Em atuação quase impecável, Óscar Valdez nocauteia Berchelt de maneira implacável

Em atuação quase impecável, Óscar Valdez nocauteia Berchelt de maneira implacável

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domingo, 21 fevereiro 2021
Boxe

Na madrugada deste sábado (20) para o domingo (21), tivemos a oportunidade de acompanhar uma das lutas mais esperadas do boxe internacional, na atualidade. E o que se passou no MGM Grand, em Las Vegas, Estados Unidos, atendeu todas as expectativas. Em uma apresentação quase que perfeita, Óscar Valdez destronou o seu compatriota, Miguel Berchelt, após um nocaute espetacular já nos últimos segundos do 10º round. Dessa forma, Valdez é o novo campeão dos Super-Penas pela WBC. No mais, foi uma luta de grande nível, com reviravoltas, como gostam os mexicanos, e com um final que dará o que falar por anos. 

Por: Ayrton Niño, de Recife (PE)

REFLEXÃO NECESSÁRIA

Antes de mais nada, o boxe é um esporte muito complexo. E que dentro de uma luta, ele te apresenta várias possibilidades. De fato, há mais de uma maneira de se vencer um oponente. Nos debates, nas expectativas, nos prognósticos (inclusive o nosso), muito se falou da chance de Berchelt se impor fisicamente. E com isso, nocautear Valdez. Antes da luta, Berchelt tinha cerca de três quilos mais, do que seu adversário. Porte físico maior, mais altura e envergadura. Contudo, Valdez nos mostrou que a sagacidade, muitas vezes é mais valiosa do que punhos pesados nesse desporto.

COMEÇO PRECAVIDO E ESTRATÉGICO

A princípio, a luta começou muito estudada. Ambos lutadores se respeitaram bastante, e analisaram um ao outro. Embora, já se via um Valdez um tanto quanto mais ativo. Em seguida, já no 2º round, essa dinâmica de Óscar Valdez já lhe rendeu alguns frutos. Ao fim do round, Berchelt já apresentava um sangramento no nariz. Naquela altura, já era mais do que evidente, que o desafiante era muito mais rápido do que o campeão. Constantemente, Valdez conseguia disparar jabs limpos, e um outro ponto que saltava aos olhos, era sua movimentação constante e quase que impecável.

No 3º giro, a tônica continuou a mesma. Óscar estava com um timing perfeito, entrava na curta distância, disparava, e saía. Quando era acuado nas cordas, esquivava e  fugia num pivô. Ou até mesmo, fazia o simples, partia para o clinch, e parava a luta. Naquele momento, já se percebia que a melhor arma de Valdez, era ser inteligente. Não correr riscos, e evitar ser uma presa estática para Berchelt, porque todos conhecem o poder de punch que o Alacrán tem, não é novidade, e por saber e respeitar essa fator, que era necessário encontrar caminhos para se evitar entrar em colisão com isso.

COLHENDO O QUE PLANTOU

Da mesma maneira, seguiram os rounds seguintes, com Óscar se utilizando da sua maior velocidade para encontrar golpes certeiros. Até o 3º assalto, os jabs traziam as atenções para si. Todavia, no 4º round, o cruzado da mão adiantada de Valdez começou a aparecer. E foi desse jeito, que Óscar quase pôs seu oponente de joelhos no chão. É aquele tipo de situação, em que o sujeito leva um golpe contundente na conhecida “têmpora”(não que precise pegar justamente lá), e a partir disso, as pernas não funcionam mais. É parecido como querer andar dentro do mar, com a maré alta, pode estar raso, mas com um outro passo pode estar fundo.

Como visto acima, Miguel Berchelt ainda foi salvo pelo gongo, nos segundos finais. Da mesma maneira, se iniciou o 5º round. Óscar Valdez partiu para decidir o combate, porém, Miguel mostrou muita força de vontade, e resistiu. E foi além, já mais para o final do assalto, parecia estar recuperado.

RESILIÊNCIA DE UM CAMPEÃO

Passado o susto, Alacrán partiu atrás do prejuízo. Até aquele momento, havia perdido todos os cinco rounds, inclusive com um 10 – 8 no quarto assalto. O que podemos ver no 6º round, foi um Miguel Berchelt com sede de vingança. Partindo para cima, acuando seu adversário. Sendo perigoso. Aliás, foram nesses momentos, que vimos o que se esperava do campeão. Miguel lançou golpes duros, principalmente ganchos na linha da cintura, que com certeza fizeram danos em Óscar.

Logo depois, já no 7º round, Berchelt manteve a pressão. E deixou a impressão, que se a luta começasse a tomar aquele rumo, um nocaute poderia ser questão de tempo. Por mais que Valdez buscasse se movimentar, e evitar as investidas de Miguel, naquela altura, Óscar parecia começar a ficar cansado, diminuir o ritmo. O que seria cavar sua própria cova. Mas, algum sinal de emergência ligou em Óscar Valdez, e nos momentos finais desse giro, já se viu uma postura diferente. E que surgiu após um cruzado de esquerda.

RETOMANDO O RUMO TRAÇADO

No intervalo do sétimo para o oitava round, se ouviu claramente de Eddy Reynoso para Óscar, que o treinador não queria que seu atleta ficasse nas cordas, e que desejava que o desafiante voltasse a propor a luta como havia feito anteriormente. E desse jeito, Valdez partiu para cima no início do 8º assalto. Retomou a posse do centro do ringue para si, e reeditou o que havia acontecido nos primeiros rounds.

No 9º round, Valdez pôs ainda mais intensidade em seu recital. E com uma combinação linda, mesclando direto, troca de base, gancho, e alguns cruzados, colocou o campeão sentado no chão, atordoado, e visivelmente abalado. Pôde-se notar claramente, o abalo mental que foi esse knockdown, no intervalo do nono para o décimo. A expressão de Berchelt era de desalento.

NOCAUTE DO ANO ?

Por fim, já no 10º round, Óscar Valdez terminou a luta de uma maneira memorável. Esse KO entra para a história do esporte. Não há muito o que dizer, o melhor a se fazer, é apreciar essa obra de arte. Antes de deixar os leitores com o nocaute, peço para notarem nas esquivas, movimentação de cabeça, a maneira que utiliza o movimento anterior de pêndulo, para arremessar o golpe de encontro na sequência, isso tudo caminhando para trás, o que só deixa muito mais difícil (apesar dele parecer fazer fácil). Aliás, desculpa incomodar novamente, no soar do gongo. Dessa vez, não teve como salvar o Berchelt.

FOTO DESTAQUE: DIVULGAÇÃO/ TOP RANK BOXING 

Ayrton Niño

Ayrton Niño

Historiador pela UFPE e graduando em Jornalismo pela UniNassau.

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