Em exclusiva, Thiago Augusto fala sobre o início de sua carreira no SERC, a passagem no Barueri e a chegada ao Cascavel

Em exclusiva, Thiago Augusto fala sobre o início de sua carreira no SERC, a passagem no Barueri e a chegada ao Cascavel

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segunda-feira, 06 julho 2020
Entrevistas

Revelado pelo SERC, Thiago Augusto desde o início de 2019 é jogador do Cascavel. Inclusive, participou em boa parte da campanha da equipe na Liga Nacional de Futsal da última temporada. Enquanto já neste ano conquistou a Copa Três Coroas, contra o Passo Fundo Futsal, onde foi decisivo defendendo um pênalti. Contudo, o goleiro concedeu entrevista exclusiva para a Rádio Poliesportiva. Nessa primeira parte, ele vai falar sobre o início de sua carreira, várzea, passagens por outros clubes até a chegada ao Cascavel.

Por Thiago Lopes, Caieiras-SP

SERC: o início de Thiago no futsal

Assim como a grande maioria dos jogadores profissionais do futsal, Thiago Augusto, hoje no Cascavel, passou pela várzea. Entretanto, sua trajetória começou aos 11 anos, jogando pelo SERC (Sociedade Esportiva e Recreativa Caieiras) em campeonatos da Federação Paulista de Futsal. Com ‘o professor Juninho‘, logo no primeiro ano a equipe ficou em 3º lugar na competição mais importante do ano. Em contrapartida, depois de um tempo em Caieiras, o goleiro passou a defender o time de Francisco Morato, já no sub-13.

Por lá, comandando por Michel, Thiago fez parte de um projeto novo que também passou a competir os campeonatos da FPF de menores. Dessa forma, adquirindo mais experiência, também fazendo boas campanhas, o goleiro foi aprimorando a sua qualidade técnica em jogar com os pés. Inclusive, já marcava bastante gols.

Entretanto, essa passagem não durou muito tempo, depois de uma ligação da Márcia Honório, a Marcinha, que foi ex-jogadora da Seleção Brasileira, e que tem muitos anos como técnica do Juventus, mas que também comandava a equipe do SERC. “Ela me ligou e disse:

“Precisamos de um goleiro e queremos você aqui”

Segundo Thiago, a equipe de Morato estava passando por dificuldades financeiras, sem poder contribuir no transporte público, então optou em retornar ao Caieiras. Dessa forma, no sub-17, a equipe passou a jogar a Série Ouro da FPF. Consequentemente, depois de  grandes campanhas nas competições e boas atuações individuais, o goleiro chegou a receber propostas de Juventus e São Paulo, mas optou em não sair.

Isso porque não seria possível conciliar os horários dos treinos com as aulas na escola durante a semana. Afinal, em seu último ano do ensino médio, Thiago não abriria mão de se formar. “Foi uma decisão grandiosa, foi um ano incrível. Fomos vice-campeões do Metropolitano… No Regionais jogando com o time sub-17 contra o adulto, a gente tinha apenas três acima da idade, foi incrível”.

A importância de Marcinha

– A importância da Marcinha na minha vida é muito grande, é uma mãe pra mim até hoje. Em me dar conselhos, me passar uma visão, me ajudou muito a querer algo maior. Apostou no meu potencial. Quando cheguei não nos conhecíamos e confiou em mim, me deu a faixa de capitão do time, me deu a confiança que precisava. Além disso ela me deu liberdade de jogar jogar com os pés. Tanto ela quanto o Michel (treinador de Thiago no time de Morato). Ela é muito importante na minha vida, amo ela de coração, uma das pessoas mais importantes no futsal, se não for a maior.

Thiago e Marcinha juntos, em 2014.

Thiago e Marcinha juntos em 2014.

A continuidade e o não ao São Paulo

Após o fim do sub-17 no SERC, Thiago recebeu uma proposta da equipe de Franco da Rocha, para jogar no adulto. Nesse período chegou a treinar no Corinthians, mas não por muito tempo. Sendo assim, disputando o A1 do Paulista na FPF, por Franco, consagrou-se campeão sobre o Botucatu. Consequentemente, após a conquista chegou ao São João, de Jundiaí. Naquela oportunidade, também recebeu um novo convite do São Paulo, que iria disputar a LNF, e do Jacareí, este disputando a Liga Paulista.

Para a sorte de Thiago que rejeitou os tricolores, o projeto do time do Morumbi não teve continuidade poucos meses depois. Então, jogando pelo São João no Metropolitano fez uma boa campanha, disputando com a equipe do Corinthians, que ficou na 1ª colocação. Até que veio a grande baixa na temporada, uma lesão no joelho. Dessa maneira, o goleiro não pôde jogar os confrontos no mata-mata, onde sua equipe veio a ser eliminada para a AABB (Associação Atlética Banco do Brasil).

“Fiquei muito frustado, porque tínhamos boas condições para chegar na final. Então voltei a jogar, mesmo não estando muito bem fisicamente. E chegamos na final contra o Corinthians, onde ganhamos deles em casa por 6 x 4 no primeiro jogo. Na volta, perdemos no tempo normal e na prorrogação não conseguimos o título. Depois disso foi quando tive a proposta do Barueri, pra jogar a Liga Paulista, quando eu tinha mais um ano pro sub-20“.

A chegada de Thiago no Barueri

Logo no primeiro ano, o Barueri chegou ao terceiro lugar na Liga Paulista. Inclusive, chegou a vencer o Magnus, em Sorocaba, onde ainda não haviam sido derrotados. Contudo, após uma grande semifinal, a equipe acabou ficando pelo caminho. Já no ano seguinte, após a saída de Schütt ao Corinthians, Thiago passou a ser o goleiro titular.

E desta vez a equipe chegou na grande final da Copa Paulista contra o Taubaté. Mas após um revés fora de casa e um empate no Ginásio José Corrêa, os baruerienses ficaram com o vice-campeonato. Em contrapartida, após um bom desempenho individual, chegou a proposta que Thiago tanto sonhou.

“Depois desse ótimo ano foi quando recebi a proposta do Cascavel. Foi algo que não esperava. Era o meu primeiro ano na Liga Paulista e tive essa proposta irrecusável. Chegou de outros dois times da LNF também, e eu não acreditava”.

Thiago e Scütt juntos com a camisa do Barueri em 2017.

A importância da várzea

“A várzea ensina muita coisa, principalmente na malandragem de jogo. Também me ajudou muito na questão financeira. Quando joguei no ‘La Corunã‘, onde conquistamos a Copa Bifarma, só tinha jogadores de LNF, Liga Paulista, pra mim era tudo muito novo. E fomos campeões passando por vários times grandes. Foi muito importante pra mim, me ajudou muito, muito mesmo”.

– Acho que se fosse pra montar um quarteto começaria com o Leandro (Rosa), de fixo. Foi ele quem me levou pra várzea dizendo que iria fazer eu ganhar dinheiro, dizendo que eu tinha potencial. Ele é uma pessoal espetacular, um dos mais completos que vi, um dos melhores, sem dúvida. Numa ala colocaria o Caique Rosa. Esse também foi muito importante na minha trajetória. Quando eu jogava no SERC sub-11, o meu jogo era o primeiro, e ele era sub-15, o último (do dia). Mesmo assim eu ficava só pra assistir o jogo dele. Sempre me inspirei nele, na liderança dele, que me ajudou demais, sou muito fã. Na outra ala o ‘Bah’, e o Michel de pivô, que é sempre palavras como jogador e treinador, sou muito grato por ele… Seria esse o meu quarteto, acho que iria dar muito trabalho (risos).

Uma volta ao tempo

“Futsal nunca foi fácil, lutei muito pelos meus sonhos, nada foi fácil na minha vida. Minha mãe tinha eu e mais duas irmãs pra cuidar, as vezes não tinha dinheiro pra ir treinar. Em dia de jogo, na cidade vizinha, andei quase uma hora pra pegar o ônibus e ir pro jogo. Esse dia eu acordei 4h da manhã, eu tinha 11 anos, minha mãe nem acreditou, fui pro jogo sem um real no bolso… Deixei uma cartinha que ia pro jogo, ele ficou muito triste. Foi algo que me marcou bastante. Hoje estou realizando um sonho de jogar a LNF, porque não desisti do meu sonho. Hoje to colhendo o que plantei lá atrás.. Estou muito feliz, de verdade, por cada conquista na minha vida”.

Thiago foi campeão da Copa Três Coroas em 2020

 

Thiago Lopes

Thiago Lopes

Thiago Lopes, 20 anos. Estudante de jornalismo - 6º semestre.

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