikes Peak e Richmond. E o título na IRL.

Após um breve período de prevalência da equipe Andretti em 3 temporadas, Dixon voltaria a ficar na briga do título na temporada 2007, quando foi vice-campeão conquistando 3 vitórias. Porém, 2008 foi o ano perfeito na carreira do neozelandês. Foram 6 vitórias, vitória nas 500 Milhas de Indianápolis e o 2º título de campeão no final da temporada. Além da Indy 500, Dixon venceu em Homstead-Miami, Texas, Nashivlle, Edmonton e Kentucky, Outro detalhe é que a partir de 2008, as categorias da CART e IRL se reunificaram.

Domínio da Chip Ganassi e uma dupla vencedora

A equipe de Ganassi passaria a ter uma sequência de domínio nas temporadas seguintes. A dupla Dario Franchitti e Scott Dixon se tornariam uma das duplas mais vencedoras da história da categoria. De 2009 à 2015, Franchitti conquistou 3 títulos e Dixon sempre marcou presença nas 3 primeiras posições ao final de cada temporada.

Dixon em 2013 na IRL - Chip Ganassi

Dixon em 2013 na IRL – Chip Ganassi. Foto: Reprodução / Arquivo pessoal de Scott Dixon / Facebook

Em 2013, Dixon conquistou o 3º título com 4 vitórias. Essas vitórias foram Pocono, duas vitórias em Toronto e a 1ª corrida em Houston. Ademais, em 2015, Dixon conquistaria o seu 4º título. Foram 3 vitórias em Long Beach, Texas e Sonoma. Foi também que a partir de 2015, Dixon formaria uma relação de sucesso com o engenheiro Chris Simmons, que anteriormente era o engenheiro-chefe de Franchitti.

Scott Dixon, o líder da Ganassi

Em 2013, após a aposentadoria de Dario Franchitti, Scott Dixon passou a ser o grande líder da equipe da Ganassi. De fato, essa situação foi consolidada com o título de 2015. Mesmo não tendo o carro mais rápido, Dixon junto com Simmons se mostraram cerebrais. E o lado eficiência na estratégia começou a falar alto. Ou seja, vitórias construídas com inteligência.

Scott Dixon é o tipo de piloto que sabe poupar ou aumentar o ritmo nos momentos exatos. Estratégias perfeitas sendo executadas dentro da dinâmica das provas da Fórmula Indy.  Assim foi em 2015.

Assim foi em 2018, no 5º título de Scott Dixon. Foram 3 vitórias em Detroit, Texas e Toronto. E uma regularidade impressionante durante todo o campeonato. O resultado foi novamente a conquista do título, mesmo tendo uma equipe Penske com carros aparentemente mais rápidos.

Após a pandemia, Dixon dominou a temporada 2020

A pandemia do Novo Coronavírus apareceu em 2020 e a Indy que estava previsto para iniciar a temporada no dia 12 de março em São Petersburgo (Flórida). Após longa espera, a temporada de fato iniciou no dia 06 de junho no Texas.

Vitória de Scott Dixon no GP 1 de Indianápolis

Foto: Divulgação / Joe Skibinski / Indycar

Ali, começou a trajetória de Dixon rumo ao 6º título. Dixon venceu as 3 primeiras provas da temporada. Texas, GP 1 de Indianápolis e a 1ª corrida em Road América. Na 8ª etapa, 1ª prova da rodada dupla de Gateway, Dixon conquistou a sua 4ª vitória na temporada.

Dixon manteve-se na liderança na maior parte da temporada, chegando a abrir grande vantagem na pontuação. Embora a vantagem tenha sido reduzida para Josef Newgarden em 32 pontos na última etapa da temporada, em São Petersburgo. Mesmo com a vitória de Josef Newgarden, Dixon conseguiu com um 3º lugar, levantar a taça.

Os números de Scott Dixon

Scott Dixon tem marcas impressionantes na Fórmula Indy. São 50 vitórias na Fórmula Indy, considerando a única vitória na CART; 23 poles e 118 pódios. É, por enquanto, o 3º maior vencedor da categoria, atrás de Mario Andretti que tem 52 vitórias e A.J. Foyt que tem 67 vitórias (todas na USAC).

Em títulos, Dixon é 2º maior vencedor. A.J. Foyt detém 7 títulos na USAC. Dixon ainda terá a oportunidade de alcançar essa importante marca no automobilismo americano. Ou seja, com esse título em 2020, Dixon mostra que ainda tem muito energia para alcançar a marca. E definitivamente, Dixon está no Hall do grandes pilotos do automobilismo americano e da Indycar.

Foto destaque: Divulgação / John Cote / Indycar

Paulo Arnaldo do Amaral Lima

Paulo Arnaldo do Amaral Lima

Paulo Arnaldo, paulista, CEO da Poliesportiva, jornalista, apresentador e narrador esportivo. Conhecido no meio jornalístico como P.A., Paulo Arnaldo tem vasta experiência desde 2008 no jornalismo e[...]

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