Entrevista com Marcelo Negrão, Ouro em Barcelona-1992

Entrevista com Marcelo Negrão, Ouro em Barcelona-1992

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segunda-feira, 25 maio 2020
Vôlei

Medalha de Ouro na Olimpíada de Barcelona-1992 e de Prata no Pan-Americano de Havana-1991, Marcelo Negrão, ícone do vôlei brasileiro, concedeu entrevista para a Rádio Poliesportiva. Enfim, falou sobre a carreira e o futuro do esporte.

Por: Renan Silva, de São Paulo, SP.

O mundo te conheceu no Mundial Infanto-Juvenil em 1989, onde vocês trouxeram o primeiro título mundial da base. O que foi isso para você? Como era o trabalho da base na época e o que mudou do seu tempo de atleta para hoje como treinador?

Aquele era o primeiro mundial infanto-juvenil, ainda não sabíamos o que estava por vir. Ademais, chegando lá, jogamos contra grandes equipes, e na final enfrentamos a Rússia. Jogadores enormes já naquela idade, o que hoje é normal. Antigamente, a estatura nos clubes era baixa. Ademais, quando chegamos lá e vimos que as seleções tinham garotos da nossa idade altos, nos assustou. Fomos para o Mundial na Arábia, muito quente, lembro que de noite fazia 46 graus. Para nós era tudo novidade. Na final o time se uniu. Me destaquei e fui o jogador que chegou na Seleção principal.

Na sequência, você foi para o time principal do Banespa. O que tem a dizer sobre Josenildo Carvalho?

Espetacular. Ademais, um visionário, que tinha suas idéias e acreditava nelas. Além de mim, bancou o Tande e o Giovane, pois o Maurício já integrava o time principal e a Seleção Brasileira como segundo levantador. Lembro que, ao chegar no Banespa, só tinham feras. Por fim, ele foi uma peça-chave no meu início como atleta.

Você foi o único jogador que colocou a bola no teto do ginásio do Banespa?

Coloquei. O Tande era outro que tinha um aquecimento de rede muito bom. Era uma bola Rainha, que na minha opinião, era um pouco mais leve, dependendo da pancada, subia muito alto. Mas acho que não fui o único. Tinha o Toninho, um cara muito forte, que jogava pelo Sadia e na Seleção Brasileira.

O que você acha que ocorreu para uma mudança tão repentina no esporte?

Não acho que foi com o vôlei, e sim, com o mundo e o nosso país, que sofre demais quando ocorre alguma recessão. A primeira coisa que o governo quer acabar é com o investimento no esporte, por considerar um gasto extra. Por fim, qualquer patrocinador que investe no esporte analisa onde terá mais retorno, base ou time principal.

Qual era o maior adversário da sua carreira?

Estados Unidos. Tinha muita dificuldade contra os norte-americanos, pois eram muito inteligentes, sabiam marcar bem, iam pelas estatísticas. Caras que me faziam mudar o meu tipo de ataque o tempo inteiro. Isso cansa muito e leva a um desgaste físico maior. Por fim, os caras marcavam tudo.

Qual foi o treinador que você considera “o cara”?

Bebeto de Freitas. Foi quem me levou para a Seleção. Me passou bastante conhecimento. Influenciou caras como Zé Roberto Guimarães, Bernardinho e Renan Dal Zotto. Todos possuem a mesma linha de treinamento.

Para finalizarmos, recentemente, foram reprisadas várias partidas antigas, como as da Olimpíada de 1992, até o Maurício postou um vídeo assistindo com os filhos. E você? Como foi a emoção e o sentimento de assistir com seus filhos e mostrar o pai deles jogando?

Fantástico. Por incrível que pareça, foi a primeira vez , após quase 30 anos, que me vi jogando essa Olimpíada. Somos da geração do videocassete. Hoje não tem mais isso. Quando o meu filho começou a jogar eu sempre contava e ele sempre perguntou aos outros se o pai era bom e como jogava. Ficou impressionado ao ver todos os jogos comigo. Até eu fiquei, pois não me lembrava de ter jogado tão bem. Por fim, um momento bacana demais.

Você pode ouvir a íntegra da Live do técnico Rubinho para a Rádio Poliesportiva, a rádio do vôlei, de todos esportes.

Foto destaque: Divulgação/Instagram/marcelonegraovolei

Renan Silva

Renan Silva

24 anos, natural de Osasco, estudante de jornalismo das Faculdades Integradas Rio Branco. Apaixonado por Esportes e Rock n Roll, durante a infância jogou Futebol de Salão e na adolescência praticou[...]

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