Em ‘O Corintiano’, Mazzaropi faz homenagem aos clubes brasileiros de futebol

Em ‘O Corintiano’, Mazzaropi faz homenagem aos clubes brasileiros de futebol

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sexta-feira, 01 setembro 2017
Futebol Brasileiro

Durante o jejum de 23 anos sem títulos do Corinthians (que hoje completa 107 anos), Amácio Mazzaropi estrelou, em 1966, “O Corintiano”, uma homenagem a todos os clubes de futebol do Brasil. Logo nos créditos de abertura, o  nosso “Jeca desbocado”  faz questão de dizer que não quis enaltecer o Timão e desmerecer as demais equipes, mas sim prestar uma homenagem às agremiações e oferecer entretenimento aos torcedores fãs do esporte bretão.

Mazzaropi interpreta o barbeiro Manoel, que ganha em uma rifa um burro alvinegro – Reprodução

Mazzaropi, no longa-metragem, dá vida ao barbeiro Manoel, que ganha um burro alvinegro em uma rifa e sonha que a vinda de Garrincha, o craque das pernas tortas, “possa endireitar o Corinthians”.

Manoel vive numa pindaíba constante (ele não cobra de fregueses corintianos que apresentam a carteirinha de sócio do clube), em meio a um vizinho italiano que quer a todo custo que o filho jogue no “Parmera” e moradores de uma vila que se incomodam com a presença do seu burro e com alguns espasmos de fanatismo do barbeiro pelo Timão.

Na casa do protagonista, tudo remete ao Corinthians, desde flâmulas, quadros, imagem de São Jorge e seu cavalo e o disco com o hino do clube, tocado em alto e bom som para atazanar a vizinhança alviverde.

Corintiano roxo, “Seo Mané” é capaz de arremessar o rádio de pilhas longe ao ouvir comentaristas esportivos criticando o alvinegro e de comprar todos os jornais da banca no dia seguinte à derrota do clube para o arquirrival justamente para não ser alvo de piada do vizinho italiano.

Numa semana em que a Câmara Municipal de São Paulo aprovou a concessão do Pacaembu à iniciativa privada, o saudoso Paulo Machado de Carvalho (com a Concha Acústica no lugar do Tobogã) é palco no filme de dois derbies (Corinthians x Palmeiras) acompanhados por Manoel (no primeiro jogo, ele chega ao estádio com a família 4 horas antes do início “para poder pegar lugar”).

Dona Elisa, torcedora símbolo corintiana, ao lado do barbeiro na arquibancada – Reprodução

Durante um dos clássicos, o barbeiro larga mulher e os dois filhos (que não torcem com devido entusiasmo) e senta na arquibancada do Pacaembu ao lado da lendária Dona Elisa, torcedora símbolo do Corinthians durante aqueles tempos do jejum.

Além de agradecer ao Palmeiras e ao Corinthians pelo apoio, Mazzaropi foi recebido com faixa de ambas as torcidas na première do filme, em 25 de janeiro de 1967, no Cine Art Palácio, na Avenida São João. Na ocasião, a imponente fachada do antigo cinema ficou decorada com bandeiras de vários clubes, entre elas também as do Santos, São Paulo e Juventus.

 

Foto de capa: Reprodução

 

Redator da matéria: Leonardo Guandeline, de Guarulhos.

Leonardo Guandeline

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